L.O.A.S. – O Mestre

Correndo o risco de bancar o retardado e de jogar fora toda a credibilidade que um dia eu viesse a construir, tenho de dizer que achei O Mestre um tremendo abacaxi.

The Master / O Mestre

Não sei como, nem porque. Mas o filme que a crítica é unânime em achar maravilhoso e que a falta de indicação talvez tenha sido uma das maiores injustiças deste Oscar, eu simplesmente detestei.

E o pior é que tive que rever uma série de conceitos.

Sempre acho um absurdo quando alguém reclama de um filme ser muito longo. Sou do time do quanto mais filme, melhor. Mas os 144 minutos de O Mestre parecem dias trancado em uma solitária sem comida, água e luz do sol. Talvez, se Paul Thomas Anderson cortasse, digamos, 1 hora e meia, o filme se tornasse palatável.

Outra idiossincrasia particular é abominar toda e qualquer crítica que considera determinado filme “parado”. É o cúmulo da crítica rasa. Adoro filmes que concentram a “ação” no embate ideológico entre dois ou mais personagens. Adoro filmes contemplativos, que constroem a narrativa quase que através de fotografias ao invés de fotogramas em movimento frenético, que dão tempo para pensar e absorver. Mesmo assim, O Mestre desafiou os meus limites e fui praticamente obrigado a chamá-lo de “parado”. E não é que nada aconteça, até acontece, mas é simplesmente tão desinteressante que a sensação que fica é que o roteiro sai de nenhum lugar para chegar a lugar nenhum. Não é que haja dúvidas ou abertura à interpretação: apenas pasmaceira habita O Mestre.

O tão propalado duelo de atuações entre Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix (atores que adoro incondicionalmente) não acontece. Seus personagens são tão vazios de propósito que acabam refletindo negativamente na atuação. São caricaturas vivas na maior parte do tempo, com um ou outro lampejo de genialidade —não por acaso nos momentos de silêncio, quando só a expressão corporal precisa de eloquência.

Joaquin Phoenix & Philip Seymour Hoffman
Parece até que Phoenix e Hoffman deixam transparecer o quanto The Master é enfadonho…

Da trinca indicada ao Oscar, só Amy Adams (cada vez mais parecida com Jenna Fischer) se sobressai como atriz. E sua personagem é tão insignificante que tem apenas uma meia dúzia de falas, todas estereotipadas até o talo.

Amy Adams vs. Jenna Ficher
Não é à toa que a pesquisa do Google sugere ‘Amy Adams The Office’ antes de ‘Amy Adams The Master’

Não há conflito suficiente, mesmo que psicológico. Não há nem mesmo a polêmica. Quem já acha a cientologia e outras crenças similares puro mambo jambo, continuará achando picaretagem. Quem acredita nos poderes da fé e do oculto, continuará firme em seu credo. Simplesmente porque o filme não dá espaço para questionamentos de ambos os lados.

Quer ver a psicose pós-guerra retratada numa atuação visceral? Esqueça o Fred Quell de Joaquim Phoenix. Até o Peter Evans de Michael Shannon em Possuídos (do bom e velho William Friedkin) o deixa no chinelo.

Fred Quell vs. Peter Evans
Evans faria Quell se mijar todo. E sem nem suar.

A trilha sonora do radiohead Jonny Greenwood? Superestimada.

Se já é difícil para eu entender como um cineasta que fez um filme tão perfeito e instigante quanto Boogie Nights é capaz de cometer algo tão sonso (ou insosso) quanto O Mestre, imagine então entender o que a crítica viu de tão genial nisso.

Mas se você assistiu e achou a quintescência do cinema no século XXI, não se sinta ofendido e nem questione sua opinião. O problema provavelmente está em mim. Devo ter sofrido um derrame ou algo do gênero. Ou então emburreci de vez. Talvez, cientólogos tenham me abduzido e lavado meu cérebro (até sinto um odor de produto limpeza). Ou vai ver que O Mestre é ruim mesmo e eu tenha direito a minha opinião. O mundo tem sido um lugar tão louco ultimamente que até a liberdade de pensamento e de expressão pode vir a existir. Quem sabe?

 

4 comments

  1. Parabéns pela coragem, concordo contigo em todos os aspectos.

    Costumo ser apedrejado por pensar diferente da grande maioria, então é sempre bom prestigiar quem pensa como eu e argumenta tão bem.

    Não se preocupe, a culpa não é sua, acredito que seja de pessoas que muitas vezes nem entenderam o filme mas pagam de intelectuais, já que é cult falar de PTA, Scorsese entre outros, parece que nunca erraram.

  2. concordo plenamente com os dois acima… saí ao final do filme com a mesmíssima sensação de vocês, de que realmente devo estar louco por não conseguir ver tudo o que todo mundo diz que viu no filme… e olha que sou fã do PTA principalmente por magnolia… mas já estava desconfiado dele desde o SANGUE NEGRO, já que ao final do filme costumo perguntar pro diretor, como se tivesse conversando com ele, “BELEZA, ENTÃO, OQUE VOCÊ QUERIA DIZER COM TUDO ISSO? GASTOU TODA ESSA GRANA PRA DIZER SÓ ISSO, OU NEM CONSEGUIR DIZER, JÁ QUE NINGUÉM ENTENDEU O FILME DESSE MODO QUE VOCÊ QUERIA? E O DESFECHO, E A CONCLUSÃO, AONDE FICAM?” e por aí vamos… fiz o mesmo do também superestimado CLOUD ATLAS, de quem também esperava muito, e não sobrou nada… e justamente dos que nada esperava e que a crítica especializado ESPINAFROU (perdão pelo trocadilho hehehe)foi com os quais mais me diverti surpreendentemente, como LOOPER e o mal chamado reboot de VINGADOR DO FUTURO…

    por enquanto é isso moçada, valeu espinafrando…

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