Dica Duca – Preacher

…te amo até o fim do mundo…

Há 15 anos, o espinafrando começou a ler a saga do pastor Jesse Custer (com a minissérie especial do Santo dos Assassinos, publicada pela Abril em 1996 –e que, infelizmente, foram as únicas edições que perdemos durante uma mudança de apartamento).

O Pregador, Jesse Custer
O Pregador, Jesse Custer

Comprávamos as revistas avulsas. Como não tinha periodicidade, sempre que saía uma nova era como um evento, um milagre. Compramos todas. A última em Janeiro de 2004. Faltavam 6 para concluir a história.

As últimas edições avulsas de Preacher publicadas...
As últimas edições avulsas de Preacher publicadas...

[Fim do flashback. Corta para 3 de setembro de 2011]

15 anos desde que começamos. 7 anos e 8 meses desde que lemos a última edição lançada em território nacional. 9 editoras.

Depois de todo esse tempo sem perder a fé e sem cair na tentação de comprar o encadernado americano (mais do que saber o final da história, a essa altura já tinha virado uma questão de honra terminar com uma edição nacional), nesse exato momento (16:31 – 03/09/2011) o último milagre foi operado: o espinafrando tem em mãos o encadernado da Panini (glória, aleluia) com as páginas finais de PREACHER.

Enfim, Álamo!
Enfim, Álamo!

E neste exato momento, vamos começar a ler o último arco, Álamo. Daqui a pouco, voltamos para explicar porque Preacher é único e porque valeu a espera. Não se preocupem, vocês nem vão perceber o tempo passar. É só continuar a leitura no parágrafo seguinte.

porque é bom

Lembramos até hoje a sensação de “p*ta que o pariu” (o popular WTF, em inglês) quando terminamos de ler o primeiro arco de histórias, “Viagem pro Texas” (que a Panini vai relançar como “A Caminho do Texas”).

Preacher - Viagem pro Texas
O início.

Um misto de assombro, estupefação, interrogação, medo, estranheza e alegria. Foi o primeiro quadrinho da Vertigo, o selo adulto da DC, que lemos. Foi mais ou menos o mesmo que sair do mundo colorido do jardim de infância, povoado pelos super-heróis da Marvel, e entrar no mundo barra-pesada do 11 de setembro. Sendo que o 11 de setembro ainda nem existia.

A história começava e terminava num restaurante de beira de estrada em Houston. O reverendo Jesse Custer, sua ex-namorada Tulipa O’Hare e o irlandês Cassidy calmamente repassavam os acontecimentos que reuniram o trio, para decidir o que fariam dali pra frente.

E então, somos apresentados a uma avalanche de bizarrices que estabelece o caminho a trilhar.

Preacher - Cidade Nua, Até o Fim do Mundo e Caçadores
Preacher - Cidade Nua, Até o Fim do Mundo e Caçadores

Acontece que o pregador de uma cidadezinha esquecida no meio do nada passou por um daqueles momentos que mudam a vida de qualquer um: ganhou o poder da palavra de Deus, sem pedir e sem querer, e no processo toda sua congregação morreu em chamas.

Basicamente, quando ele fala, você obedece. Incondicionalmente e literalmente. Imagine o perigo de mandar alguém tomar naquele lugar e você tem a dimensão da coisa toda.

A partir daí, é ladeira abaixo. Envolvendo uma assassina de aluguel, um vampiro, a polícia e o FBI, o Santo dos Assassinos (até eles têm um santo, veja só), o Nirvana (a banda, não o paraíso budista), um jovem cujo apelido faz todo o sentido do mundo e é impublicável, anjos e demônios, genocídio, John Wayne, o paraíso (aquele mesmo, o católico). E Deus.

Preacher - Guerra Santa e um interlúdio
Preacher - Guerra Santa e um interlúdio

No desfecho, após descobrirmos a gênese do poder do pastor, Jesse decide que sua missão é encontrar Deus pessoalmente (não figurativamente ou filosoficamente) e fazê-Lo responder por Suas ações.

Profano, iconoclasta e blasfêmia são pouco para descrever. E isso era só o começo.

Preacher - Rumo ao Sul e Guerra no Sol
Preacher - Rumo ao Sul e Guerra no Sol

Ao longo de 66 edições regulares e 6 histórias especiais (um número cabalístico planejado), o escritor norte-irlandês Garth Ennis constrói uma trama intrincada, ao mesmo tempo fantástica e hiper-realista, com o auxílio da arte impactante e cinematográfica do britânico Steve Dillon e das capas icônicas do também inglês Glenn Fabry. Uma trama de derreter miolos. Uma trama tão espetacular e tão bem construída, que temos que nos segurar para não contar tudo aqui mesmo e implorar para que vocês comecem a ler já.

Jesse e Cassidy em momento desabafo
Jesse e Cassidy em momento desabafo

E o final valeu a espera.

porque é duca

PREACHER é uma das melhores sagas que já vimos, em qualquer mídia.

É emoção em estado bruto. É visceral.

É para maiores de 18 anos sem preconceitos e com estômago. Definitivamente.

É uma obra formadora de caráter.

Preacher - Um longo epílogo e Salvation
Preacher - Um longo epílogo e Salvation

Tem uma tonelada de referências pop de muito bom gosto. Desde Elvis e The Clash até coisas mais sofisticadas como William Burroughs, passando por Charles Chaplin e o Gordo e o Magro.

Tem filosofia e teologia e aulas de História. Somados à violência gráfica extrema, dramas de infinita tristeza, comédia de rir até perder o fôlego, suspense de roer as unhas, criações mirabolantes de uma mente doentia e brilhante e, em meio a tudo isso, a história de amor mais verdadeira que a ficção pode contar. Ah, e sexo! Como pudemos nos esquecer disso?

Preacher - Um reencontro a muito esperado, às portas do inferno
Preacher - Um reencontro a muito esperado, às portas do inferno

Preacher fez parte de boa parte da vida do espinafrando, o que a torna particularmente ainda mais especial. Além de um ensinamento definitivo que já citamos aqui e que é uma espécie de guia para nossas atitudes, o reverendo Jesse Custer também participou do segundo melhor presente que o espinafrando já ganhou de sua esposa, ainda na época em que namorávamos.

E aproveito esse momento pra pedir licença aos leitores e fazer uma declaração na primeira pessoa do singular: depois de 9 anos juntos e um filho, ainda te amo além do fim do mundo. Você sabe quem é.

4 comments

  1. Melhor HQ EVAH!! Quero ver se um dia vão ter coragem de fazer uma versão live-action (talvez seriado da HBO?). Seria duca!!!

    • É uma das poucas coisas que considero que não precisa ser adaptada para outras mídias. É perfeito como está. Já se falou sobre série na HBO, mas atualmente parece que não vai rolar. Sam Mendes (Beleza Americana) já esteve envolvido na adaptação para o cinema, mas já saltou fora do barco. A última notícia é que DJ Caruso (Paranóia, com Shia LaBeouf) assumiu uma trilogia. Que Deus nos ajude! (ou não)

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