Mudinhas de Espinafre [06.09.12]

Mudinhas de Espinafre são pílulas pop, comentários (nem sempre) curtos e sem profundidade sobre coisas bacanas que você deveria ver, ouvir, ler. Ou não.

Séries

(fdp)

Mais uma estreia da HBO, mais uma estreia de seriado nacional. E, para manter a média, mais uma com o selo de aprovação desta verdura que vos escreve.

O tema é futebol. Ou não. A série usa o futiba como pano de fundo, da forma mais incidental possível, para divagar sobre relações humanas. No fundo, é um subterfúgio que meio que toda ficção utiliza com maior ou menor intensidade. Nós, homens e mulheres, somos uma raça narcisista. Nos regozijamos olhando para nosso próprio umbigo. Não que haja algo de errado com isso, como diria Jerry Seinfeld.

Discussões filosóficas à parte (embaladas por chope, altitude e Heinneken —deem um desconto), (fdp) conta a história de um árbitro (como diria Arnaldo), um juiz de futebol, a figura mais comicamente triste que você pode imaginar.

Manja o menino da época da escola que gostava de futebol mas era tão ruim que nem pra catar no gol servia? Esse menino cresceu e escolheu uma profissão odiada por todos que orbitam o mundo da bola: jogadores, técnicos, torcedores, cartolas, imprensa.

O que leva uma pessoa a optar conscientemente por essa espécie de masoquismo é algo que jamais saberemos, até porque não parece ser esse o mote de (fdp) —pelo menos até o segundo episódio.

(fdp)
Pode isso, Arnaldo?

O tal juiz se chama Juarez (ótima e sutil performance de Eucir de Souza) e está na pior. Além das agruras da profissão (a cada final é chamado de filho da puta, daí o nome da série), tem que enfrentar uma separação litigiosa, o distanciamento do filho, uma ex-mulher por quem ainda nutre certa paixão (mas que o odeia profundamente, porque traída e por ter descoberto da pior maneira: adquirindo uma doença venérea do então marido), a falta de grana, conflitos éticos, o embaraço de ter que voltar a morar com a mãe já homem feito —embaraço agravado por ter que conviver com o amante argentino e desavergonhado de sua progenitora— e a expectativa de crescer na carreira apitando jogos da Libertadores.

A jogada do seriado é construir um personagem absolutamente desgraçado, um verdadeiro Murphy (aquele da Lei), instigando o telespectador a acompanhar suas desventuras, à espera pelo ponto de ruptura (dele ou do destino cruel —uma hora alguém tem de ceder). Há algo de Drummond aí: Vai, Juarez, ser gauche na vida. Ou de Sade. O que importa é que o programa é divertido e bem feito. Se todos os programas produzidos pela nefasta lei de cotas da Ancine tivessem essa mesma qualidade, não seria nada mal. O provável é que (fdp) seja exceção. Infelizmente.

Assista aqui o 1º episódio completo:

Web Séries

Comedians in Cars Getting Coffee

Por falar em Jerry Seinfeld, vale a pena conferir sua última empreitada, em formato de web série. Mas só se o seu inglês estiver afiado.

Comediantes em carros indo tomar café. O nome resume bem o show. A cada websódio, Jerry pega um carango de sua coleção, convida um comediante amigo e sai pra dar um rolê em busca de um café. Como bem observou Larry David no 1º episódio (Fusca), Seinfeld finalmente conseguiu fazer um show verdadeiramente sobre nada.

Então, qual é a graça? Ela nasce justamente do bate-papo espontâneo entre mentes aguçadas. O que pode ser uma faca de dois gumes, como acontece com o episódio piloto: são poucas as piadas que arrancam um sorriso, vale mais pela curiosidade de ver os criadores de Seinfeld, a série, em ação —ou da falta dela.

Cada episódio vem acompanhado de “peças sobressalente”, as spare parts, um conjunto de observações que não entraram na edição final. As do piloto acabam sendo mais engraçadas do que o episódio em si.

Comedians in Cars Getting Coffee
It's a show about nothing!

No segundo capítulo, o carro é um roadster inglês e o convidado é Ricky Gervais. Não sei se Jerry pegou o ritmo ou se a culpa é do inglês desbocado criador de The Office, mas esse aqui é engraçado a ponto de cuspir o jantar (quase aconteceu comigo). O ponto alto é o ateu convicto Gervais exclamando inúmeros “Oh, God” e “Jesus Christ“, se borrando de medo enquanto Seinfeld acelera o bólido.

Até o momento em que escrevo, foram liberados mais 4 websódios (e o próximo já está no forno). Não deu pra incorporar a série aqui, mas se ficou interessado, é só acessar o site oficial. Falei que é de graça?

Música

The xx – Coexist

Cover Art

Coexist

The xx

Alternativo

Lançamento: 2012

Duo sensação inglês, The xx explodiu com o álbum de estreia, do qual só ouvi as músicas desse show aí de baixo.

Coexist é o novo disco, que será lançado dia 10 (mas que já dá pra escutar via streaming clicando aqui).

O som é etéreo, constrói um clima denso e é perfeito tanto para ouvir a dois quanto curtindo uma fossa solitária.

Não há uma música de destaque. Ao contrário: Coexist é coeso, parece um álbum conceitual com uma única e longa faixa que dura pouco mais de 30 minutos de deleite. Parafraseando o Ira!, é música calma para ouvidos nervosos.

É possivelmente o terceiro melhor disco do ano e poderia ser trilha sonora de um filme da Sofia Coppola. Fácil assim.

 

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