Dica Duca – Ex Machina

…pode parecer um gibi, mas, na verdade, é uma tragédia…

Outra saga de Brian K. Vaughan que se encerra pela Panini.

Já falei brevemente dela em outra dica duca, mas o conjunto da obra completa é tão arrebatador que merece mais algumas linhas à respeito.

Ex Machina

porque é bom

Ex Machina é a história do prefeito mais extraordinário que Nova York já teve: Mitchell Hundred.

Extraordinário em mais de um sentido: além de ser eleito como um candidato independente e de fazer política sem rabo preso, visando o bem da população (e irritando Democratas e Republicanos), Mitchell também foi super-herói na acepção da palavra —um cara com superpoderes que se autointitulava A Grande Máquina.

Ex Machina

Antes que você que não é leitor de quadrinhos torça o nariz por puro preconceito, saiba o seguinte: Ex Machina não tem nada de juvenil, traz uma abordagem realista e discute temas como o direito ao aborto, união civil homossexual, políticas contra racismo, liberdade de expressão, ensino público, corrupção, comércio esotérico, preconceito contra credo e extremismo religioso, pena de morte, política anti-drogas, terrorismo. Às vezes, de um jeito mais plural e profundo que em muitos veículos “sérios” da imprensa.

O superpoder de Mitchell Hundred está intimamente ligado à sua eleição para prefeito. Engenheiro civil chamado para investigar um incidente na ponte do Brooklin, entra em contato com um artefato possivelmente alienígena que o transforma numa espécie de Preacher tecnológico: consegue se comunicar com máquinas e fazer com que o obedeçam. Nerd de quadrinhos, decide tomar o caminho do Homem-Aranha e usar seu dom como justiceiro encapuzado, com o apoio de 2 amigos. Tudo muda em 11 de setembro de 2001, quando A Grande Máquina consegue impedir que um dos aviões se espatife contra uma das torres do World Trade Center, simplesmente ordenando que desvie a rota. Aproveitando a fama, ele desiste da carreira de herói, revela sua identidade e lança sua candidatura, pensando que pode fazer mais pela cidade como prefeito.

Ex Machina

Desde as primeiras páginas, sabemos que o fim do mandato será trágico, nas palavras do próprio personagem. O como e o porquê, vamos descobrindo aos poucos, num quebra-cabeças em forma de flashbacks não-lineares.

Cada salto no tempo é uma peça que faz avançar a história, iluminando as ações que constroem o caráter de Hundred. Descobrimos o que o motivou a se tornar um super-herói e o que o fez abdicar dessa posição. Às vezes, voltamos até a infância do personagem para entender suas relações no presente. Vemos seus erros e acertos na prefeitura, lidando com a imprensa e com lados mais obscuros da máquina política. E, claro, vivenciamos seus dias de glória como A Grande Máquina, somos apresentados a seus arqui-inimigos e aos desdobramentos bizarros que envolvem o tal artefato “alienígena”.

Aos poucos, entre as tramas políticas e heróicas, começa a emergir algo maior, uma ficção científica apocalíptica de gelar a alma, uma conspiração sem precedentes, que desemboca num dos finais mais aterradores de que se tem notícia.

E Mitchell Hundred tem razão. É tragédia pura.

porque é duca

Em certo sentido, Ex Machina é o Watchmen dos anos 2000. Se não traz a originalidade em seus temas “o que aconteceria se existissem super-heróis no mundo real” e “super-herói no governo” (respectivamente, Watchmen e Miracleman, ambas por Alan Moore e a segunda também por Neil Gaiman), ou até mesmo em sua estrutura, Ex Machina é tão brilhante quanto em sua narrativa.

Brian K. Vaughan é um dos melhores roteiristas da atualidade e sabe como ninguém desenvolver uma história com a dose certa de suspense. Inclusive dando ares de novidade a clichês desgastados, como prova novamente em Saga, sua última obra em quadrinhos.

A arte sóbria de Tony Harris (baseada em fotografias), num casamento perfeito com as cores de JD Mettler e a arte-final de Tom Feister e Jim Clark, completam o enredo fantástico, construindo uma história mais instigante que 95% do que se vê na ficção atual. E pode colocar cinema, TV e literatura na roda. Ex Machina é leitura obrigatória!

E fica o conselho de amigo: cuidado para não machucar o queixo na última edição. Certeza que vai bater no chão.

Ex Machina

P.S.

Recomendo os 10 encadernados da Panini, que fez um bom trabalho de edição. Mas aproveite para experimentar a 1ª edição em formato digital, que está grátis no ComiXology.


EX MACHINA ISSUE #1

Publisher:DC Comics

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