Dica Duca – Adventureland

…sessão da tarde bissexta…

E eis aqui um ótimo filme que resgata o gênero sessão-da-tarde-com-John-Hughes: ‘Adventureland’.

Ou ‘Férias Frustradas de Verão’, como foi batizado em Terra Brazilis. Decerto uma tentativa de evocar o espírito da Sessão da Tarde dos anos 80. Ou mais um erro infeliz de marketing, vai saber. O caso é que o filme saiu por aqui direto em DVD e se já não tivesse ouvido falar, não seria essa beleza de título que me faria assisti-lo.

Adventureland

porque é bom

Assim como tipos de trilhas (leia mais sobre o tema aqui), tem certos tipos de filmes que simplesmente saem de moda. É o caso deste ‘Adventureland’.

Na melhor tradição John Hughes dos anos 80 (‘Gatinhas e Gatões’, ‘Clube dos Cinco’, ‘Curtindo a Vida Adoidado’, ‘A Garota de Rosa Schoking’, ‘Mulher Nota Mil’), temos aqui um daqueles filmes engraçados e sensíveis ao mesmo tempo, de construção de caráter e amadurecimento naquele período entre o fim da escola e o começo da faculdade.

É a história de James Brennan (Jesse Eisenberg), aspirante à faculdade de jornalismo que terminou a escola e foi “obrigado” a trabalhar num parque de diversões decadente durante o verão para levantar a grana necessária para zarpar para NY e viver o sonho americano.

No parque, ele passará por muitas aventuras com uma galerinha do barulho. Ou seja, terá ilusões e desilusões, se apaixonará, meterá os pés pelas mãos, encontrará um mentor. O pacote básico do gênero.

Outro dia, estava conversando com dois dos melhores roteiristas de HQ da Marvel, Ed Brubaker e Brian Michael Bendis (dito dessa forma, parece que foi épico, mas na verdade foram meia dúzia de tuítes trocados, num inglês absolutamente macarrônico de minha parte).

Brubaker defendia que no gênero noir só existem 5 tipos de tramas e o que conta é como o roteirista desenvolve a história. Realmente, é raro encontrarmos uma história totalmente original. E tomo a liberdade de estender essa regra para todos os gêneros: o lance do desenvolvimento é o que faz a diferença entre algo banal e legal.

Uma lição que o roteirista e diretor Greg Mottola parece ter aprendido bem. Não só nesse ‘Adventureland’, mas também em ‘Superbad’ (e provavelmente em ‘Paul’, comédia com Simon Pegg & Nick Frost & um alienígena que ainda não saiu no Brasil, apesar de já ter saído até em DVD e Blu-Ray lá fora).

porque é duca

Temos um Jesse Eisenberg pré-Facebook num de seus melhores papéis e atuações.

Temos a miss Crepúsculo Kristen Stewart que não compromete com sua cara de enxaqueca.

Temos o Lanterna Verde Ryan Reynolds como um Obi-wan Kenobi sacana.

Temos uma excelente seleção musical com clássicos oitentistas como The Cure, INXS, Jesus & Mary Chain; clássicos incontestáveis como Lou Reed, Velvet Underground, Rolling Stones, David Bowie, New York Dolls; clássicos da farofa como White Snake, Poison; e clássicos trash como ‘Rock Me Amadeus’, do Falco.

Temos uma porção de caras novas, bastante talentosas.

E temos o casal histriônico do Saturday Night Live como os donos do parque: Bill Hader e Kristen Wiig, que roubam todas as cenas em que aparecem.

‘Adventureland’ não é o filme da sua vida. Mas é legal. E perfeito para uma tarde chuvosa.

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