Dica Duca – Poder Sem Limites

…cronicamente viável…

Cover Art

Poder Sem Limites (Legendado)

Josh Trank

Ação e aventura

Lançamento: 2012

Na ressaca de O Espetacular Homem-Aranha, assisti a esse Poder Sem Limites, filme que inaugura o gênero “superpoderes” no subgênero “filmagens perdidas”, ao estilo Bruxa de Blair.

Também é o primeiro filme de destaque com roteiros de Max Landis, filho de John Landis, diretor de Blues Brothers, do über clássico Clube dos Cafajestes (Animal House), de Thriller —clipe definitivo do Michael Jackson, de Um Lobisomem Americano em Londres, de Os 3 Amigos e de 2 dos melhores momentos de Eddie Murphy: Um Príncipe em Nova York e o inestimável Trocando as Bolas.

(Max Landis, aliás, escreveu, dirigiu e atuou nesse engraçado e nerdístico curta-metragem aí de baixo, analisando de forma didática a morte e o retorno do Superman nos quadrinhos —fique de olho nas participações especiais de Elijah Wood, Simon Pegg, Mandy Moore, Ron Howard e até a mocinha de Poder Sem Limites, entre outros)

 

Voltando. A história de Poder Sem Limites em si é um clichesão, ao menos para quem já leu (ou assistiu) o fantástico Akira de Katsuhiro Otomo: jovens párias adquirem poderes paranormais (telecinese, para ser específico) e o roteiro explora a mudança que isso traz a suas vidas e à comunidade ao redor.

E é em cima dessa premissa batida que o diretor Josh Trank constrói um filme poderoso e empolgante, com o tipo de frescor que faltou ao Homem-Aranha de Marc Webb.

porque é bom

Não se engane com a sinopse ou com o fraco título em português. Poder Sem Limites, ou Chronicle no original, é tanto uma crônica sobre os efeitos do bullying quanto o efeito crônico que o abuso do poder e a falta de responsabilidade podem causar. Em várias camadas.

A mais óbvia é o que acontece com o personagem principal [AVISO: você até pode considerar spoiler, embora eu não conte o quê ou como acontece. E está no trailer, além de ser previsível. Leia por sua conta e risco]: o garoto “estranho” e antissocial que acumula provocações e rebaixamentos de autoestima até explodir numa espécie de Tiros em Columbine turbinado. [Fim do possível spoiler. Pode voltar a ler.]

Mas ainda há outros aspectos nesse sentido: os próprios bullies na escola, a gangue do bairro, o pai alcoólatra… Até a indústria farmacológica e os planos de saúde em certo nível, representados pelo farmacêutico. São todas facetas do mesmo problema: abuso do poder físico, de autoridade, do poder econômico, do poder da popularidade.

porque é duca

O filme acerta em quase tudo a que se propõe. Acerta de cara ao mostrar jovens agindo como jovens. Principalmente quando descobrem que adquiriram poderes. Seus primeiros impulsos não são sair por aí tocando o terror ou agindo como super-heróis ou ainda ganhar dinheiro fácil. Nada tão nobre ou mesquinho. O que eles fazem é trivial. É pregar peças, testar limites, e, principalmente, forjar um sentimento de identidade, tipo clubinho secreto. Passada essa fase, e conforme se sentem mais seguros e com domínio sobre suas habilidades, o passo seguinte é angariar popularidade, a busca pela aceitação.

Até aqui, méritos do roteiro. Mas direção, edição e efeitos especiais também contribuem, e muito, para o espetáculo.

Pegue o lance da câmera tremida e a armadilha da filmagem em primeira pessoa, por exemplo: o diretor Josh Trank escapa como um Houdini, lá pela metade do filme, ao colocar as filmagens nas “mãos” da telecinese. Uma sacada ousada, condizente com a história e as premissas do(s) gênero(s), e que permite tomadas aéreas ótimas, explorando ao máximo o uso e as consequências dos superpoderes.

Chronicle - Poder Sem Limites
Do que você é capaz? De arremessar um ônibus, car@|#0. Tá de bom tamanho?

Há pelo menos uma passagem em específico que é antológica e entra para o rol das melhores cenas de voo do cinema de aventura.

O clímax dá gosto de assistir e é muito bem construído! Evoca novamente Akira e quase dá pra ouvir o grito de “TETSUUUOOOOO!”. Ou ainda a batalha final da 1ª temporada de Heroes, quando o seriado ainda era digno de nota. Na verdade, o clímax é tão emocionalmente poderoso, repleto de fúria em estado bruto, que consegue a façanha de não deixar que o epílogo piegas ou o par de bobices (sic) do roteiro avacalhem com a experiência.

A cereja do sundae: em nenhum momento, Josh Trank e Max Landis caem no erro da over-explicação. Há uma série de pontas soltas que devem ficar —e ficam— assim para não subestimar a inteligência do cinespectador. Notadamente, a fonte dos poderes e o envolvimento do exército/polícia/governo. Adicionar qualquer esclarecimento só tiraria o charme da produção.

***

Enquanto escrevia esse texto, saiu a notícia de que a Fox contratou Josh Trank para dirigir o reboot do Quarteto Fantástico. Baseado no que vi em Poder Sem Limites, já da pra afirmar que Reed Richards e companhia perigam estar em mãos capazes. Como diria o sobrinho favorito da tia Petúnia: TÁ NA HORA DO PAU!

 

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