espinafrando a estreia: Argo

Argo fuck yourself

O filme acabou há horas e ainda me pego rindo sozinho com essa fala de Argo, dirigido e estrelado por Ben Affleck.

Desde que surgiu ao lado de Matt Damon em Gênio Indomável, Ben foi eclipsado pelo talento do amigo, indiscutivelmente melhor ator. Damon rapidamente se tornou um astro. Affleck ficou com a pecha de canastrão, atuando em comédias românticas e filmes de ação mal dirigidos.

Foi fácil criar a presunção de que Affleck pouco contribuiu para o roteiro oscarizado de Gênio Indomável e que Damon carregou nas costas o amigo de infância sem talento. Basta assistir a um de seus 3 filmes como diretor para colocar a teoria em dúvida, no entanto.

Pegue este Argo, que estreia no circuito em 09/11, mas tem pré-estreias nesse fim de semana em cinemas selecionados (a lista está no fim do post). É fácil cravar como um dos melhores filmes de 2012, mesmo tendo visto poucos filmes em 2012.

A história é incrível demais para ser verdade. Exceto pelo fato de que é real e aconteceu há menos de 35 anos.

1979. A crise Irã x EUA se acirra quando o povo iraniano invade o consulado americano e toma quase todos os que trabalham lá como reféns, até que o xá deposto e exilado nos Estados Unidos seja entregue ao aiatolá Khomeini para ser julgado e enforcado por seus crimes.

Argo

6 funcionários do consulado escapam e são acolhidos clandestinamente na casa do embaixador canadense. É questão de tempo até a milícia iraniana descobrir que os 6 estão faltando, através de um engenhoso esquema em que centenas de crianças juntam os documentos picados do consulado.

Sabendo disso, o governo americano tenta bolar um jeito de extrair os 6 do Irã. Entra em cena o agente da CIA interpretado por Ben Afleck, com o plano mais absurdo e mais plausível dada a situação de vigília no aeroporto: disfarçá-los como uma equipe canadense de filmagem, buscando locações para um filme de ficção científica (obrigatoriamente, os cenários tem o exoticismo do Oriente).

Pra escaramuça colar, é preciso que soe autêntica. A CIA sabe que qualquer um que pareça americano tentando embarcar num voo comercial vai passar por escrutínio, informações serão checadas. Daí vem a necessidade de descolar gente de Hollywood pra dar um verniz de verdade ao filme falso.

O primeiro a ser contatado é John Chambers (John Goodman), um especialista em maquiagem que já trabalhou com o agente Tony Mendez (Affleck). Ele dá o caminho das pedras e indica Lester Siegel (Alan Arkin, estupendo), produtor de cinema outrora prestigiado, mas já em seu ocaso. É ele quem insiste em iniciar a pré-produção, abrir um escritório e convocar a imprensa para uma leitura do roteiro escolhido —Argo, uma bomba-plágio de Star Wars misturado com Flash Gordon, que rodou Los Angeles e foi deixada de lado. É ele quem pronuncia a fala que abre este artigo e que até agora me faz rir, quando um repórter insiste em entender o que significa o nome do filme.

Argo
O trio-parada-dura de Argo

De fato, Argo (o filme de Ben Affleck) é quase perfeito como obra cinematográfica.

A ambientação é muito bem feita, incluindo o uso da música pop (Van Halen, Dire Straits) para ressaltar o espírito da época (Little T&A, dos Rolling Stones, foi escrita em 79, embora só tenha sido lançada em 81, no álbum Tatoo You).

Os atores estão ótimos e transmitem com equilíbrio o humor do absurdo e toda a tensão da trama, que se eleva até o último segundo. E ainda temos Bryan Cranston (Breaking Bad) como Jack O'Donnell, o responsável pela operação na CIA, que tem que rebolar muito para evitar um desastre.

Argo
Todos os Homens do Presidente x Breaking Bad

O texto é muito bem escrito e está recheado de frases memoráveis.

Na verdade, o filme só incorre em 2 erros, que nem de longe tiram o brilho do conjunto.

O primeiro diz respeito à problemática do tema. É um tanto fácil cair na tentação de glorificar o triunfo como um ato de heroísmo americano, deixando de lado a perspectiva de que os Estados Unidos também foram culpados pela situação e consertar a lambança era o mínimo esperado. Affleck quase esbarra nesse limite. Faltou ênfase nas trapalhadas e decisões questionáveis do governo, mas é só.

O outro erro é mais comum e tem a ver com o uso da trilha orquestrada pra carregar na emoção. Isso acontece apenas uma vez e dá pra dar um desconto, mesmo pensando que a trama já é forte o suficiente e se beneficiaria do silêncio musical para criar impacto, como William Friedkin fez em quase todo O Exorcista.

De resto, a turma está de parabéns e você vai perder muito se não for ao cinema conferir esse filmaço. E permaneça na sala durante os créditos, para ver imagens da história real.

Argo

 

Pré-estreias de Argo – 2, 3 e 4 de novembro

Cidade

Cinema

Rio de Janeiro

New York

Rio de Janeiro

Kinoplex Fashion Mall

Rio de Janeiro

Kinoplex Leblon

Rio de Janeiro

Kinoplex Tijuca

Rio de Janeiro

Roxy

Rio de Janeiro

UCI Kinoplex Norte

Rio de Janeiro

Downtown

Rio de Janeiro

Cinépolis Lagoon

Rio de Janeiro

Arteplex Itaú/Botafogo

Rio de Janeiro

Botafogo

Rio de Janeiro

Estação Vivo Gávea

São Paulo

Jardim Sul

São Paulo

Kinoplex Itaim

São Paulo

Santa Cruz

São Paulo

Higienópolis

São Paulo

Iguatemi

São Paulo

Cinépolis JK

São Paulo

Espaço Itaú Pompéia

Guarulhos

Cmk

Brasília

Park Shopping

Brasília

Pier

Brasília

Espaço Itaú cinema

Brasília

Iguatemi

Belo Horizonte

Savassi

Belo Horizonte

Diamond

Belo Horizonte

Boulevard

Belo Horizonte

Del Rey

Porto Alegre

B.Sul

Porto Alegre

Iguatemi

Porto Alegre

Moinhos

Porto Alegre

Arteplex Itaú

Recife

UCI Kinoplex Recife Shopping

Recife

Cinépolis Jaboatão

Fortaleza

UCI Ribeiro Iguatemi

Fortaleza

Via Sul

 

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