espinafrando a estreia: Cilada.com

Momento inédito na história do espinafrando: fomos conferir a estreia de um filme antes de (quase) todo mundo. E aqui estão nossas impressões sobre ‘Cilada.com’, longa baseado na série do Bruno Mazzeo.

Aviso 1: o espinafrando assistiu ao filme sob efeito de drogas pesadas (Resprin™, a saber) e um princípio de febre, o que pode (ou não) ter afetado esta opinião.

Aviso 2: o espinafrando não é fã da série do Multishow.

Poderia começar esse texto dizendo que a proposta do filme é coerente, já que os cinespectadores se sentem numa verdadeira cilada (incluindo o ator Sérgio Loroza, mestre de cerimônias da sessão, que chegou em cima da hora e teve que assistir ao filme na 1ª fileira. O torcicolo deve ter sido bravo). Mas seria crueldade gratuita, piada infame e longe da verdade.

A julgar pela reação da plateia, ‘Cilada.com’ é a comédia mais engraçada que o espinafrando não viu.

Cilada.com

Não é que o filme seja ruim. É que é difícil definir ‘Cilada.com’ como um filme. É mais uma coleção de esquetes com um fiapo de comédia romântica tentando costurar tudo. Ou ainda como uma maratona de 4 episódios do seriado em seguida, sem intervalos comerciais e vinhetas.

Nesse cenário, tem esquetes que funcionam maravilhosamente bem (como todas as aparições do chefe de Bruno, desde já um dos grandes personagens do folclore brasileiro, tão fanático pelo Ray Conniff que utiliza o mesmo penteado do ídolo), esquetes de humor blé* e esquetes que chafurdam na vala do sem-graça ou do mau gosto.

[*humor blé: tipo de humor engraçadinho, com ênfase no inho, capaz de suscitar apenas sorrisos amarelos, mas que ainda conserva certa graça]

O fio que conduz a trama tem ponta dupla, pra ficar numa metáfora capilar. A raiz da cilada é uma festa de casamento, onde nosso herói é pego traindo a namorada com a boca na botija (ou no busto, pra ser mais preciso). A (ex-) namorada decide se vingar subindo um vídeo íntimo comprometedor pro Intube (provavelmente pra evitar pagar royalties pro Google). E aí começa uma saga dicotômica em que ora o protagonista busca redimir sua imagem de macho ridicularizado através de uma contra-vingança em vídeo e ora busca reconquistar sua amada, tentando superar sua incapacidade de dizer “eu te amo”.

Pra completar a esquizofrenia, tem uma traminha paralela com uma cena no começo e outra no fim do filme, em que o publicitário Bruno tem que criar uma campanha contra direção alcoolizada para o Governo fluminense. Essa 3ª via existe para justificar dois esquetes com a Carol Castro que levam ao desfecho.

Li em algum lugar que, ao contrário do seriado, essa cilada não foi baseada em experiências pessoais do Bruno Mazzeo. Talvez, seja essa a explicação para as indecisões do roteiro.

Aliás, a indecisão também aparece na linguagem. Que não sabe se assumir como cinematográfica ou televisiva, como moderna ou tradicional. Às vezes, você tem a impressão de estar assistindo um loooongo episódio do seriado. E aí algum personagem solta um daqueles palavrões comuns ao cinema brasileiro da década de 70, completamente inorgânicos, com o único objetivo de mostrar “olha como somos contestadores / estamos demarcando território / você não está assistindo uma babinha no sofá da sua casa”. Da mesma forma, as piadas conseguem transitar entre o verniz “””sofisticado””” do stand-up atual, a obviedade estilo praça-é-nossa/zorra-total e o escatológico no pior estilo dos irmãos Farrelly.

Enfim. ‘Cilada.com’ não é uma bomba completa. Tem bons momentos. Esparsos, é verdade. A primeira meia hora é passável (a partir daí se torna arrastado).

Se não agradou ao espinafrando, deve agradar deveras aos fãs do filho do Chico Anysio e fazer sucesso nas bilheterias, a partir de 8 de julho, quando entra em cartaz.

E sempre tem o lado bom: já que o lance do pornô caseiro não foi baseado num caso real do astro, ninguém corre o risco de se deparar com o Bruno Mazzeo pelado numa esquina escura da interweb.

5 comments

  1. Olha, vou admitir que quando você mencionou as esquetes eu até fiquei animado! Me lembrou as jóias raras de Monty Python, poderia ter sido uma boa tentativa de fazer algo parecido.
    É uma pena saber que Cilada.com é exatamente o que eu estava esperando.
    E parabéns pela presença na estreia!

    • Tem esquetes e ESQUETES. Eu não gostei no geral, mas pode ser que gostes, vai saber!

      Obrigado pelas congratulações! Mas tenho uma leve impressão que essa assessoria de imprensa não me chama pra outras estreias…

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