Dica Duca – Sherlock

…elementar!…

Ah, o final do ano! Época de festas, de ficar com a família e de, sejamos sinceros, muita preguiça. Até para hobbies.

Mas final do ano também é época de lista de melhores e piores. A do espinafrando.com deve sair no dia 31, e como esse seriado não pode ficar de fora, é hora de deixar o ócio de lado para a provável última dica duca de 2012: Sherlock.

porque é bom

Desde que Sherlock foi ao ar na BBC em 2010, estive ansioso por assistir essa minissérie em 3 capítulos, de 1 hora e meia cada.

Sherlock - BBC

O motivo? Praticamente todos os artistas anglófonos que sigo e respeito só tiveram coisas boas pra falar sobre o seriado. Gente dos quadrinhos, da TV e do cinema. Sabe como é, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar e tal…

Felizmente, a primeira temporada de Sherlock entrou no catálogo do Netflix neste fim de ano. E a boa notícia é que toda essa turma tinha razão: Sherlock é um dos melhores seriados a que já assisti.

A atualização das aventuras de Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) e do Dr. John Watson (Martin Freeman) para a época presente funciona surpreendentemente bem. É quase como se a dupla tivesse sido criada por Sir Arthur Conan Doyle especificamente para fazer uso de smartphones e blogs em suas investigações.

Em cada episódio, Holmes e Watson investigam casos intrincados que a polícia metropolitana chefiada por Lestrade (Rupert Graves) não é capaz de resolver sozinha. E todos os casos desembocam em algo maior, com o nome Moriarty, tradicional arqui-inimigo de Sherlock Holmes, por trás de tudo.

Sherlock Holmes / Benedict Cumberbatch

O brilhantismo do raciocínio dedutivo de Holmes, que se auto intitula “consultor investigativo”, é assombroso e só se compara à sua incapacidade de interação social. De certa maneira, e vou me odiar por fazer esta comparação, o Sherlock de Cumberbatch se assemelha ao Sheldon Cooper de The Big Bang Theory. Mesmo que seja um Sheldon mais vivaz, prático e ativo. Sherlock é egocêntrico, ávido por uma plateia para demonstrar ser o melhor no que faz. Nem que para isso tenha que colocar vidas em risco (calculado). Inclusive a sua própria.

Sherlock vs. Sheldon
Sherlock vs. Sheldon (note o SH. Coincidência?)

O John Watson de Freeman faz o complemento perfeito e a ponte com o telespectador. O médico que serviu na Guerra do Afeganistão tem o brilho característico que Martin Freeman imprime ao interpretar homens comuns, embora o Dr. Watson não tenha nada de ordinário. Ao contrário da maioria, que se irrita com o jeito de Sherlock, John sempre fica maravilhado com a inteligência de Holmes e faz às vezes de Grilo Falante, uma bússola moral para a frieza pragmática de Sherlock.

Dr. John Watson / Martin Freeman

A dinâmica entre os dois excelentes atores dá um toque de humor sutil ao seriado, incluindo aí as piadas sobre sexualidade que também estiveram presentes na relação entre o Holmes de Robert Downey Jr. e o Watson de Jude Law nos filmes mais recentes.

(esse viés homoerótico estava presente nos livros ou é coisa de nossa época? Preciso voltar à Sir Arthur Conan Doyle pra tirar essa dúvida…)

Holmes & Watson
Elementar, meu caro Watson?

Ao contrário dos filmes de Guy Ritchie, que mantém a ação na Londres vitoriana e tentam injetar modernidade nos enquadramentos e na edição, gerando um pastiche de James Bond misturado com Piratas do Caribe, o Sherlock da dupla responsável pela atual fase de Doctor WhoSteven Moffat (criador do divertido Coupling) e Mark Gattis (que além de escrever, também atua no seriado como o impagável Mycroft Holmes)— consegue manter a essência do personagem intacta, mesmo que com uma tonelada de adaptações.

porque é duca

É seguro afirmar que o parente mais próximo do Sherlock da BBC é O Enigma da Pirâmide (também disponível no Netflix), um dos filmes mais legais da década de 80, com Barry Levinson (Rain Man, Bom Dia Vietnã) na direção e Spielberg como produtor. Inclusive, Benedict Cumberbatch lembra tanto a atuação quanto os traços de Nicholas Rowe, o jovem Sherlock Holmes d'O Enigma.

O Enigma da Pirâmide vs. Sherlock
Eu sou você amanhã.

Divertido, instigante, ousado, violento, inteligente, bem produzido, com direção segura, uma trilha sonora animal e um show de atuação e roteiro. Sherlock é aposta certa para qualquer ocasião.

A estrutura de 3 longos episódios por temporada ajuda a distanciar Sherlock de uma simples série, principalmente se você fizer uma maratona no Netflix, sem intervalos comerciais: a experiência se assemelha a de um longa-metragem.

O único porém é o fim abrupto do 3º episódio, num gancho exasperante que me fez xingar muito a equipe de roteiristas por ter que esperar a resolução na 2ª temporada. Atenção, Netflix: negocia logo essa licença pra não nos (me) matar de ansiedade! Quero voltar o mais breve possível à Baker Street, apartamento 221B.

Baker Street, 221B

Talvez, o melhor elogio para a produção da BBC é que o principal efeito pós-série é te fazer sair correndo atrás dos livros de Sherlock Holmes. Sinal de que tudo deu muito certo, obviamente.

 

2 comments

  1. Amigão, eu e a Maria somos viciados nesse seriado. Temos todos os blu-rays das primeiras duas temporadas e estamos aguardando ansiosamente a chegada da terceira no Brasil. Quando o senhor nos fizer uma nova visita, podemos assistir juntos. Saudades, amigo. Forte abraço!

    • Que demais, compadre! Onde conseguiu comprar??? Preciso ver urgente a 2ª temporada!

      Grande abraço! Qualquer hora dessas a gente se encontra!

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