L.O.A.S. – Jogos Vorazes, o filme

Quando criei o @espinafrando, passava por uma fase bem cínica, em que nada prestava. A ideia era fazer um videocast desancando o que havia de pior na cultura pop —mais sobre essa história aqui.

Enquanto pensava no formato do programa, felizmente essa fase acabou. Percebi que valia mais a pena comentar o que havia de bom, dar dicas culturais. Afinal, o tempo é escasso e precisamos gastar com aquilo que nos acrescenta, com aquilo que nos faz bem.

Assim nasceu o http://espinafrando.com, e muito pouco da proposta original sobreviveu. Vez ou outra, uma crítica mais destrutiva apareceu por aqui, mais como alerta para você fugir de algo tenebroso do que pelo espírito de porco.

Esse é um desses momentos.

Jogos Vorazes, o filme: 2 horas e 22 minutos de pura estupefação. Estupefação com como alguém pode gastar uma grana violenta para fazer um dos piores filmes da história.

Pior: como é que uma bomba dessas pode ter feito tanto sucesso? De público E crítica?

Jogos Vorazes / The Hunger Games

Jogos Vorazes, o filme, é o seguinte: num futuro distópico, um país sofreu uma rebelião. Para evitar outras, o governo decidiu fazer um reality show anual em que cada estado (chamados de Distritos) é obrigado a ceder um casal de jovens entre 12 e 18 anos para se matar em rede nacional. O que sobrar, é sagrado campeão. Fim.

Jogos Vorazes / The Hunger Games

Se a premissa lhe parece estúpida, é porque você ainda não viu o recheio.

A ambientação é um disparate. É como se os Distritos vivessem no início do século XX, tanto no modo de se vestir e portar quanto no que se refere à tecnologia, enquanto que a Capital estivesse no fim do século XXI, mais especificamente num filme futurista de Luc BessonO 5º Elemento, estou falando de você.

As pessoas da capital, todos podres de ricos, se vestem (e agem) da forma mais ridícula e absurda possível. Há desde pessoas agindo como se fizessem parte da corte de Ligações Perigosas, só que com glitter —caso da personagem Effie Trinket, interpretada (?) por Elizabeth Banks— até gente histriônica saída direta de um game show japonês (boas lembranças de Lost in Translation e Sobrevivi a um Desafio Japonês), como os personagens de Stanley Tucci e Wes Bentley, que ostenta a barba mais babaca da história das barbas. Ganhou até do Star-Burns de Community.

Seneca Crane X Star-Burns
Seneca Crane X Star-Burns

E eu nem vou comentar sobre a escalação e a atuação de Lenny Kravitz como o estilista por trás de um vestido de fogo que não queima.

Esse futuro esquisitão ainda proporciona uma série de contrastes inexplicáveis como ter a tecnologia para criar um ambiente simulado em que é possível criar árvores e mostrengos reais a partir do nada, com um simples toque num botão, enquanto o povo da Capital depende do trabalho braçal dos Distritos para ter comida e energia. Era de se esperar, no mínimo, que esses cientistas brilhantes pudessem criar uma máquina que gerasse alimentos espontaneamente antes de colocar seus serviços ao dispor de um programa ruim de TV.

E outra: se aparentemente temos a população de 12 estados contra uma capital, como é que nunca passou pela cabeça dessa gente toda fazer uma Primavera Árabe, um levante popular por melhores condições de vida? Ou pelo menos para evitar que seus filhos sejam mortos obrigatoriamente num programa de TV cruel, bárbaro e ruim?

O problema é que o futuro brega de Besson era completamente autoirônico, coisa que Jogos Vorazes, o filme, não é. E esse talvez seja seu maior pecado: ele se leva a sério demais, sem ter estofo para isso.

O que nos leva à personagem principal. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence, num desempenho bem aquém do que mostrou em X-men: Primeira Classe) foi incensada como uma quebra de paradigma, uma mulher forte no papel de maior destaque, uma heroína. Bem, com base em Jogos Vorazes, o filme, não poderia discordar mais.

Jogos Vorazes / The Hunger Games

Katniss não passa de uma menina emburrada, que está sempre fugindo pra lá e pra cá, que depende de 3 pessoas diferentes pra ser salva da morte em 3 ocasiões distintas e que não hesita em trair seus valores para agradar a audiência do programa (seguindo as dicas dos Patrocinadores, enviadas em bilhetinhos que caem do céu).

Na verdade, seu único ato de heroísmo é ter se oferecido para entrar nos Jogos no lugar da irmã mais nova.

Aliás, ela insiste em relembrar durante todo o filme que precisa ganhar para poder voltar pra casa e cuidar da irmã, fato que é prontamente ignorado no final a título de desafiar o sistema com seu suicídio, provando que não pode ser controlada. Como é que isso vai ajudar a irmã, mesmo? Além de não poder cuidar da caçula, quem garante que a pirralha não será sorteada de novo ano que vem? Ah, tá.

Katniss Everdeen
Não se preocupe, irmãzinha! Prometo que volto e cuido de você. / Sobrou pra mim…

O que mais irrita em Jogos Vorazes, o filme, é que esse trololó todo é bem produzido, tirando até o prazer de apreciá-lo como uma obra trash (saca o “é tão ruim que é bom”? Não é o caso. É tão ruim que nem chega a ser bom). Comparando com outro fenômeno adolescente chato, Crepúsculo ainda ganha mais a minha simpatia, mesmo sendo uma obra cinematográfica hedionda, pela simples questão de parecer filmado em VHS, com efeitos de quinta categoria e atuações da companhia de teatro do bairro. Não é algo que dá pra levar a sério.

Já o que mais me intriga é o apelo de Jogos Vorazes, o filme. Simplesmente não dá pra entender. Seria a expectativa de romance virginal? Um “romance” que não passa de um beijo sem sal, em algo que pode muito bem ser estratégia de jogo à la Big Brother? E que se for “verdadeiro” representa uma bela de uma corneada em rede nacional?

Nem o aspecto da violência se salva, já que o diretor e roteirista Gary Ross conduziu o trabalho de forma tão “madura” que o massacre de crianças e adolescentes é mostrado em vislumbres, de forma “elegante”.

Jogos Vorazes, o filme, erra tanto que, pra você ter uma ideia, é o primeiro filme que assisto com Woody Harrelson caracterizado como desajustado em que Harrelson está sem graça.

Com tudo isso, o que poderia ser uma crítica social sobre a espetacularização da violência como forma de entretenimento vira apenas uma oportunidade para descobrir quais astros de Hollywood estavam precisando de uma graninha extra pra fechar o orçamento. É a única explicação plausível para gente como Donald Sutherland e os já citados Woody Harrelson, Stanley Tucci e Elizabeth Banks estrelarem essa joça.

Jogos Vorazes / The Hunger Games

Após 2 horas e 22 minutos de Jogos Vorazes, o filme, só há uma certeza: estou numa situação bem melhor do que o povo do futuro. Pelo menos, minha agonia acabou. E eles, que ainda têm que aguentar Jogos Vorazes como aparentemente única opção de entretenimento na TV? Esse sim é um povo fodido.

 

7 comments

  1. Velho tu é muito idiota, mais ainda de preferir Crepúsculo… Só vc pra achar tudo isso. Além disso vc só viu o filme neh?
    Coisa de gnt idiota… kkkkk só rindo de vc

    • Caro Thiago,

      Sim, eu só vi o filme. E a crítica é só sobre o filme. Achei ter deixado isso claro, ao me referir sempre a “Jogos Vorazes, O FILME”. Não faria diferença nenhuma se eu tivesse lido o livro. O filme não se sustenta sozinho. Essa é a moral da história.

      Quer um conselho? Pense duas vezes antes de chamar alguém de idiota só porque não gostou do seu livro/filme/música/game/hq ou o raio que o parta preferido. Aprenda a entender pontos de vista conflitantes com os seus. No final do dia, não vai fazer diferença pra sua vida se tem uma pessoa a mais ou a menos que gosta do que você gosta.

      (A menos que você esteja envolvido diretamente com a produção do filme. Nesse caso, a quantidade de gente que gosta fará diferença na sua conta bancária, e aí eu retiro meu comentário)

    • Prezada Katherine,

      Sim, eu só vi o filme. E a crítica é só sobre o filme. Achei ter deixado isso claro, ao me referir sempre a “Jogos Vorazes, O FILME”. Ou seja, não estou julgando os livros, até porque não os li.

      E não faria diferença nenhuma se eu os tivesse lido. O filme não se sustenta sozinho. Essa é a moral da história.

  2. Ok você quis dizer do fillme , mas véi você prefere crepúsculo ? Nossa crepúsculo é muito tosco é uma fadinha que se apaixona por uma garota sem graça e um lobo se apaixona por ela … Nossa , cada um tem a sua opinião mais sinceramente eu não sei como você prefere crepúsculo do que jogos vorazes.Mas quer sabe tbm não vou falar mais nada por que assim como eu não vou mudar a sua opinião eu não vou mudar a minha , prefiro ficar lendo meus livros em paz do que ficar discutindo com um blogueiro que se acha um crítico famoso sendo que o blog nem é conhecido direito.

    • Prezada Katherine,

      Releia o que falo sobre Crepúsculo: “Comparando com outro fenômeno adolescente chato, Crepúsculo ainda ganha mais a minha simpatia, mesmo sendo uma obra cinematográfica hedionda, pela simples questão de parecer filmado em VHS, com efeitos de quinta categoria e atuações da companhia de teatro do bairro. Não é algo que dá pra levar a sério.”

      Não “prefiro” Crepúsculo. Acho horrendo. Mas pelo menos gera humor involuntário justamente por ser TOSCO. Jogos Vorazes é tão bem produzido que não dá pra não levar a sério.

      E não me acho um blogueiro ou crítico famoso. Vira e mexe eu deixo claro que o http://espinafrando.com se trata de um hobby (como no post mais recente).

      Boa leitura, de qualquer forma.🙂

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