espinafrando a estreia: Caça aos Gângsteres

Ambientado na Los Angeles do pós-guerra, em 1949, Caça aos Gângsteres conta a história real de uma força-tarefa do Departamento de Polícia, que tinha como objetivo derrubar o império ilegal de Mickey Cohen (Sean Penn), gângster que domina o submundo e controla boa parte da cidade.

Caça aos Gângsteres

A diferença é que essa equipe é tão clandestina quanto seu objetivo, pois a maioria dos policiais também está no bolso de Cohen. Cabe, então, ao chefe Bill Parker (Nick Nolte) convocar o mais honesto e idealista policial que lhe apareceu na frente: o sargento John O'Mara (Josh Brolin), que acabara de desmontar um bordel do mafioso. Herói de guerra, com uma esposa grávida e inconformado com a cidade aos pés de Cohen, O'Mara aceita o desafio para fazer justiça com as próprias mãos. Afinal, essa missão está fora dos registros e não há limites nessa guerra ao crime organizado.

Caça aos Gângsteres

Assim, O'Mara recruta os homens mais adequados para a tarefa (os atores Robert Patrick, Michael Peña, Giovanni Ribisi e Anthony Mackie). Além destes, entra para o time Jerry Wooters (Ryan Gosling), um elegante policial de fala mansa que não queria se envolver nesta disputa de território, mas que muda de ideia após testemunhar a morte de inocentes bem na sua frente. Para complicar o quadro, Wooters envolve-se justamente com a garota de Cohen, a sedutora Grace Faraday (Emma Stone). Coisa boa não vai sair daí.

Caça aos Gângsteres

Tem algo de incomum neste Caça aos Gângsteres. Ok, não incomum; estranho mesmo. A temática retrô, o clima noir… tudo colabora para uma pré-imagem muita clara do que se espera de um filme assim. E a primeira comparação que vêm à mente é com o clássico absoluto Os Intocáveis, de Brian De Palma. Uma equipe de policiais disposta a tudo para derrubar um grande gângster (no caso, o mítico Al Capone interpretado por Robert De Niro). Mas De Palma soube, como ninguém, utilizar recursos cinematográficos contemporâneos, à época de sua realização, e incorporá-los a um filme de época. Outro exemplo é o que Ridley Scott fez em Gladiador, onde usou e abusou de recursos digitais que pudessem enriquecer sua narrativa épica da Roma Antiga, sem chamar atenção para eles.

E foi nesse ponto que o diretor Ruben Fleischer (do pequeno grande cult Zumbilândia) perdeu a mão. Para dar uma nova roupagem ao gênero, armou-se com uma linguagem ultra-moderna de truques de edição, ultra câmera lenta, movimentos de câmera virtuais (como as peripécias que David Fincher inseriu com maestria em obras como O Quarto do Pânico)… e por aí vai. Não chega a ser um filme afetado ou epilético à la Tony Scott ou Guy Ritchie, mas certamente passou do ponto.

Fica nítido que essa abordagem é para seduzir ainda mais o público adolescente americano, que ultimamente é a grande fatia que interessa aos estúdios de Hollywood. Um filme com um quê de “geração MTV” (por mais que a MTV hoje em dia não tenha mais esse mesmo siginificado)

A questão não é de conservadorismo em relação à época, mas de usar os recursos à disposição para servir à história, e não simplesmente colocar floreios moderninhos para emoldurar a trama.

Fleischer já se mostrou bem contemporâneo em Zumbilândia, e aquele registro (e a ironia do material) pedia uma linguagem diferente. E tudo se encaixou. Mas aqui, esse verniz pop respingou para fora do quadro.

Caça aos Gângsteres

No geral, Caça aos Gângsteres tem um andamento acelerado e um tanto de violência gráfica, principalmente no início. E Sean Penn, malvado até a medula, tem sua pior interpretação em anos. Careteiro como um De Niro dos últimos tempos. Além disso, tem uma maquiagem radical em seu nariz, que o candidata seriamente para a trupe dos vilões de Dick Tracy, de Warren Beatty.

Caça aos Gângsteres

Emma Stone funciona como femme fatale. Nem sempre é bonita (basta ver Superbad). Ela não tem uma beleza clássica, mas sabe valorizar bem o que tem.

Mas o filme pertence mesmo a Ryan Gosling e Josh Brolin. Ambos são astros em ascensão, e participar de um projeto como esse só solidifica suas posições no status quo. Gosling está cool na medida, e Brolin mostra que finalmente está apto para a função de protagonista de uma grande produção, com carisma de sobra para ser o herói da vez. Já mostrou serviço em Onde Os Fracos Não Têm Vez (onde ele merecia uma indicação ao Oscar), Milk e Homens de Preto 3. Basta escolher os convites certos, e fugir de bombas como Jonah Hex (deu até calafrio de lembrar).

Caça aos Gângsteres

E Fleischer, apesar dos equívocos, mostra que sabe conduzir um orçamento grande. Só precisa acertar o ponto da mistura na próxima vez.

 

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