Dica Duca – Scott Pilgrim

ou porque Bryan Lee O’Malley é o Nick Hornby da geração Y

Scott Pilgrim é o Alta Fidelidade da geração Y. Fato.

Reduzindo o (ótimo) livro de Nick Hornby ao mínimo denominador comum, temos:
• protagonista que tomou um pé na bunda e perdeu o rumo temporariamente;
• referências pop de baciada;
• coadjuvantes rasos (mas engraçados) e que fazem a história andar;
• um sogro que tem participação especial na história;
• uma coleção de ex-namoradas (algumas do mal);
• um romance de geração (X, no caso).

Alta Fidelidade

Tudo o que há na hq de Bryan Lee O’Malley.

Só que com conteúdo atualizado para o século XXI: troque o foco da música para o videogame, uma loja de discos em Londres para os palcos de Toronto, os gêmeos mentecaptos musicais por um colega de quarto gay (e adicione uma fauna de amigos que incluem colegas de banda e de colégio pós-formatura), um morto por um ninja, ex-namoradas do protagonista por ex-namorados do interesse romântico da vez (todos com maldade turbinada), 30 e poucos por 20 e poucos anos.

E a diferença fundamental: coloque o protagonista atrás de um pitéuzinho recém-chegado, ao invés de tentar reconquistar a amada dona do pé-nos-glúteos. Afinal, a geração Y não tolera mau atendimento. A fila anda.

Scott Pilgrim Contra o Mundo

porque é bom
Não se fixe na arte ingênua estilo mangá e até mesmo no filme apenas ok do Edgar Wright (a 1ª bola fora da carreira do cineasta, ainda assim divertidinho).

A força de Scott Pilgrim está no texto e na imaginação do autor. Acredite: é só começar a ler qualquer um dos 3 volumes lançados pela Cia. das Letras e você é compelido a ir até o final, sem paradas. There is no escape.

Aliás, a grande diferença entre o filme e os quadrinhos está justamente no protagonista.

O Scott “original” é um idiota apaixonante ligado em 220, no melhor estilo Homer de ser – com uns 30 ou 40 anos a menos, é claro.

O Scott do cinema é um bobo lamuriento com o fusível queimado – Michael Cera repetindo o papel de Michael Cera em Juno e Superbad. O resto do elenco de apoio até que se sai bem, apesar da inexistência de personalidade da Ramona Flowers – segundo erro capital. E já que trouxemos Superbad à baila, Seth Rogen daria um ótimo Scott Pilgrim, não fosse a diferença de idade.

Scott Pilgrim Vs. the World

Pra quem não faz a mínima ideia do que estou falando, segue o resumo obrigatório da obra: após um fora da antiga namorada, que deixa nosso herói fora dos eixos por um tempo, o canadense Scott Pilgrim conhece Ramona Flowers – garota descolada de Nova York. Pra ficar com ela, além de se desvencilhar de uma peguete chinesa grudenta que ainda está no colegial, terá que acertar as contas com o passado da moça, enfrentando seus 7 ex-namorados do mal. E aqui, enfrentar deixa de ser uma metáfora para superar as inseguranças que cercam um novo casal que tem que lidar com suas cicatrizes emocionais. Enfrentar é partir pra porrada mesmo!

porque é duca
Tem profusão de referências pop? Tem sim senhor. Tem ação, aventura e romance? Tem sim senhor. Tem comédia? Tem sim senhor. E bastante.

Então, se está atrás de diversão, Scott Pilgrim é pra você.

Mas tudo isso é acessório, assim como em Alta Fidelidade. O que torna a história especial é o texto e subtexto afiadíssimos, que pintam o retrato de uma geração. Ao menos, o retrato de uma parcela dessa geração. Aquela que gosta de videogames e rock e está aprendendo a lidar com a vida amorosa e os relacionamentos. E que utiliza rotas no subespaço para chegar onde quer.

Não entendeu? Pare e tudo e vá ler a HQ! (mas não deixe de voltar ao espinafrando.com – de vez em quando sempre com um dica fresquinha pra você).

2 Comentários para: “Dica Duca – Scott Pilgrim

Espinafre!