Dica Duca – JCVD

…retroceder nunca, render-se jamais…

Na virada dos 80 para os 90, vivemos uma pequena febre do gênero luta. Foi a época de Street Fighter 2, Pit Fighter e Mortal Kombat tomarem conta dos fliperamas e videogames 16 bits. Foi também o auge de Jean-Claude Van Damme —quem nunca vibrou com o embate entre Van Damme e o temível Chong Li em O Grande Dragão Branco?

Pit Fighter, Street Fighter 2, Mortal Kombat
Quem aí lembra de Pit Fighter? Brutality Bonus!

Os 90 passaram, assim como os 00. Jean-Claude Van Damme foi pro limbo. Os asiáticos retomaram a primazia do gênero. O belga virou um pastiche de si mesmo. A ereção ao lado de Gretchen e Gugu em pleno Domingo Legal foi apenas um de seus pontos baixos.

Em 2008, Van Damme executou seu canto do cisne: o sensacional JCVD, que aportou recentemente no Netflix.

porque é bom

JCVD não só é o melhor filme de Jean-Claude Van Damme (o que não é um feito difícil), como também é um dos filmes mais curiosos já feitos, por tratar da desconstrução de um ex-astro com o próprio protagonizando a farsa.

Jean-Claude Van Damme faz o papel de Jean-Claude Van Damme, o ator belga que conquistou Hollywood em sua juventude com seu caratê e que agora não passa de uma sombra do que já foi.

JCVD

Quebrado financeiramente, tem que se prestar a filmes terríveis de baixo orçamento para garantir um contra-cheque. A idade e a vida desregrada cobraram seu preço, as peripécias perante as câmeras já não saem tão facilmente.

Pra completar, enfrenta um processo jurídico que pode lhe custar a guarda da filha. E, sem dinheiro, sem advogado.

Jean-Claude volta para a Bélgica. Pega um táxi no aeroporto e vai para uma agência do correio em busca de um vale-postal, já que seus cartões de crédito foram cancelados por falta de fundos.

Após entrar na agência, um tiro é disparado. Um policial nas imediações corre para ver o que houve. A última coisa que vê é Van Damme empurrando uma barricada para fechar a janela. E aí é recebido por uma saraivada de balas.

Reforços chegam e isolam a agência. O público se aglomera ao ver na TV que o ator decadente tomou reféns. Começa a negociação para libertá-los, e isso é tudo o que posso contar para não estragar o filme.

porque é duca

JCVD não é o típico filme do Van Damme. Diabos, JCVD é um filme que não tem nada de típico.

Puxando pela memória, não me lembro de nenhuma obra que seja uma sátira do próprio protagonista.

Há, inclusive, um discurso surreal no meio do filme, em que Van Damme faz um gigantesco mea culpa falando diretamente para o cinespectador, uma verdadeira confissão de todos os seus pecados, uma coisa sem precedentes.

O tom da farsa é tão realístico que é difícil separar a ficção da verdade. É como um reality show elevado a enésima potência.

Pra completar, a trama policialesca é ótima, casando perfeitamente com a narrativa não-linear. O roteiro é tão bem construído que tudo pode acontecer até que os créditos comecem a subir.

Mais impressionante do que tudo isso é a performance magnífica de Jean-Claude Van Damme. E nunca falei algo assim tão isento de ironia ou sarcasmo em toda a minha vida.

Dê uma chance à JCVD. Até a vinheta da produtora no início é genial! Você não se arrependerá se prestigiar essa pérola da cultura pop.

 

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