Dica Duca – A Trilha

…corrigindo os rumos trilhados…

Taí o tipo de filme que inspirou a criação do espinafrando.com: a princípio, nossa linha editorial deveria se ater a desencavar pérolas da Cultura Pop que não são de conhecimento geral, que valem a pena ser descobertas e que não necessariamente são obras de arte, embora carreguem dois verbos essenciais para algo ser categorizado como pop: divertir e empolgar.

A Trilha é assim. Não é o tipo de filme que todos esperam com ansiedade a estreia, buscando cada pedaço de informação disponível. Nem mesmo é do tipo que alguém escolhe especificamente para investir tempo e dinheiro para assistir: o primeiro contato do espinafrando com A Trilha, por exemplo, foi num trailer de algum DVD alugado há muito tempo atrás e só assistimos no último fim de semana porque não havia nenhuma outra opção minimamente interessante no horário.

O elenco formado exclusivamente por coadjuvantes de outros filmes e o desconhecido diretor e roteirista David Twohy também ajudam a deixar a expectativa próxima do zero – desconhecido de nome, já que basta uma visita ao IMDb para descobrir que ele é diretor e/ou roteirista de alguns filmes bem conhecidos: os dois filmes do Riddick (d/r), O Fugitivo (r), Waterworld (r) e G.I. Jane (r), aquele filme com a Demi Moore fuzileira (donde se conclui que “conhecido” não quer dizer necessariamente “bom”).

E apesar de tudo isso, A Trilha se provou mais do que um bom passatempo, merecendo figurar nas dicas ducas do espinafrando. Repetindo, não espere um filme do Orson Welles, mas algo que diverte e empolga!

porque é bom

Porque a história do casal em lua de mel no Havaí, bem quando há um casal de assassinos seriais rondando as ilhas, te leva a um passeio deliberado pela curiosidade, apreensão, dúvida, alívio e adrenalina, não necessariamente nesta ordem. E um filme (ou livro, ou série, ou HQ, ou novela…) do tipo “whodunit” sempre agrada quando bem feito.

Steve Zahn e Milla Jovovich

Porque a falta de astros no elenco é uma oportunidade para explorar os dotes de atores bons e por vezes subestimados: Steve Zhan (extremamente versátil), Milla Jovovich (quem não gosta?) e Timothy Olyphant (um de nossos malucos preferidos, desde que vimos Go – Vamos Nessa! pela primeira vez. Aliás, alguém sabe se existe um blu-ray desse filme?). E tem uma boa sacada na direção e roteiro, que aproveitam para zoar nossas noções preconcebidas dos tipos de personagens que esse trio costuma interpretar quando não estão sob os holofotes, ou seja, quase sempre.

Porque traz belíssimas imagens do Havaí. O que não é pouco.

E porque traz dois Easter Eggs para os fãs de cultura pop, embora um seja involuntário.

O primeiro é Kiele Sanchez, que já esteve no Havaí quando interpretou a famigerada Nikki – a parceira de Rodrigo Santoro em Lost, que não agradou e terminou comendo formiga embaixo da terra. N’A Trilha, ela é Gina, namorada do personagem do señor Olyphant, um ex-operativo secreto jedi que por acaso se chama Nick (pegou? Nikki / Nick? Grande coisa!). E Nick tem os diálogos mais engraçados de todos, em especial o momento em que conta do tesouro secreto de Saddam Hussein (fãs de quadrinhos da Marvel vão delirar).

Timothy Olyphant e Kiele Sanchez

O segundo é o ator que interpreta o personagem chamado Kale, um misto de hippie e psicopata, daqueles bem clichezões, mas que mesmo assim impõem respeito (ou metem medo, se preferirem). Você olha pra cara dele, te parece familiar, mas você não lembra quem ele é exatamente. Até ver o nome Chris Hemsworth nos créditos e a ficha cair: É O THOR, por Odin! E também o pai do capitão Kirk, no Star Trek de J.J. Abrams, pra quem não se lembra.

Chris Hemsworth, o Thor (e também o pai do Kirk)

porque é duca

Bem, tudo isso aí é bom. Mas o filme é duca mesmo porque se dá ao luxo de construir a cama de gato durante os três primeiros quartos sem pressa nenhuma e com todo o cuidado, de forma que quando as reviravoltas começam a acontecer, você se deita com gosto. E as surpresas são boas, acredite. A ponto de A Trilha virar um filme completamente diferente em sua última parte, justificando o título original: A Perfect Getaway, algo como a fuga perfeita.

Definitivamente, é um filme de personagens e atores. E ambos entregam o que é preciso pra você não sentir que perdeu 2 horas de sua vida (isto é, se você gosta de thrillers e das coisas que já falamos aí em cima). É difícil explicar, mas numa indústria que atualmente vive de remakes, reboots, sequências e adaptações, este filminho despretensioso tem um cheiro tão bom de novidade, um frescor, que dá gosto de ver e surpreende.

Ah, já estávamos esquecendo: A Trilha também é duca porque traz dois dos efeitos mais realistas, mais legais e mais aflitivos envolvendo facas e o corpo humano que já vimos! Mas isso é só no último quarto, então, não se apresse e aproveite!😉

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