Mudinhas de Espinafre Especial – Parte 3

O Mudinhas de Espinafre trata de assuntos pop (quem diria?) que marcaram o dia-a-dia do @espinafrando no formato de pílulas. Ou seja, textos curtos e sem profundidade não tão curtos e nem tão rasos dessa vez. A ideia é falar um pouco sobre o consumo de conteúdo pop no mundo digital. Como dá pano pra fazer mais de um casaco, o assunto foi dividido em 3 posts.

Quem já leu o último Comunicado, sabe que perdi os textos originais da 2ª e 3ª parte e por isso o atraso na publicação de ambos. Paciência. Enfim, na 1ª parte falamos um pouco sobre a Apple TV e como consideramos que dispositivos de streaming são o futuro da televisão. A 2ª parte foi sobre o que a iTunes Store tem a nos oferecer (um misto de decepção e potencial) e também sobre pirataria (onde assumo que sou “otário”). A 3ª parte será sobre o tal de Netflix, o serviço de vídeo on demand via streaming. E como os meus 3 leitores puderam perceber, reescrever este post não foi fácil. Mas vamos lá! Ou aqui! Bem, vocês entenderam. Ou não.

conteúdo digital

Netflix

Muito popular nos EUA, o Netflixchegou ao Brasil no final de 2011. A ideia é: tenha uma conexão de internet, pague a mensalidade e assista o que você quiser, quantas vezes quiser, onde quiser e quando quiser. É um monte de “quiser”. E tem alguns “mas” e “poréns” também.

Netflix

Assim que o serviço estreou por aqui, o que mais se viu (e ainda se vê) no mundo dos comentários de sites e blogs e twitteres e facebooks é o pessoal:

  • A) Fazendo pouco caso do Netflix em relação à torrents, Megauploads (ops!) e afins — “pra que pagar por algo que consigo de graça?”
  • B) Reclamando das poucas opções de conteúdo atual — “só tem sessão da tarde!”
  • C) Reclamando da qualidade em geral: resolução, (falta de) legendas, dublagem…

Esse cenário praticamente unânime e ensurdecedor (como toda boa turba é) me fez descartar logo de cara qualquer possibilidade de encarar o Netflix como uma opção viável de entretenimento.

Até que num desses maravilhos dias chuvosos e frios do verão paulistano, adquiri uma Apple TV. E me decepcionei com os filmes da iTunes Store (update: a situação tem melhorado aos poucos nas últimas semanas, com uma nova leva de lançamentos para locação – o destaque é o Capitão América – embora ainda tenha coisas inexplicáveis como Lanterna Verde só em versão dublada e um batalhão de filmes disponíveis apenas para compra). Na ânsia de justificar o investimento, decidi experimentar o tal do Netflix. Afinal, o primeiro mês é gratuito. Se for realmente uma droga, cancelo antes de ter que desembolsar os R$15,00 mensais a partir do 2º mês.

O resultado? Ignorei o alarme da agenda no 30º dia, em breve começo o 3º mês como assinante, encontrei o uso perfeito pro gadget e cheguei à conclusão que dispositivos de streaming para TV são a grande sacada para o futuro imediato do entretenimento em casa. Bastante positivo para algo potencialmente tão porcaria, hein?

É chegada a hora, portanto, de vestir mais uma vez a carapuça iconoclasta e desmistificar esse tal de Netflix.

Começando pelo catálogo: não, não é só sessão da tarde. Tem muito filme antigo? Sem dúvida, como em qualquer locadora. O que significa encontrar desde pérolas como O Clube dos Cafajestes com o John Belushi até clássicos inquestionáveis como O Poderoso Chefão, Dr. Fantástico, Bonequinha de Luxo e os faroestes de Sérgio Leone. Óbvio que também é fácil dar de cara com os filmes que fizeram a glória da sessão da tarde nas décadas de 80/90 (muita coisa de John Hughes). Assim como muita coisa do Tarantino (incluindo Bastardos Inglórios), fimes indies dos quais você nunca ouviu falar, filmes fora de catálogo (foi assim que finalmente consegui assistir o famoso Clerks – O Balconista, o 1º filme do Kevin Smith, que só fora lançado em VHS aqui no Brasil. Aliás, é muito bom!), coisas dos anos 70 a 00, besteirol e dramas oscarizados, documentários, animações da Pixar, Disney e DreamWorks. E, apesar de não ter lançamentos (leia-se: filmes de 2011), dá pra encontrar até obras recentes como Restrepo, que concorreu ao Oscar de melhor documentário no ano passado.

O que quero dizer com isso é que, apesar da falta de obras recentes, o catálogo com mais de 1.000 filmes (e contando…) é extenso o suficiente para você investir horas e horas assistindo aqueles clássicos que você nunca teve oportunidade de ver (mas sempre teve vontade), filmes dos últimos anos que você perdeu no cinema e na TV a cabo e não quis alugar, e também rever aqueles favoritos que faz tempo que você viu pela última vez (Pulp Fiction? Tron? Alguém?).

E isso apenas na seara dos filmes. Apenas, porque o catálogo ainda traz uma categoria especial que por si só vale fácil os quinze reais: programas de TV. O negócio aqui é sério, ou melhor, séries. Temporadas inteiras de delícias como Dexter, Lost, Mad Men, Weeds, Breaking Bad, Twin Peaks (!), Community, The Office, Jornada nas Estrelas (a velha e a nova gerações), Esquadrão Classe A (o original com Mr. T no papel de B.A.). E as britânicas da BBC difíceis de encontrar por aqui: Dr. Who, Coupling (espécie de Friends da terra da Rainha, só que com mais sexo), Robin Hood, Top Gear.

Netflix na Apple TV

E se você tiver filhos pequenos, faça a festa com as coisas boas: Vila Sésamo, George o Curioso, Pingu, Duck Tales

Conteúdo é o que não falta.

E a interface? Tão agradável quanto a iTunes Store. É possível visualizar as obras por gênero, as assistidas recentemente (muito útil para encontrar novos episódios/temporadas das séries que está acompanhando ou mesmo para continuar um filme do ponto onde parou anteriormente), as sugestões do próprio Netflix baseadas no que você já assistiu (e na classificação que você deu, de uma a cinco estrelas), os mais populares, os outros filmes disponíveis com quem participou de uma obra que tenha gostado. E, claro, um sistema de busca convencional para digitar o que está procurando. Além disso, você pode começar a assistir num iPad, continuar do ponto onde parou no computador e terminar na sua TV com acesso à internet, por exemplo.

E a qualidade da imagem? A maioria esmagadora é excelente, desde que você tenha uma conexão de internet rápida. Os meus testes têm sido com 10 mbps, mas há relatos de que 2 mbps já são suficientes para assistir sem engasgos. E tem um truque essencial, acessível apenas pela versão web do site da Netflix: é possível configurar sua conta para exibir conteúdo apenas com a resolução de imagem máxima. Do contrário, a resolução pode variar durante o filme, se adequando à velocidade da sua conexão — que nunca é constante — para que o streaming não tenha que parar para fazer buffer: quanto mais lenta, pior fica a imagem. Em linguagem simplificada: os arquivos são transmitidos via internet em “tempo real”, mas o dispositivo em que você estiver assistindo sempre tenta carregar um pouco além do que o momento que está passando agora, uma espécie de rede de segurança. Assim, sua conexão pode até engasgar um pouco sem que o filme pare (é por isso que existe aquele tempo “carregando” antes da exibição começar).

Ué, quer dizer que o Netflix é totalmente excelente? Quase. Lembram dos “mas” e “poréns” lá do começo? É aqui que eles entram. O serviço estaria muito próximo da perfeição SE TODOS OS FILMES E PROGRAMAS TIVESSEM ÁUDIO ORIGINAL COM OPÇÃO DE LEGENDAS OU DUBLAGEM. Não é bem o caso. E não há um padrão. Antes de fazer uma pesquisa mais apurada e de entrar em contato com a Netflix, ia falar sobre filmes e programas sem legendas, ou com áudio apenas dublado em português, ou com áudio apenas dublado em espanhol (4º episódio da 1ª temporada de Breaking Bad) ou com áudio em inglês e legendas em português e espanhol simultaneamente (Cabana do Inferno, do Eli Roth). Mas descobri que grande parte dos problemas com áudio e legenda DEPENDEM DO DISPOSITIVO onde você assiste. No computador, por exemplo, foi possível escolher o idioma do áudio e da legenda em todos os casos em que tive problemas. Já a Apple TV não permite escolher o idioma do áudio, devido a uma questão de compatibilidade entre o aplicativo da Netflix e o sistema da Apple — eles já estão em contato, buscando uma solução conjunta, mas não há previsão. -1 pra caixinha da maçã, portanto. Se algum leitor tiver o mesmo problema em outros dispositivos (Android, XBOX, PS3…), fique à vontade para dividir sua experiência nos comentários. E o caso das legendas simultâneas do Cabana do Inferno já foi resolvido, após algumas reclamações de usuários com o mesmo problema no site. Parece que o Netflix está se esforçando pra acertar, e no momento não tem um concorrente à altura.

[update: o sempre excelente @mtavano complementa o post com a informação sobre o Xbox — via Twitter]


[MEGA-ULTRA-ÜBER-UPDATE!!!]

A partir de agora, é possível selecionar o ÁUDIO (quando disponível) na Apple TV. Basta atualizar o sistema para o iOS 5.1. +1 pra maçã! E finalmente posso voltar a assistir Breaking Bad (o 4º episódio da 1ª temporada estava travado em espanhol —”operacion quebra-gelo“. Fotos da nova interface em breve…

[fim do mega-ultra-über-update]

Pra fechar o nosso artigo especial em 3 partes, falta só uma rápida análise sobre a mudanca de hábitos que esse tipo de serviço traz para o consumidor voraz de cultura pop. Vem comigo!

o futuro, agora!

Revolução. Não há palavra melhor para descrever o que esse serviço de assinatura de conteúdo por um preço acessível pode significar na sua vida. Porque quebra, amassa e pulveriza o paradigma da grade de programação das emissoras de TV. É a carta de alforria para a escravidão do zapping no controle remoto. Chega de horário nobre. Chega de passear pelos cento e tantos canais da TV a cabo e não encontrar nada de bom para assistir (ou de até encontrar, mas apanhar o programa pela metade). É como morar numa locadora, só que no conforto de sua casa. Você começa a assistir ao que tem vontade, ao invés do que está passando. E isso faz toda a diferença.

 

Ainda não é o substituto definitivo pra TV a cabo. Afinal, televisão não é feita só de filmes e seriados. E a janela de 1 ano para lançamentos poderia ser bem menor. Mas o fato é que, desde que instalei a Apple TV e assinei o Netflix, não passa um dia sem que eu veja o que está passando na programação “normal”, desista das reprises infindáveis ou da simples falta de algo que esteja começando naquele minuto e que me agrade, e pule pra terra mágica onde decido se vejo mais um episódio de Mad Men ou Twin Peaksou continue o filme que comecei ontem à noite. Sem intervalos comerciais. Mas com aquelas pausas estratégicas quando necessárias, sabendo que posso voltar com um clique.

 

 

 

2 comments

  1. Perfeito!! Mesmo eu sendo um downloader assumido, resolvi testar também o 1º mês e já estou chegando ao 2º e nao penso em cancelar, a criançada esta adorando e eu e a patroa também! PARABÉNS PELO POST!

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