Mudinhas de Espinafre [12.02.12]

O Mudinhas de Espinafre trata de assuntos pop (quem diria?) que marcaram o dia-a-dia do @espinafrando no formato de pílulas. Ou seja, textos curtos e sem profundidade. Vamos a elas!

Música

Howler – America Give Up

Se você vem ao http://espinafrando.com procurando pelas últimas novidades musicais, sinto lhe dizer, mas você está no lugar errado. Pelas minhas contas, a última vez em que me empenhei em conhecer a banda do momento foi com a geração 00: o estouro do rock de garagem de luxo dos White Stripes, Strokes, Libertines e Franz Ferdinand, em ordem cronológica por álbum de estreia (99, 01, 02 e 04). Depois disso, ainda fiz uma tentativa com os Artic Monkeys (06), que não me fisgaram, e por fim, o temível Klaxons (07), que de tão ruim me fez desistir de acompanhar qualquer outra novidade no restante da década. O Muse (99) não entra nessa conta: o motivo está aqui. Nem o Them Crooked Vultures (09), que apesar de “nova” e espetacular, é formada por gente com bastante quilometragem e que tem a obrigação de soar bem aos ouvidos roqueiros: Josh Homme (Queens of the Stone Age), Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) e John Paul Jones (Led Zeppelin).

Então, descobrir o Howler via Lúcio Ribeiro foi meio que uma quebra de paradigmas, inaugurando oficialmente os anos 10 (er, com 2 de atraso). Tudo culpa do título deste artigo: convenhamos, chamar uma banda ao mesmo tempo de “o novo Strokes“, “o novo Ramones“, “o novo Clash” e “o novo Jesus & Mary Chain” foi covardia e impossível de resistir a uma olhadela.

(aliás, vale dar uma lida em todos os artigos do Lúcio com a tag Howler: tem tudo o que você precisa saber sobre a banda, por alguém bem mais tarimbado do que eu)

Depois de ler, o passo seguinte foi apurar o quanto de verdade havia no hype: fui pra iTunes Store, encontrei o 1º disco (lançado em 13/01/12) e escutei previews das 12 faixas. E já era. Dei adeus a cerca de 20 pilas (US$9,99) e fui ser feliz escutando Howler durante o resto da semana.

 

America Give Up (Bonus Track Version)

Howler

Alternativo

Released: 2012


(e mais tarde comprei as duas faixas do EP que não entraram no disco: 14 Days e For All Concern)

O pior é que o Lúcio tava coberto de razão (e me deixa quase sem ter o que escrever): os meninos detonam! Tem realmente um pouquinho de cada uma dessas bandas no som deles: a bateria lembra Strokes, o vocal passeia entre Joey Ramone e Julian Casablancas, a guitarra base É puro irmãos Reid no Psychocandy —barulhenta e suja. E tem pelo menos uma referência que o Lúcio deixou passar: a guitarra solo soa às vezes como a boa e velha surf guitar, meio Dick Dale sem a técnica. E mesmo com todas essas reminiscências, as 12 faixas soam completamente frescas e originais, coisa nova e boa, com um gostinho do rock dos 50, 60, 70, 90 e 00. É pura perfeição pop (no sentido mais amplo da palavra, não como gênero musical tipo Britney Spears), do início ao fim. Um som tão consistente e cheio de personalidade que só uma banda de garotos com 20 anos poderia fazer.

Howler em São Paulo

Sexta, 24/02 Domingo*, 26/02, às 20:00, tem show do Howler em São Paulo, via crowdfunding. Oportunidade única de pegar uma banda boa nos seus primórdios. Pode até ser que faça água no segundo disco, mas quem se importa? Os Pistols não sobreviveram ao 1º álbum e Never Mind The Bollocks… continua duca até hoje. Eu vou. E você?

Ingressos aqui (com lote promocional): http://beco203.webstorelw.com.br/products/howler-em-sao-paulo

*o show em São Paulo foi adiado 2 dias devido a uma nevasca em Minneapolis que impediu a banda de embarcar para o Brasil a tempo.

The Strokes – Angles

Falando em novo-Strokes, também conferi o disco novo do velho Strokes, carregado de “polêmica”. Sim, porque todo lançamento da banda vem sempre acompanhado da discussão indie “é-pior-é-igual-é-melhor-que-o-anterior”. E a maioria da crítica acaba convergindo para algo do tipo perdeu o gás. Se tivesse que apontar um culpado por esse modus operandi, diria que é justamente a demora entre um álbum e outro. 4 discos em 12 anos significa 3 anos de expectativa acumulada entre um e outro. E todos sabemos que a expectativa é inversamente proporcional ao gostar.

The Strokes - Angles

 

Angles

The Strokes

Alternativo

Released: 2011

Como eu comprei o Angles sem esperar nada, gostei. Continua Strokes.

O disco não é um primor, veja bem. Esse faixa a faixa a seguir mostra o quanto é irregular. Se você não conhece a banda, o Angles não vai te tornar um convertido. Mas se você já gostava de Strokes, não tem porque nao gostar deste.

  • As diferenças aparecem em algumas faixas, como Machu Picchu (que abre o disco e avança da garagem dos 70 para os 80 em sua introdução, mas volta ao normal após o primeiro refrão).
  • Under Cover of Darkness, a segunda, poderia figurar tranquilamente em Is This It? sem fazer feio.
  • Two Kinds of Happiness e Games voltam a afundar o pé nos 80.
  • You’re Só Right emula uma espécie de eletrônico-analógico-claustrofóbico. Estranha.
  • Taken For a Fool tem cara de Room on Fire misturada com First Impressions of Earth (2º e 3º discos, respectivamente).
  • A maior surpresa é Call Me Back, acho que a primeira —e esquisita, mas de um jeito bacana— balada da banda.
  • A animadinha Gratisfaction volta pro estilo básico strokeano com as guitarras cantantes, e dá uma inovada no refrão com backing vocals a la Beatles.
  • Metabolism tenta ser épica, tipo Muse, mas a mistura com o DNA da bateria de Fabrizio Moretti e uns tecladinhos Casio imitando coral de igreja não cai tão bem.
  • A calminha Life Is Simple In the Moonlight, apesar do tecladinho Casio e do que seria a batida mais próxima de samba-MPB a que o Strokes poderia cometer, não fede nem cheira e fecha o disco.

Numa nota técnica, o trabalho de mixagem está bem legal, com as guitarras e notas duelando no estéreo.

Foo Fighters – Greatest Hits (Deluxe Edition)

Depois da minha demorada rendição à banda do Dave Grohl com o ótimo Wasting Light, resolvi apelar para essa coletânea do Foo Fighters. Apelar, porque tenho ojeriza a coletâneas: só compro em caso de emergência, quando é certeza que não irei atrás da discografia completa (ou quando o pacote é muito atraente, tipo Hey! Ho! Let’s Go! – Ramones Anthology, que tem um livrinho em capa dura muito do joia).

 

Foo Fighters: Greatest Hits (Deluxe Edition)

Foo Fighters

Rock

Released: 2009

E quer saber? Por enquanto, está de bom tamanho. Aprendi a gostar do Foo Fighters, mesmo não sendo o melhor que o rock pode oferecer. Aliás, outro dia vi o Marcelo Rubens Paiva falando no Twitter algo como “não dá pra comparar Foo Fighters com Nirvana, não chegam aos pés blá-blá-blá”. E não dá mesmo: são bandas (e sonoridades) com propostas completamente diferentes. O que aprendi é que é perfeitamente possível gostar das duas. Servem para momentos distintos. E com isso, deixo o time das viúvas de Kurt Cobain de lado. Já basta a Courtney.

Sobre o disco, não vou chover no molhado. Sei reconhecer quando chego tarde e não quero sentar na janelinha. Todos os hits estão lá. Mas o que é digno de nota é essa edição deluxe da iTunes Store: além de um libreto em PDF, traz 5 videoclipes ao vivo.

Pearl Jam – 11.04.2011 São Paulo, Brazil

O bootleg oficial do 2º show do Pearl Jam em São Paulo no ano passado, disponível no site da banda, foi uma das melhores compras que fiz esse ano, ao lado do Howler. O show foi espetacular (e se quiser saber ou relembrar como foi, é só clicar aqui) e o áudio está uma beleza.

Pearl Jam em São Paulo

Mas, mais do que isso, a emoção de ouvir um (o) show em que você esteve ao vivo é indescritível. Estão disponíveis os shows de SP, RJ, Curitiba e POA. Obrigatório pra quem esteve lá.

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