Mudinhas de Espinafre [15.10.12]

Mudinhas de Espinafre são pílulas pop, comentários (nem sempre) curtos e sem profundidade sobre coisas bacanas que você deveria ver, ouvir, ler. Ou não.

Música

That's Why God Made the Radio – The Beach Boys

Taí um lançamento de 2012 que não recebeu a atenção devida, @espinafrando incluso.

That's Why God Made The Radio - The Beach Boys
That's Why God Made The Radio - The Beach Boys (clique na capa do disco para ir à iTunes Store)

Afinal de contas, um novo álbum dos Beach Boys com o que restou da formação original —incluindo o gênio Brian Wilson, deveria ser um acontecimento midiático de grandes proporções. Algo como um novo álbum dos Beatles.

Beach Boys não é só rockinho dos anos 60, Surfin' Safari e Surfing in USA. Eles cometeram várias das mais belas canções da história da cultura pop. Pet Sounds é até hoje considerado obra-prima (e foi uma das dicas ducas inaugurais do espinafrando.com).

Depois de escutar atentamente as 12 faixas de That's Why…, este é meu veredicto: apesar de histórico, é um disco irregular.

Há verdadeiros abortos da breguice como Spring Vacation e The Private Life of Bill and Sue. Curiosamente, ambas se salvam no refrão.

Parte do que torna a banda brilhante está lá, como as doces harmonias vocais cheias de cânones e as melodias sublimes.

A faixa título é linda, linda, e figuraria fácil entre os melhores trabalhos da turma. Isn't It Time não faz feio. Daybreak Over the Ocean é perfeita para um fim de tarde na praia. From There to Back Again e Summer's Gone são melancólicas na medida, quase lembram as baladas de Pet Sounds.

Ainda assim, não dá pra deixar de lado a incômoda sensação de que tem algo de anacrônico nas composições. O próprio refrão de That's Why God Made the Radio parece deslocado no tempo.

“That's why god made the radio
So tune right in everywhere you go
He waved his hand
Gave us rock 'n' roll
The soundtrack for falling in love
That's why god made the radio

Making this night a celebration
Spreading the love and sunshine
To a whole new generation
Whole new generation”

Enfim, é um disco que agradará os fãs, mas que dificilmente conquistará a nova geração, ainda menos pelo rádio.

Big Daddy Multitude – Mustard Plug

Aproveitando meu aniversário que está chegando, fui atrás dessa pérola do ska que não ouvia há tempos. Quem me apresentou o Mustard Plug foi meu amigo Milton, há uns bons 15 anos, ainda na faculdade.

Big Daddy Multitude é o segundo álbum da banda e é um daqueles discos próximos da perfeição, em que todas as faixas são especiais. Tipo um Vamos Invadir Sua Praia do Ultraje a Rigor.

Além de música porreta, também tem letras inteligentes e engraçadas demais. A síntese é a faixa Average Guy, provavelmente a melhor descrição da juventude americana “empreendedora” e fodida desde O Balconista de Kevin Smith.

“I work at the 7-11,
that's how I get all my pay.
Sometimes I work all the night,
sometimes I work all the day.

I sell junk to all of my friends,
I sell almost everything.
Pizza pies and chicken pies,
even eraseable pens.

I'm just an average guy,
every day I risk my life.
Please don't kill me tonight,
there's only a twenty in the register, alright?

Strange things happen to me every day,
my boss says you just learn to say:
all I do is wait and wait and pray:
“will I make it through another hectic day?”

Every hour I super sceme my life,
my parents wondering if I was raised up right.
I got three cameras to film the bloody sight
of people who may just murder me tonight.

I'm just an average guy,
every day I risk my life.
Please don't kill me tonight,
there's only a twenty in the register, alright?

My work also has it's benefits,
I get to watch people fit all that they can fit
into their coats and pockets with hand
because no one is afraid of the 7-11 man.

Cokes, jelly beans, and bagels so right,
eating packs of chewing gum all through the night.
Six more hours the sun will rise
and I'm just a working man who wants to survive.

I'm just an average guy,
every day I risk my life.
Please don't kill me tonight,
there's only a twenty in the register, alright?”

É ou não é genial? Infelizmente, esse disco é bem difícil de achar por aqui, pois saiu de catálogo. Não está disponível na iTunes Store brasileira, só na americana. Você até encontra importado nas Saraivas da vida, mas pelo quádruplo do preço. A única opção viável é ter a sorte de encontrar num sebo.

Séries Nacionais

Sessão de Terapia

Assisti aos 5 primeiros episódios da tão comentada série do GNT com direção de Selton Mello, o concorrente tupiniquim a uma vaga no Oscar desse ano.

Roteiro e estrutura são originais de Israel e o seriado virou uma franquia bem sucedida pelo mundo. São 5 episódios por semana, 4 dedicados a 4 pacientes e no 5º é o próprio terapeuta quem faz terapia. A adaptação mais famosa (que não vi) é a americana, produzida pela HBO e com Gabriel Byrne no papel principal.

A julgar pela primeira leva, a versão brasileira bem poderia roubar o título daquela peça de Shakespeare, Muito Barulho por Nada.

A direção de Selton Mello é temerosa. As interpretações são muito teatrais e a edição abusa tanto de plano e contra-plano que chega a irritar —a câmera parece estar acompanhando um jogo de tênis de mesa de tão esquizofrênica.

Os casos são pura psicologia de botequim: a balzaquiana que se apaixona pelo terapeuta, o policial egomaníaco que não percebe o autoflagelo pela culpa que acha que não tem, a adolescente do contra, o casal em crise.

Confesso que não desisti já no primeiro episódio somente porque queria fazer uma crítica mais segura.

E, ao final do quinto, uma luz no fim do túnel: contra todas as expectativas, o casal em crise e a terapia do terapeuta trouxeram algum conflito e atuações mais críveis, que finalmente me deixaram com vontade de ver a segunda semana.

A única conclusão no momento é que o começo vacilante mostra que a GNT e Selton Mello não são a HBO. Uma pena.

 

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