Top 3 – Highlander

There can be only one!

Não há ninguém em sã consciência que não concorde que o lema dos guerreiros imortais, “só pode haver um”, deveria ser aplicado ao pé da letra para o filme Highlander. A história autocontida e bem desenvolvida do filme original nunca deveria ter virado uma franquia. Ainda mais, se considerarmos que as sequências de Highlander são exemplos vívidos do que há de pior no mundo do entretenimento e da cultura pop (incluindo na lista aquele seriado para TV furreca com o primo MacLeod e o inusitado desenho animado). Isso posto, como é possível fazer um Top 3 sobre o escocês-cortador-de-cabeças? Fácil: é um Top 3 dedicado exclusivamente ao filme original. Don’t lose your head!😉

Highlanders

 

3.Highlander Medieval Box-Set

Bonequinhos de filmes. Quem curte? (nós curtimos!)

Highlander Medieval Box Set NECA

 

Este conjunto da NECA é bárbaro. Conner MacLeod versus The Kurgan. Precisa mais?

Highlander Medieval Box Set NECA - Kurgan X MacLeod

 

Quem gostou, pode arriscar a compra na Limited Edition. Mas atenção: não está disponível no site, só na loja física. Não sabe onde fica? Veja nosso jabá com espinafre, tem o endereço no final.

 

2.Queen – A Kind of Magic

Na discografia do Queen, você encontra dois álbuns com trilhas sonoras. O primeiro é o kitsch Flash Gordon. O segundo é este A Kind of Magic, um dos melhores discos da banda e também a trilha de Highlander. Ouvimos a versão remasterizada recém-lançada em CD (ainda gostamos de CDs, by the way. Podem atirar as pedras) e a boa notícia é que as músicas não envelheceram –exceto a chatérrima Pain Is So Close to Pleasure, que carrega nos piores estereótipos dos anos 80 e é provável que ainda faça carreira em elevadores e salas de espera de dentistas mundo afora.

Highlander - A Kind of Magic

O disco abre com o hard rock One Vision, um dos riffs de guitarra mais marcantes na história da música pop. Apesar de já ter sido chamada de fascista pelo André Forastieri, a letra tem tudo a ver com a mitologia de Highlander, em que o imortal que sobrar ganha onisciência para ajudar os líderes mundiais a moldar o planeta à sua visão. Contexto é tudo.

 

A segunda traz o baixo marcante de John Deacon na canção que dá título ao disco e que também é uma das falas mais marcantes do filme, quando MacLeod salva a pequena e incrédula Rachel durante a Segunda Guerra: It’s a kind of magic.

 

Na sequência, a triste balada One Year of Love, a “pain in the ass” que já comentamos e Friends Will Be Friends, clássico do Queen, encerrando o lado A do vinil original.

Queen

O lado B abre com uma das mais belas e tristes baladas, Who Wants to Live Forever (que embalou muitos casais apaixonados em bailinhos nos 80). Fecham o disco Gimme the Prize (tema do Kurgan, com a guitarra lancinante de Brian May pontuando a escalada de terror), Don’t Loose Your Head e Princes of the Universe (repetindo o fraseado de guitarra de Gimme the Prize e marcada pela bateria de Roger Taylor repaginando We Will Rock You. Trivia: Princes of the Universe encerrava os episódios do seriado Highlander, a única parte boa da produção para TV).

 

Essa edição remasterizada tem um EP bônus com versões diferentes de algumas músicas, a versão ao vivo de One Vision tocada nos históricos shows de Wembley (em breve, você encontra a resenha do DVD especial de aniversário nesse mesmo site) e uma pérola de arquivo: a demo A Kind of Vision, que acabou se dividindo e virou as 2 primeiras músicas do LP (ainda bem, porque o amálgama é horrível. Vale como curiosidade histórica).

Queen - A Kind of Magic

O ótimo álbum de rock só fica devendo como trilha sonora por não trazer os belos temas orquestrados de Michael Kamen (X-Men, Máquina Mortífera, Duro de Matar) para a fase escocesa do filme.

 

1.Highlander – O Guerreiro Imortal

E, numa reviravolta tremenda, o filme clássico de 1986 leva a primeira posição desse Top 3. Quem diria? 

Highlander

Conferimos o Blu-ray Disc para escrever esse artigo. E o que mais impressionou foi que a obra realmente se sustenta ainda hoje, sem o ranço que acompanha muitos filmes da década de 80. O combo romantismo + cabeças decepadas + ônus da imortalidade + humor negro ainda tem charme, meus senhores (e senhoras!). Não que tenha passado incólume (de imortal, só tem os personagens): alguns efeitos de animação desenhados direto na película podem causar algum estranhamento para as plateias acostumadas ao CGI. Mesmo assim, ainda é cheio de tomadas inovadoras –particularmente, as transições entre flashbacks e o tempo presente, coisa fina. 

Highlander tinha tudo pra dar errado (e deu, de certa maneira: o sucesso e o status de cult só veio quando foi lançado em VHS):

  • Um diretor inexperiente, famoso por videoclipes do Duran Duran. E cujos “pontos altos” depois d’O Guerreiro Imortal seriam os duvidosos Resident Evil: Extinction, 2 das terríveis sequências de Highlander e a série de TV Teen Wolf. 
  • O roteiro original, escrito por um bombeiro como um trabalho da faculdade e que carregava nas tintas dramáticas, foi reescrito por um roteirista mais experiente, que adicionou humor e simplificou o antagonista, transformando-o num vilão unidimensional.
  • Um francês que não sabia falar inglês (Christopher Lambert) foi escalado para viver o protagonista escocês. Em contrapartida, um escocês (Sean Connery) foi escalado para viver um espanhol que na verdade era egípcio. E um americano (Clancy Brown) foi escalado para viver um russo que todo mundo acha que é escocês. E isso tudo bem antes da globalização. Pra que facilitar, não é mesmo?
Ramirez e MacLeod

Mas o fato é que o filme de fantasia, um conto moderno de cavalaria, um Super Mario dark (afinal, MacLeod não tem que salvar a princesa na última fase?), funciona a ponto de criar uma base fiel de fãs, espinafrando incluso. Christopher Lambert tem o ar misterioso e a atitude meio arrogante/relutante que todo herói que se preza deve ter. Sean Connery está perfeito como o velho mentor da jornada do herói (quer alguém melhor que James Bond pra ser seu mentor?). E Clancy Brown, talvez o nome artístico mais inapropriado já escolhido… ah, Clancy, você deu azar de ter um tipo físico e uma voz tão marcantes que encobrem seu talento como ator (mais ou menos o que acontece com Peter Dinklage, o anão Tyrion de Game of Thrones). Em Highlander, vive um dos grandes vilões do cinema. Mas depois disso, só conseguiu alguns papéis como coadjuvante (o mais digno de nota: o Capitão Hadley em Um Sonho de Liberdade; o mais curioso: Kelvin Inman, o cara que ensinou Desmond a apertar o botão na Estação Cisne em Lost). Se o cinema não quis aproveitar o seu talento, azar, já que Clancy fez inúmeros trabalhos de dublagem para videogames e desenhos animados (o mais notável: ele é a voz de Lex Luthor nos desenhos modernos do Superman e da Liga da Justiça). Ah, e Clancy também faz a voz do Parallax no filme do Lanterna Verde, o monstro a la Rock Dennis. Bem, já alongamos demais essa digressão. Vamos voltar ao filme e falar do Blu-ray.

Clancy "The Kurgan" Brown

O Blu-ray de Highlander não é nenhuma maravilha, mas cumpre seu papel (principalmente se você que decidir comprá-lo aproveitar uma dessas promoções pague 2 leve 3 que pipocam pela internet). Não são todas as cenas que estão com aquela qualidade cristalina da alta definição –imaginamos que seja pela falta de tecnologia de filmagem da época, mas como não manjamos da parte técnica, é uma suposição que pode estar tão errada quanto qualquer outra que já fizemos. Quem realmente necessita das legendas em português-BR pra entender os diálogos, já avisamos que vais penar: é um dos piores trabalhos de legendagem que já vimos, coisa nível canal Sony quando decide dar pane.
 

Os extras? Há um making off em 3 partes realizado por uma produtora  alemã (?!?) que consiste em:

  • Entrevista com os roteiristas, em que vemos o cara que teve a ideia original guardar rancor dos caras que decidiram mexer no roteiro. Até hoje; 
  • Entrevista com o designer de produção e com o diretor de fotografia. Essa vale muito! Os detalhes que eles contam, as soluções inusitadas para os problemas de produção e para os caprichos do diretor e as referências que usaram são uma verdadeira aula de cinema. Entre as histórias saborosas, destacamos o uso de um truque de câmera que foi inventado pelo Orson Welles em Cidadão Kane e uma ótima sobre os figurantes locais contratados para a grande cena da batalha na Escócia: os caras ficaram tão bêbados para espantar o frio (ahãn…) que na hora de filmar começaram a lutar de verdade entre si, dando um trabalhão para a enfermaria.
  • Entrevista com Roxane Hart, que vive a CSI/interesse romântico do presente. Acrescenta pouco.

Completam o pacote: uma boa entrevista com Chistopher Lambert, trilha de comentários com o diretor australiano Russell Mulcahy (pareceu interessante, mas não vimos até o fim), um trailer que conta o filme inteiro (inclusive o final) e cenas “deletadas”. Entre aspas, porque na verdade são cenas extendidas que não entraram no corte final, mas que os gênios perderam o áudio: então, você ganha um pouco de cinema mudo com uma trilha de música clássica acrescentada só pra não ficar em silêncio total. Deveras frustrante.

Christopher Lambert

E apesar de todos esses defeitos e pormenores, podemos garantir que assistir ou rever esse filme original é certeza de diversão. É um tipo de mágica!😉

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s