espinafrando a estreia: Contágio

Contágio

Assistimos Contágio antes de (quase) todo mundo e essas são nossas impressões do filme que estreia na próxima sexta, 28 de outubro, num cinema perto de você.

Ao contrário do que o nome desse blog possa dar a entender, adoramos escrever opiniões positivas. Além de espalhar boas coisas pros nossos leitores, temos o bônus de saber que, pelo menos, nosso tempo escasso foi gasto com algo que valeu à pena. E este é um filme que vale à pena.

Pense no melhor filme de zumbi que você já viu. Agora tire os zumbis da equação e você terá uma boa ideia do que é Contágio, o último filme de Steven Soderbergh. Ao invés dos mortos-vivos, a praga que ameaça dizimar boa parte da raça humana e instaurar um clima de paranoia, individualismo (leia-se “egoísmo”), anarquia da sociedade e autoritarismo do governo é um simples vírus. Bem parecido com a gripe suína, a H1N1, mas mais letal. Principalmente porque não há cura ou protocolo de tratamento no primeiro mês e porque a epidemia é altamente contagiosa. Mas isso você já deve ter sacado pelo título.😉

Contágio

Soderbergh é um cineasta que sabe transitar entre o pop e o cult. Para cada Onze Homens e Um Segredo que faz, nos brinda com um Sexo, Mentiras e Videotape ou um Traffic, com uma ou outra esquisitice indie pelo caminho. Quando acerta, faz cinemão. Quando erra, mantém a aura de cool. Contágio fica na primeira categoria.

Pra usar uma palavra da moda, o filme é tenso. Desperta o hipocondríaco e o germófobo que vivem dentro de você. Seja com os closes descarados em cada maçaneta, corrimão, talher e copo que pintam no seu cotidiano e cujo toque equivale à mordida de um zumbi, seja com as informações com cara de oficiais (provavelmente porque são) recitadas pelos profissionais de saúde que tentam entender e debelar a doença. Por exemplo: você sabia que toca em seu rosto cerca de 3.000 vezes POR DIA? Agora pense em quantas outras coisas você toca que podem estar contaminadas com todo tipo de germe, vírus e bactéria. Aposto que te deu vontade de lavar as mãos.

Felizmente, o filme vai muito além da tensão. Na verdade, te leva a uma viagem por todo o espectro emocional: dor, alívio, alegria, tristeza, desapontamento, satisfação, medo. E te faz pensar no quanto estamos preparados para enfrentar uma pandemia brutal. A resposta é “nem um pouco, como sociedade” e “minimamente, se os profissionais de saúde e governantes que temos forem tão competentes quanto os do filme”.

Outra coisa que Steven S. sabe fazer, e bem, é trabalhar com um grande elenco numa miríade de histórias paralelas. E isso é ótimo, porque seria uma pena desperdiçar o talento de qualquer um desses grandes atores: Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet, Marion Cotillard, Lawrence Fishburn, Jude Law, Bryan Cranston, Jennifer Ehle e Elliot Gould. Cada um representa uma linha narrativa, que converge em algum ponto com as outras sem nunca seguir o mesmo caminho. E cada um representa um ponto de vista na batalha contra o vírus, ancorando o cinespectador: um pai de família, uma jovem médica, uma infectologista, uma executiva, um militar, um blogueiro, um vice-diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano, uma profissional da Organização Mundial de Saúde, um pesquisador. Nenhum publicitário, felizmente.

Contágio

Decisões morais e imorais a rodo, trabalho de detetive ao estilo CSI, dramas pessoais, comida chinesa, uma trilha sonora eletrônica-retrô hermética que remete ao Vangelis de Blade Runner e que serve para acrescentar mais angústia ao caldo, Damon com uma atuação soberba (é fácil esquecer como ele é bom ator com aquela carrinha de boneco Ken) e uma autópsia digna de figurar entre as cenas mais aflitivas dos últimos tempos —comentário fora de hora: vocês também acham que cenas de cirurgia realistas causam mais repulsa que qualquer gore dos filmes de terror?— completam a miscelânea. E isso é tudo (?) que vamos contar sobre a história. Não queremos entregar nada pra você que vai ver o filme, afinal trata-se de um suspense. Daqueles carregados de paranoia.

Enfim, caso ainda não tenha ficado claro, é uma sessão de cinema que vale cada centavo e que o espinafrando recomenda.

4 comments

  1. É melhor ainda ler uma crítica depois de ter visto o filme e perceber o quão precisa e brilhante foi a análise. Recomendo Contágio e Espinafrando a todos.

    • Honrado pelos elogios! Essa semana sai nossa opinião sobre A Pele Que Habito, novo do Almodóvar. Stay tuned!

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