espinafrando a estreia: O Hobbit em 48 FPS

Depois de assistir O Hobbit – Uma Jornada Inesperada do jeito mais convencional possível (projeção em 35mm, 2D e 24 quadros por segundo), fui conferir como o filme se sai no outro extremo: projeção digital em IMAX, em 3D e 48 FPS (frames per second, ou quadros por segundos), chamado lá fora de The Hobbit HFR (high frame rate, ou taxa alta de quadros).

Alardeada como a nova revolução do cinema desde que Peter Jackson começou as filmagens, a inovação tecnológica causou muita controvérsia em exibições-teste. A ponto dos estúdios Warner Bros. lançarem um FAQ meia-boca que ressalta que você pode assistir O Hobbit no formato em que quiser.

(provavelmente, este também foi o motivo da cabine de imprensa no Brasil ter apostado na exibição tradicional —pra que o foco não fosse tirado do roteiro, atuação, trilha e direção)

Pois bem. Como foi assistir ao Hobbit pela segunda vez?

Sobre o aspecto central, estou satisfeito com a primeira análise e não tenho nada a acrescentar além de ter achado o filme adorável. Talvez até tenha pegado um pouco pesado com a cena do arroto, afinal de contas.

O Hobbit - Uma Viagem Inesperada

O que nos leva direto ao propósito deste post: os tais 48 FPS.

Os primeiros 5 minutos são de pura adaptação para os olhos e cérebro. Os movimentos parecem estar em câmera acelerada, como num filme do Carlitos.

Passado o choque inicial, começa o deslumbramento. Tudo parece mais nítido. É como se a ação fosse ao vivo, acontecendo na sua frente. O CGI se mescla melhor com o real.

Aí começam os movimentos rápidos de câmera e a coisa toda meio que vai pro vinagre: a combinação da imagem hiper-realista com travelings e ângulos que fogem do ponto de vista ordinário parecem causar um curto-circuito na decodificação da imagem no cérebro, que apenas grita “ARTIFICIAL”. É o lance de querer ser mais real do que o rei. Felizmente, são poucos esses momentos em que você é “transportado” do cinema para uma grande televisão Full HD.

Se existe uma grande vantagem no excesso de quadros por segundo, é que o sistema funciona maravilhosamente bem com o 3D. A explicação técnica é que a ilusão de movimento fica muito mais próxima do que o olho humano consegue processar. A explicação sensorial: em 2 horas e 49 minutos de filme, não houve perda de brilho e cores e o único cansaço foi de usar os óculos. Nem um pingo de enjoo ou enxaqueca durante e após o filme são uma verdadeira vitória!

O Hobbit - Uma Viagem Inesperada

Dito isso, o 3D d'O Hobbit é muito bem realizado. O filme ganha profundidade visual, os belos cenários crescem e a narrativa ganha (mais) vida. Há uma cena em especial, em que Balin conta para Bilbo a história de como Thorin ganha seu apelido, onde a terceira dimensão é usada de forma linda: a câmera está fechada em Thorin e começa a se afastar revelando os anões literalmente em primeiro plano, admirando o líder.

No geral, achei a experiência toda interessante, mas longe de revolucionária. Ainda sou do time que acredita que se o cinema quer criar um diferencial irresistível em relação aos home theaters, deve investir no formato IMAX, muito mais imersivo e que não causa desconforto. O dia em que as câmeras IMAX deixarem de ser pesadas, caras e barulhentas, possibilitando aos cineastas contarem toda a história no formato (ao invés de apenas trechos, como nos 2 últimos Batmans de Nolan, no MI:4 de Brad Bird e no vindouro Star Trek – Além da Escuridão de J.J. Abrams) será o dia em que o cinema vencerá uma importante batalha contra o entretenimento caseiro. Afinal, por mais que a tecnologia avance, não vejo casas ou apartamentos com espaço para uma tela de 16 metros de altura.

O Hobbit - Uma Viagem Inesperada

Voltando aos 48 FPS, o destaque negativo fica por conta do marketing, mais precisamente da falta de informação no ponto de venda. A divulgação d'O Hobbit HFR ficou restrita à mídia especializada, e mesmo assim foi confusa. Se não soubesse antecipadamente que o IMAX do Cinépolis JK era o único no Brasil projetando O Hobbit HFR 3D (denominação que inclusive foi totalmente ignorada por estas bandas), estaria em dúvida até agora: não há nenhuma referência ao formato na bilheteria, nos cartazes, no site ou mesmo no ingresso.com. Até tentei ligar para o cinema para confirmar antes de comprar, mas foram 3 dias chamando sem ninguém atender. Aí fica difícil.

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s