Dica Duca – Give’em Enough Rope

… dando corda pra enforcar a pasmaceira …

Dia 04 de julho de 1976. Nos EUA, comemorava-se mais um feriado de independência. Enquanto isso, na Terra-Mãe (mais precisamente em Sheffield) acontecia o primeiro show de um tal de The Clash, abrindo pros Sex Pistols.

Estamos falando de História, meus amigos. Pouco antes, Joe Strummer, líder dos rockabillies 101’ers, assistira a uma apresentação dos Pistols e decidiu abandonar a banda de bar pra investir nesse novo som mais pesado e revolucionário. Mick Jones formara a London SS e seu chapa Paul Simonon decidiu se juntar à banda depois de ver (adivinha?) um show da trupe de Johnny Rotten. Era questão de tempo até que as duas forças criativas se esbarrassem em Londres e formassem o Clash. Não fossem os Pistols, talvez Strummer nunca teria entrado pra banda e formado com Jones o equivalente punk à parceria Lennon-McCartney.

falem mal, mas falem de mim
Joãozinho Podre com a orelha queimando...

Estou sendo injusto: The Clash foi muito além do punk. É uma das 5 melhores bandas de rock da história do rock. E provavelmente, uma das mais subestimadas também, assim como seu 2º disco, a Dica Duca de hoje.

porque é bom

‘Give’em Enough Rope’ teve o azar de ser uma espécie de filho do meio. Espremido entre o visceral disco de estreia (homônimo da banda), a obra-prima ‘London Calling’–frequentadora assídua de qualquer lista dos melhores de todos os tempos–, a exuberância tripla de ‘Sandinista’ e o campeão de vendas ‘Combat Rock’ (que traz os únicos hits da banda, ‘Should I Stay or Should I Go’ e ‘Rock The Casbah’), só perde em “grau de desconhecimento” para o obscuro (e ruim) ‘Cut The Crap’, que não conta por já não contar com Mick Jones na banda.

Uma pena, pois é um discaço. Com uma técnica de gravação e mixagem bem mais apurada que a crueza do 1º álbum, abre com a porrada das guitarras de ‘Safe European Home’, uma das preferidas do espinafrando.

Na sequência, 2 petardos anti-bélicos: uma tradicional canção inglesa (‘English Civil War’) repaginada num rock matador e a original ‘Tommy Gun’, onde somos apresentados com mais ênfase à bateria-metralhadora de Topper Headon, que acabara de entrar pra única banda que importa – slogan criado pelo empresário do grupo.

‘Julie’s Been Working For The Drug Squad’ aparece pra dar um respiro, uma divertida canção sobre uma policial infiltrada, que começa tirando sarro de ‘Lucy In The Sky…’ e que traz um piano maroto, meio jazz, meio country. Depois, uma crítica à violência das gangues em ‘Last Gang In Town’, seguida de outro libelo contra as armas, no vocal quase rap de ‘Guns On The Roof’ acompanhado por um riff que lembra muito ‘I Can’t Explain’ do The Who.

Fecham o álbum:

a acelerada ‘Drug-Stabbing Time’;
a bela letra de ‘Stay Free’ cantada por Jones e pontuada pelo baixo de Simonon, relato emocionante em 1ª pessoa de uma amizade de infância interrompida pela prisão do mais encrenqueiro, enquanto o narrador tem que seguir com a vida e amadurecer, desejando ao amigo que continue livre após cumprir a pena;
a chatinha ‘Cheapstakes’, que lembra muito o pior dos Buzzcocks;
e a irônica ‘All The Young Punks (New Boots And Contracts)’, uma espinafrada™ na indústria musical de que fazem parte, retomando a tradição de ‘Complete Control’ do 1ª disco.

porque é duca

A grande qualidade do Clash é o casamento perfeito entre a música simples e genial do Mick Jones e as letras brihantes, carregadas de vida, do falecido Joe Strummer – um dos grandes storytellers da música (nível Johnny Cash), capaz de versos incríveis como
Tommy Gun
You’ll Be Dead When Your War Is Won
Tommy Gun
But Did You Have To Gun Down Everyone?
I Can See It’s Kill Or Be Killed
A Nation Of Destiny Has Got To Be Fulfilled
Whatever You Want, You’re Gonna Get It!

ou
All the young punks
Laugh your life
Cos there ain’t much to cry for
All the young cunts
Live it now
Cos there ain’t much to die for

e ainda
In Every Street And Every Station
Kids Fight Like Different Nations
And It’s Brawn Against Brain
And It’s Knife Against Chain
But It’s All Young Blood
Flowing Down The Drain
“.

20110707-073344.jpg

‘Give’em Enough Rope’ é duca porque faz a ponte entre a sonoridade nua do 1º disco e a perfeição do ‘London Calling’. Porque é a segunda e última vez em que o Clash pode ser chamado de punk. Porque traz letras carregadas de rebeldia com causa, que retratam uma época e ainda assim são relevantes no presente. E porque tem uma capa lindona🙂

3 comments

  1. Realmente um dos melhores discos do Clash, bem subestimado (sempre estava naquelas prateleiras de promoção das lojas americanas, custando R$ 10), mas sonoramente e principalmente no conteudo das letras, tem tudo que um adolescente espera: crueza, revolta e velocidade.

    Mesmo a coletanea “The Story of the Clash, Vol1” que no exterior era dupla em CD, aqui foi lançada em apenas um (o primeiro disco) e subestima o “Give´em…”. Todas as musicas dele constam no CD não lançado.

    Não imagino que alguém adquira esse disco antes do London Calling, mas pra quem quer se aprofundar no assunto Clash, esse CD é indispensável.

    • Rá! Nunca acho essas promoções. Na época em que comprei o meu, tive que garimpar na Pop Discos…

      Pra mim, Give’em é o 3º melhor da banda!

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