Mudinhas de Espinafre [29.04.12]

O Mudinhas de Espinafre trata de assuntos pop (quem diria?) que marcaram o dia-a-dia do @espinafrando, no formato de pílulas. Ou seja, textos curtos e sem profundidade. Vamos a elas!

música

Foster the People – Torches

Cover Art

Torches

Foster the People

Alternativo

Lançamento: 2011

Finalmente, e embalado pela “polêmica” ame-ou-odeie durante o Lollapaloza, decidi escutar na íntegra o álbum de estreia do Foster the People. Até pra mudar um pouco o estilo de músicas que ando ouvindo. Não acontece com você de ficar completamente saturado de tempos em tempos e querer apenas escutar algo completamente diferente? Então, dei um tempo no rock de garagem e caí nesse misto de eletrônico-analógico mauricinho.

Veredicto: Torches é irregular. Metade do disco é formada por aquelas músicas chicletes contagiantes, que não saem da sua cabeça, com melodias assobiáveis e batidas que a) te fazem dançar ou b) te fazem batucar no painel do carro. Pop puro, que nos seus melhores momentos soa como New Order com uma pitada leve e discreta de Daft Punk. As 3 melhores faixas são as definitivas Helena Beat, Pumped Up Kicks e Don't Stop (Color On The Walls). O hit Pumped Up Kicks, aliás, tem uma das letras mais cabulosas dos últimos tempos, nível Jeremy do Pearl Jam, e perfeita para figurar nessa lista aqui.

Já o restante do disco… é New Kids On The Block demais para o meu gosto.

***

Pumped Up Kicks
Robert's got a quick hand
He'll look around the room he won't tell you his plan
He's got a rolled cigarette
Hanging out his mouth he's a cowboy kid

Yeah he found a six shooter gun
In his dad's closet in a box of fun things
And i don't even know what
But he's coming for you, yeah he's coming for you

All the other kids with the pumped up kicks
You better run, better run, outrun my gun
All the other kids with the pumped up kicks
Better run, better run faster than my bullet

Daddy works a long day
He be coming home late, yeah he's coming home late
And he's bring me a surprise
Cause dinner's in the kitchen and it's packed in ice

I've waited for a long time
Yeah the slight of my hand is now a quick pull trigger
I reason with my cigarette
Then say your hair's on fire you must have lost your wits yeah

All the other kids with the pumped up kicks
You better run, better run, outrun my gun
All the other kids with the pumped up kicks
Better run, better run faster than my bullet

 

Death Cab for Cutie – Narrow Stairs

Cover Art

Narrow Stairs (Bonus Video Version)

Death Cab for Cutie

Alternativo

Lançamento: 2008

E na busca por bandas que nunca havia ouvido, encontrei o Death Cab for Cutie. Uma joia rara, direto do final dos 90, com uma discografia respeitável (7 álbuns, fora os EPs e remixes). Depois de ouvir trechos de todos, decidi começar comprando esse Narrow Stairs, de 2008.

Veredicto: se fosse um vinil e eu estivesse escutando em uma vitrola, tanto a agulha quanto o disco já estariam rotos. Num primeiro momento, me pareceu um Coldplay com mais estofo. Lá pela 4ª ou 5ª vez, já estava achando que as composições tinham um quê de Paul McCartney com Teenage Fanclub. Exagero? É provável. Mas o fato é que Death Cab for Cutie (cujo nome sui generis saiu direto de uma canção tocada pela The Bonzo Dog Band no filme beatleniano Magical Mistery Tour) me fisgou totalmente, com seu indie rock recheado de belas canções e letras singelas. É pop no sentido Nick Hornby/Rob Fleming. Fica até difícil escolher as melhores músicas de Narrow Stairs. Posso citar Bixby Canyon Bridge, Cath…, You Can Do Better Than Me, Pity and Fear, e continuar até recitar todas as faixas.

Talvez, a que mais se destaque seja a que mais se repete: I Will Possess Your Heart —na versão bônus de Narrow Stairs, ela aparece 4 vezes (a original, com quase 8 minutos e meio; a versão pra rádio, que corta os solos de introdução pra chegar à 4:09 minutos; e dois vídeos, um com 8:32 minutos e outro com 4:23). A melodia é bonita. A harmonia é contagiante e repetitiva, num crescente em que cada instrumento entra com seus fraseados em sequência, um por vez, começando pelo baixo e terminando com o piano. A letra é simples, curta e direta —e o refrão é matador. Como bônus, é das poucas músicas românticas na história da música pop que é ao mesmo tempo legal e com uma história positiva, que você pode usar como declaração para seu objeto de desejo —se você não notou, a imensa maioria das músicas de amor fala sobre corações partidos ou paixões obsessivas, do tipo Atração Fatal.

***

I Will Possess Your Heart
How I wish you could see the potential
The potential of you and me
It's like a book elegantly bound
But in a language that you can't read just yet

You gotta spend some time, love
You gotta spend some time with me
And I know that you'll find love
I will possess your heart [x2]

There are days when outside your window
I see my reflection as I slowly pass
And I long for this mirrored perspective
When we'll be lovers, lovers at last

You gotta spend some time, love
You gotta spend some time with me
And I know that you'll find love
I will possess your heart [x2]

I will possess your heart
I will possess your heart

You reject my advances and desperate pleas
I won't let you let me down so easily
So easily

You gotta spend some time, love
You gotta spend some time with me
And I know that you'll find love
I will possess your heart [x3]

I will possess your heart
I will possess your heart

***

Se for analisar racionalmente, I Will Possess Your Heart vai ser demolida, pedra sobre pedra: é longa demais, é simples demais, é boba demais, é repetitiva demais. Só que o caso aqui é emocional. Dê play e deixe-se envolver. Limpe sua mente, fique zen e escute cada nota, cada frase, com atenção. Não é o tipo de música que você deixa como pano de fundo enquanto faz outras coisas. Aliás, o álbum todo é pra ser apreciado assim, de forma completamente egoísta, monotarefa.

 

hq digital

Saga


SAGA ISSUE #1

Publisher:Image

Pelo jeito, será a mais nova obra-prima de Brian K. Vaughan. Dessa vez, acompanhado pela bela arte de Fiona Staples. Li a 1ª edição, não resisti e comprei a 2ª.

Saga promete ser épico, no sentido literal. É uma odisseia estelar. É uma mistura de Star Wars com Romeu e Julieta. O enredo é familiar: numa galáxia distante, num tempo que mistura passado e futuro como numa pororoca, duas raças rivais estão em guerra. Uma é de adeptos da magia, outra, da tecnologia. Uma representa a fé, outra a razão. Há um império e um sistema político em jogo. Há, é claro, uma terceira via independente e mercenária. E lógico, há o casal que se junta e desafia as duas etnias rivais, macho de uma e fêmea da outra, que se amam e geram uma filha que pode abalar o status quo. A recém-nascida, aliás, é a narradora da história.

Saga

É um belo exercício em termos de literatura pop/pulp: Vaughan prova que, mesmo trabalhando com todos os clichês dos gêneros ficção científica espacial e aventura de fantasia, ainda é possível extrair algo atraente, diferente, surpreendente e eletrizante, sem ter que subverter as regras ou empilhar reviravoltas e momentos catárticos como se não houvesse amanhã (recursos que ficaram muito populares na ficção da última década, principalmente cinematográfica, uma espécie de síndrome-combo M. Night Shyamalan/Michael Bay: não tem história pra contar? A solução é simples: não deixe o leitor/espectador respirar. Assim, não dá tempo dele pensar e perceber que está sendo feito de trouxa).

O roteiro é cadenciado, ritmado, as coisas acontecem sem atropelos. Cada núcleo narrativo é desenvolvido o suficiente para poder ser alternado com outro, sem prejuízo do entendimento e encontrando o delicado equilíbrio entre linearidade e fragmentação.

Saga

E o que Brian K. Vaughan faz com o texto, Fiona Staples faz com a arte. O design de personagens e cenários é de babar. Conceitualmente, são muito próximos dos estilos do finado e eterno Moebius e da Metal Hurlant.

Acima de tudo, Saga é supimpa. Recomendadísssimo!

America's Got Powers


AMERICA'S GOT POWERS ISSUE #1

Publisher:Image

Outra série novinha em folha. E, assim como Saga e Queen Crab, um projeto cujos direitos são dos criadores. Que são, nesse caso, Jonathan Ross e Bryan Hitch.

No geral, sempre fui um cara que valoriza mais roteiros do que arte. Frequentemente, a assinatura do roteirista/escritor é o que me faz decidir pela compra ou não do gibi ou livro. Principalmente quando o título é desconhecido. Não foi esse o caso com America's Got Powers. Nunca li nada do Jonathan Ross antes. Comprei a HQ na fé, estritamente motivado pela arte de Bryan Hitch.

Hitch é um dos melhores desenhistas da história das histórias em quadrinhos. De estilo detalhista e realista, foi o responsável, junto com Mark Millar, pela criação da versão definitiva dos Vingadores, os Supremos, que serviu de base para o filme da Marvel Studios. E em AGP, está no auge da forma.

A premissa: num momento monólito 2001, um cristal gigantesco aparece em São Francisco, brilha, e todas as mulheres grávidas num raio de 5 milhas dão à luz de uma vez —sem dor, sem importar o estágio da gestação, e todas as crianças nascem saudáveis. De fato, elas nascem mais do que saudáveis: todas são agraciadas com superpoderes. O governo, então, cria um complexo científico-militar para estudar e controlar os poderosos. De quebra, produz um reality show, mistura de American Gladiators com American Idol, para entreter o público, criar uma válvula de escape para os poderosos darem vazão às suas habilidades de forma contida e, por que não?, financiar toda a operação graças ao merchandising e à venda de ingressos para a arena.

America's Got Powers

Senhoras e senhores, estamos novamente na terra dos clichês. Infelizmente, Ross não é Vaughan. Apesar de bem escrito e de um roteiro redondinho, não passa do convencional. Tem um gostinho de Jogos Vorazes misturado com X-men. E fica longe de entendiar ou ofender a inteligência do leitor. Já o final é redenção pura e traz um gancho de arrepiar os pelos do braço. Coisa fina.

Essa primeira edição (de 6) é legal e vale a pena, mesmo não sendo algo de explodir os miolos. Sem dúvida, a série merece uma chance, nem que seja pra apreciar as belas páginas duplas de Hitch.

 

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