Dica Duca – Love Hurts

…o amor dói…

Amigos e/ou leitores, sei que o http://espinafrando.com tem andado meio abandonado, culpa do ritmo frenético da vida adulta e do Alan Moore, mas isso é uma história pra outra ocasião. Então, é com grande satisfação que anuncio uma nova #dicaduca por estas bandas: Love Hurts, vol. 3 – Pequenas Histórias.

Não, não estou falando da melosa balada gravada pela primeira vez pelos Everly Brothers em 1960 e que fez muito sucesso nas versões da Cher, do Roy Orbinson e do Nazareth (essa última, de gosto mais do que duvidoso, embalou muito bailinho do meio da década de 70 até os anos 80 e ainda faz sucesso nas rádios FM de consultório de dentista).

O tema deste post é possivelmente a primeira incursão do @espinafrando no mundo dos quadrinhos brasileiros independentes, se não me falha a memória: o fanzine-livro —como define o autor Murilo Martins, ou @mu_tron, no Twitter— que venceu o 28º prêmio Ângelo Agostini de Melhor Lançamento Independente no último sábado.

O primeiro contato com Love Hurts foi através de duas jornalistas bacanérrimas que conheci no microblog: a @veramagalhaes e a @MaluOliveira.

(aliás, dá pra usar o verbo conhecer quando nunca se encontrou pessoalmente com as conhecidas? Dilemas do mundo digital…)

Love Hurts

Na sequência, vi que a HQ fez bastante sucesso na Rio Comicon e no FIQ, o Festival Internacional de Quadrinhos de BH, o que só fez com que a curiosidade aumentasse. Aí veio o aval do Omelete, neste artigo. Por fim, a coroação com o troféu do Ângelo Agostini, um dos prêmios nacionais importantes na área, e a decisão irreversível de que valia dar uma olhada. Nesse meio tempo, entrei em contato com o Murilo e descobri que a 1ª edição estava esgotada, mas com uma segunda que já estava na gráfica (quem quiser comprar, aliás, pode entrar em contato direto por aqui). Resolvi arriscar uma passada na premiação et voilà, trombei com o autor e consegui comprar meu exemplar autografado. E ainda levei de brinde uma mini-hq autoirônica, feita especialmente para o evento!

porque é bom

Love Hurts não é uma reles História em Quadrinhos, daquelas narrativas com começo, meio e fim. Isso dá pra sacar logo de cara. Na falta de definição melhor, funciona como uma coletânea de contos gráficos girando sobre um mesmo tema: os percalços e desilusões do amor.

Vamos combinar que é preciso ter uma certa sensibilidade para tratar do tema sem cair na vala comum da música sertaneja ou na afetação da poesia ultrarromântica (às vezes, a Reforma Ortográfica cria uns monstros como esse, fazer o quê). Felizmente, Murilo tem o dom e acerta o tom na maioria das vezes. Não tem absolutamente nada a ver, mas lembra a atmosfera de Alta Fidelidade. Se Nick Hornby fosse desenhista ao invés de escritor, talvez criasse algo parecido.

Love Hurts

As 48 páginas em preto e branco passam voando, e logo que acabam, te dá vontade de começar de novo. O que é bom sinal. A arte varia de conto pra conto: vai do estilizado/minimalista à caricatura, passando pelo realismo e infográfico icônico. O traço é simples sem ser simplório.

O tema principal é tratado da forma mais ampla possível. Estão lá o amor passageiro de celebridade; o amor paterno por uma cadela condenada (e que cadela!); o eterno problema da comunicação macho-fêmea; o amor pela banda de rock preferida que sofre um golpe com a inevitável separação do grupo (o fim do R.E.M., no caso. Aliás, se você estiver lendo isso, Murilo, não deixe de clicar no link pra passar raiva. Ou não); o amor metalinguístico; e, claro, a paixão pela cultura pop.

porque é duca

Mais do que qualquer discussão sobre a qualidade desse Love Hurts, o que salta aos olhos é o potencial de Murilo. O gibi é legal? Eu achei, embora não imagine que vá agradar a espartanos e atenienses. Digamos que tem (mais) altos e baixos.

Já o combo domínio da narrativa gráfica + sensibilidade demonstrado pelo autor fica fora de qualquer discussão. O cara tem a manha.

O espaço físico é utilizado de maneira inventiva: o que vai desde a composição dos quadros, até o(s) ícone(s) no quarto final —a deixa para que você vire o livro 90º para continuar a leitura. Passando, inclusive, pelas ótimas discussões entre o autor e sua namorada-editora, que vira e mexe invadem o rodapé, numa espécie de “trilha comentada de DVD” a la tiras marginais da MAD.

Love Hurts

(sou obrigado a concordar com ela sobre o trecho do R.E.M., embora Johnny & Winona seja espetacular!)

Just one more thing: o poder de síntese do cara é fora do comum, capaz de emocionar com apenas 3 quadros, sem texto. Duas vezes. Na sequência.

Quando você acaba de ler pela segunda vez, fica com a certeza de que adoraria ver como Murilo se sairia com uma história mais longa. E foi basicamente por isso que ganhou o selo duca! O que não é pouca coisa.

p.s.

É chamado de volume 3 porque antes existiram os volumes 1 e 2 (ah, vá!), em forma de fanzine —esgotados, mas Murilo pensa em republicá-los esse ano. Só espero que ele abandone a ideia de fazer uma caixa especial com os 3, para não ser forçado a comprar o último pela segunda vez.😛

 

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