Dica Duca – edição especial Joy Division

a divisão da alegria e a baixa do capitão

Há 31 anos, o ilustre desconhecido (por estas terras tropicais) Johnny Logan dominava o topo das paradas no Reino Unido com ‘What’s Another Year’. O rapaz vencera o Eurovison Song Contest, espécie de Festival da Canção da Record, realizado até hoje na Europa.

No mesmo dia, a história da música pop era marcada por alguém que ficaria sem saber o que seria o próximo ano: o suicídio de Ian Curtis, 23 anos, líder do Joy Division, enquanto escutava o álbum The Idiot, do Iggy Pop.

Iggy Pop - The Idiot

Este texto não é para glamurizar a atitude idiota do moleque (ei, depressão e epilepsia são doenças sérias que devem ser tratadas, mas suicídio continua sendo uma das maiores babaquices que um ser humano pode fazer).

Este texto é pra falar da sua banda, que depois depois dele seguiria com outro nome e outro estilo.

porque é bom
4 de junho de 1976, primeiro show dos Sex Pistols em Manchester, para uma plateia de 42 pessoas.

Depois de terem inspirado o surgimento do Clash em Londres, os Pistols continuaram sua missão de musa não-declarada da então nova música na decadente cidade industrial, lar de dois dos mais ricos times do futebol inglês de hoje, o City e o United.

Entre esses 42 incautos, destacavam-se 8 cidadãos (19% da audiência):
• Howard Devoto e Pete Shelley (Buzzcocks);
• Mick Hucknal (Simply Red – provando que nem sempre a inspiração dava certo);
• Tony Wilson (jornalista que viraria empresário, montando a Factory Records);
• Martin Hannett (produtor musical que ajudaria a definir o som do Joy Division);
• E, finalmente, Curtis, Hook e Sumner – 3 jovens que formaram uma banda chamada Warsaw junto com Morris, mais tarde conhecida como Joy Division.

Foram 2 álbuns de estúdio, sendo um lançado já póstumo.

Os adjetivos-clichê que descrevem o som da banda são: pós-punk, claustrofóbico, hermético, urgente, batida marcial e por aí vai.

Tudo isso pra classificar um rock que se destaca pelos graves: um baixo pesadão, uma bateria seca e guitarras aceleradas, capitaneadas por uma voz de barítono. Melhor exemplo: ‘Transmission’.

E tem também as músicas etéreas e soturnas como ‘Atmosphere’ e ‘Autosuggestion’.

A primeira vez que ouvi Joy Division fiquei perturbado. Mas depois de alguns dias martelando aquele som, percebi o quanto é contagiante. Tente você também!

porque é duca
Por duas coisas:
1) a espetacular dança epilética de Ian, que pode ser vista de relance no meio do refrão no vídeo acima.

2) possivelmente, os primeiros melhores 14 segundos de introdução de uma música na história (em ‘Love Will Tear Us Apart’).

extras
Dois ótimos filmes sobre Ian, Joy Division e a cena musical de Manchester (que também nos brindou com New Order, Smiths, Happy Mondays e Stone Roses):
1) 24 Hour Party People – A Festa Nunca Termina. Lançado em DVD no Brasil com exclusividade pela Livraria Cultura.
2) Control.

Se gosta de Joy Division e ainda não viu, vá ver.

Se não gosta de Joy Division e ainda não viu, veja A Festa Nunca Termina.

E depois me conte o que achou.

Espinafre!