Dica Duca – Moonrise Kingdom

…réquiem para um sonho…

Moonrise Kingdom

Wes Anderson. Ame ou odeie. Não há meio termo para o diretor e sua filmografia (Os Excêntricos Tenembaums, A Vida Marinha com Steve Zissou, Viagem a Darjeeling, entre outros).

Isso porque Anderson (nenhum parentesco com Paul Thomas) faz parte de uma raça em extinção: é um cineasta autoral.

Seus filmes tem uma carregada assinatura temática e visual. É impossível de não reconhecer. Já de gostar, são outros quinhentos.

Eu adoro. Então, encare essa dica duca sobre Moonrise Kingdom, seu último filme ainda em cartaz nos cinemas, como uma pregação aos convertidos. Se você não gosta de Wes Anderson, dificilmente eu e o diretor vamos te convencer do contrário. Vá ler umas Mudinhas de Espinafre, outra Dica Duca, gaste seu tempo com um top 3 ou quem sabe com um pouco de Rúcula X Agrião. Se você curte, então vem comigo.

porque é bom

Já no primeiro minuto de Moonrise Kingdom, está ali, escancarado pra quem quiser ver. É um típico Wes Anderson.

A paleta de cores saturadas, o movimento de câmera horizontal seguido pelos sucessivos giros de 90° num tripé. A trilha vintage. Os figurinos hipsters que causam estranhamento.

Moonrise Kingdom

Na cena seguinte, a narração explica uma técnica de composição musical chamada de variações. São movimentos repetidos, o mesmo tema executado de formas diferentes por instrumentos diferentes.

E isso meio que explica também o cinema de Anderson. Uns podem taxar de cinema preguiçoso. Outros podem glorificar como marca de estilo. Ficando na comparação musical, é como Ramones ou AC/DC.

O tema de Anderson é a família. Ou, ainda, o se sentir desajustado em família, fora de lugar.

Seu estilo é o planejamento meticuloso de cada cena e cada enquadramento, com movimentos de câmera suaves mas não naturais. Coisa de obsessivo.

Assim como numa sinfonia, é arte através da pura matemática. Dá quase pra ouvir o metrônomo em seus filmes. Em Moonrise Kingdom (finalmente um título que dá pra traduzir literalmente e a distribuidora opta por manter o original. Hipsters, tsc), dá pra ouvi-lo literalmente, durante os créditos, cheios de serifas e rococós.

Mas tudo isso é embalagem: ainda que bonita, o que importa é o recheio. E o recheio desse filme é suculento e meio-amargo.

porque é duca

Moonrise Kingdom é uma fábula sobre o amadurecimento, a transição da infância para o mundo adulto.

É sobre um órfão escoteiro, uma adolescente com depressão e a descoberta do primeiro amor.

Moonrise Kingdom

É, também, sobre o fim de um amor adulto, que cede sob o peso do casamento.

É sobre o desencanto com a vida.

É sobre se agarrar ao seu objetivo com unhas e dentes e ter sucesso na missão de ser feliz.

É sobre dar o braço a torcer e mudar de opinião.

É tudo isso somado a belas (e as vezes estranhas) imagens, lirismo na narrativa com uma pitadinha de realismo fantástico, uma bela trilha que mistura música clássica e country e rock clássico, um elenco de guris sublimes e boas atuações dos coadjuvantes Bruce Willis, Edward Norton, Tilda Swinton, Harvey Keitel, Jason Schwartzman (primo e frequente colaborador do diretor) e Frances McDormand. Se nada disso te convenceu, só me resta apelar: Bill Murray.

Moonrise Kingdom

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s