Dica Duca – Criminal

noir, no ar…

Cansado do gênero super-heróis? Gosta de histórias de crime e vingança? Então não “perda” (sic) os dois volumes de Criminal lançados pela Panini aqui no Brasil, a estupenda HQ de Ed Brubaker e Sean Phillips.

Cada volume traz uma história fechada, numa cidade americana chamada apenas de “a cidade”, próxima à vizinha Center City.

Deixe de lado o glamour, os detetives particulares e as ricaças lânguidas dos anos 30, 40 e até dos 70: estamos falando de noir praticado em pleno início do século 21. E ao contrário do noir pós-moderno de Frank Miller em Sin City –que faz o prefácio do 2º volume– Brubaker e Phillips apostam todas as suas fichas no realismo sujo e banal.

porque é bom

A primeira coisa que você deve saber sobre Criminal é que não há o peso da continuidade, ou seja, você pode começar a ler de qualquer volume, mesmo sem ter conhecimento prévio do que já foi pulicado.

Cada livro (com ótimo acabamento da Panini, diga-se: capa dura, papel especial, costura…) traz a história de um protagonista diferente, vividas na mesma cidade.

Criminal

No entanto, se você ler os dois na sequencia (como o @espinafrando fez pra relembrar e escrever este ensaio), perceberá que Brubaker colocou elementos em comum entre as histórias, de forma sutil, criando seu próprio universo. Fique atento para os nomes Ricky Lawless e Angie.

A segunda coisa que deve saber, é que as histórias invariavelmente têm a mesma estrutura: tudo começa com um gancho, seguido da apresentação dos personagens e posicionamento das peças no tabuleiro de xadrez do crime, uma passagem pelo bar 'Undertow' (perdeu o N de néon ainda nos anos 50 e nunca foi consertado) e o desenvolvimento da trama que culmina num desfecho surpreendente e agridoce.

Mas o que importa não é a tonelada de clichês e a estrutura rígida: tudo isso é proposital. A série é uma espécie de estudo que tem como objetivo trabalhar os limites do gênero e entregar histórias acima de tudo críveis e desconcertantes.

A rigidez da forma se nota inclusive na estrutura gráfica, como bem notou F. Miller no prefácio da 2ª edição: todas as páginas possuem 3 tiras de quadrinhos. E o @espinafrando aproveita pra complementar com a rigidez da paleta de cores: cada página tem uma “fotografia” monocromática (tons de azul, tons de verde, tons de vermelho…), reforçando o sentimento principal retratado no momento. Como no filme Traffic do Soderbergh.

A terceira coisa que deve saber é que Ed Brubaker é um mestre da escrita e excelente contador de histórias.

Destacou-se nas passagens pelos quadrinhos do Demolidor e do Capitão América. Neste último, trouxe uma das melhores fases do bandeiroso herói, incluindo sua morte/substituição/retorno – um recurso comum nos quadrinhos da Marvel e DC, normalmente usado para aumentar as vendas e com qualidade duvidosa, mas que na caneta de Brubaker virou uma história bastante envolvente.

E em Criminal, o esmero é ainda maior. Afinal, é um projeto que a indústria chama de “propriedade do criador”, ou seja, apesar de publicado pelo selo Icon da Marvel, todos os direitos são de Ed e Sean. Ninguém irá substituí-los a menos que seja por vontade deles, mais ou menos como acontece no mercado europeu, com o Asterix de Goscinny e Uderzo ou o Tintim de Hergé. E isso faz toda a diferença, acredite.

porque é duca

São histórias sórdidas. De caras fodões que se metem em situações desconcertantes contra a própria vontade. E que têm que dar o seu melhor (às vezes, o seu pior) pra conseguirem uma vitória. Vitória que é, via de regra, fugaz. E acompanhada de um custo que nem sempre vale a pena. Afinal, estamos falando de noir: essa é a essência do gênero.

update

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3 comments

  1. Desculpe,eu mim expressei mau.Na realidade,deveria ter um filme nacional baseado em Criminal.Como também deveria ter um filme nacional baseado em 100 Balas.

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