espinafrando a estreia: O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)

E encerrando a temporada de estreias duplas no espinafrando.com, o inigualável José Inácio (@inacio1), do Verbeteando com José Inácio, foi conferir antes de (quase) todo mundo o que O Homem que Mudou o Jogo, a última empreitada de Brad Pitt, tem a oferecer. E nos dá a honra de compartilhar suas opiniões! O filme chega aos cinemas brasileiros nesta sexta, 17/01. Com a palavra, @inacio1!

***

“Putz… Um filme sobre baseball. Porque não fazem logo um filme sobre eletrólise no meio subaquático? Aí fica abstrato de vez!”

Lembro que quase sempre que vi filmes sobre esportes no cinema, quebrei a cara. Filmes como Alta Velocidade, com Sylvester Stallone e a Fórmula Indy. Ou Desafio no Gelo, com Kurt Russell e o hockey.

MoneyballO Homem que Mudou o Jogo, está aí para quebrar a sina. A bem da verdade, mais do que falar sobre o baseball em si, o foco está nos bastidores do esporte. E aí a coisa engrena!

O Homem existe na vida real e é Billy Beane (Brad Pitt), um ex-jogador de baseball e gerente do Oakland Athletics. E é gerente na acepção da palavra: é o figura responsável não por dirigir o time em campo (papel que coube ao sempre ótimo Philip Seymour Hoffman, numa pequena, mas notável, participação), mas sim por definir os jogadores que lá atuarão, justo no momento em que o time acaba de perder suas principais estrelas para rivais mais endinheirados.

Com o poder de fogo reduzido —o orçamento do time é cerca de ¼ do orçamento do famoso NY Yankees, por exemplo—, Beane tem que rebolar pra conseguir Mudar o Jogo. Sorte dele que acaba topando com a figura nerdiana-simpática-cerebral de Peter Brand (Jonah Hill, mais conhecido por ser o gordinho sem noção de comédias adolescentes como Superbad!, em atuação precisa e correta mas que não justifica a indicação para o Oscar de melhor Ator Coadjuvante).

Peter é um recém-formado da prestigiosa Harvard, e inventou um sistema matemático que utiliza as estatísticas das partidas para determinar quais os melhores jogadores para cada posição, de acordo com o aproveitamento deles em suas funções.

A improvável dupla funciona muito bem na telona, em parte pela atuação de um Brad Pitt mais maduro. O galã das duas últimas décadas (e bom e subestimado ator, por que não? Pra ser justo, ele sempre rouba a cena quando interpreta desajustados —foi assim em Se7en, Os Dozes Macacos, Clube da Luta, Snatch e Bastardos Inglórios) mostra Billy convivendo com o descrédito do método empregado —a cena com a mesa de velhinhos conselheiros/olheiros é emblemática e lembra muito o ambiente de futebol, numa versão mais civilizada.

E ainda, lidando com os conflitos da paternidade (envolvendo a filha que é deixada de lado pela carreira), da relação com a ex-mulher (o desconforto natural entre o atual e o ex-marido é sublinhado pela diferença de padrão de vida, facilitando a empatia da plateia) e com a frustração de ter sido uma promessa não concretizada no esporte. Fatores abordados de maneira eficiente e cujo único senão fica na ligeira pieguice do momento “pai que descobre os talentos da filha”, quando ela cantarola uma canção.

O roteiro e a direção deslancham bem, criando e jogando com uma tensão real. Você quer saber se o sistema vai funcionar. E, se funcionar, até quando. Até quem não conhece nada do esporte (que é chato pra dedéu) passa a torcer pelos protagonistas. Um ponto interessante, e que ajuda nesse sentido, é o estado emocional de alguns desses jogadores escolhidos pela fórmula matemágica: quase sempre, gente desacreditada ou que já passou do ponto e que sabe que essa é sua última grande chance.

Uma equipe de underdogs em um time sem grana. O cenário perfeito pra velha história “de redenção” se desenrolar. E antes que alguém me acuse de estragar a surpresa, bem, a história é real, está ao alcance de uma googlada e, se parar pra pensar, o filme se chama O HOMEM QUE MUDOU O JOGO. Acho que dá pra sacar que vai ter um ponto de virada, não? Resta saber se a redenção será plena.

(buscar a história real na internet é o primeiro impulso que você terá ao sair da sala de cinema, sinal de que o filme funciona. Nesse sentido, adianto: algumas pessoas reais foram condensadas em personagens no filme)

 

Enfim, Moneyball é um filme honesto e envolvente, sem o glamour de muitos de seus rivais ao Oscar, é fato (além de Jonah Hill, também concorre a melhor ator com Mr. Pitt, melhor edição, melhor roteiro adaptado, melhor mixagem de som e melhor filme). Mas é bem dirigido, tem uma trilha que carrega na emoção (defeito ou qualidade? Você decide!) e fotografia apurada. Tudo isso combinado mata qualquer estranheza com o esporte, americano por excelência, e o torna um filme de apelo universal. E isso conta pontos, afinal. Não é um homerun, mas dá pra chegar na 3ª base.

 

 

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