Mudinhas de Espinafre [12.03.13]

Mudinhas de Espinafre são pílulas pop, comentários (nem sempre) curtos e sem profundidade sobre coisas bacanas que você deveria ver, ouvir, ler. Ou não.

filmes

Meia-Noite em Paris

Há pelo menos duas décadas, escuto a crítica soltar o mantra: “é um Woody Allen menor, mas ainda assim um Woody Allen menor é melhor do que 90% do que está em cartaz atualmente”.

Pois bem, Meia-Noite em Paris parece ser uma resposta bem-humorada à crítica, já que trata exatamente do desprezo endêmico pelo presente em detrimento ao passado idealizado, ou a Síndrome da Era de Ouro.

Meia-Noite em Paris / Midnight in Paris

É um filme divertido, verdadeiro álbum de figurinhas da arte, música e literatura dos anos 20. Um filme pop em sua essência, cheio de diálogos engraçados, espécie de cruzamento entre De Volta para o Futuro, Inception e Cinderela (com a pegada Woody Allen, é claro).

Traz ótimos coadjuvantes (destaque para o Loki Tom Hiddleston como F. Scott Fitzgerald, Corey Stoll —o congressista Peter Russo de House of Cards– como Ernest Hemmingway, e a encantadora Marion Cotillard no papel de Marion Cotillard), mas peca na escalação do inexpressivo Owen Wilson como protagonista, um dos piores atores de sua geração. Mesmo assim, uma ótima matinê.

Meia-Noite em Paris é perfeito para nos lembrar que o pop de ontem é o cult de hoje.

hq digital

Marvel #1

O que acontece quando a maior editora de quadrinhos de super-heróis do mundo anuncia no festival cultural South by Southwest que distribuirá DE GRAÇA mais de 700 edições número 1 de suas séries para todo o mundo?

O caos, meus amigos. Acontece o caos.

Marvel #1

A Marvel foi a responsável pela proeza, que além de agradar ao público, também serve como importante instrumento de marketing. Mais do que colocar a marca em evidência, a distribuição da 1ª edição de uma história serializada é o melhor jeito de fisgar novos viciad… er… novos leitores.

O lance todo deveria ter acontecido através do nosso bom e velho conhecido ComiXology, começando neste domingo e valendo até terça-feira. Havia de tudo um pouco: séries novinhas em folha como The Uncanny Avengers (por Rick Remender e o inacreditável John Cassaday) e All New X-Men (com roteiros do Brian M. Bendis), FF (arte do sempre brilhante Mike Allred!) e Young Avengers (pela dupla Kieron Gillen & Jamie McKelvie); mega-eventos como AvX e Guerra Civil; as primeiríssimas edições clássicas de Vingadores e Quarteto Fantástico; e mais uma série (com o perdão do trocadilho) de coisinhas apetitosas.

O leitor mais atento deve ter notado os verbos no passado. Deveria e havia porque os servidores simplesmente não aguentaram o tranco. Inclusive causando efeitos colaterais, como o sumiço de toda a biblioteca de compras anteriores dos usuários da plataforma e a impossibilidade de vender HQs para todas as outras editoras sob o guarda-chuva do ComiXology (da gigante e concorrente DC a editoras independentes como a MonkeyBrain, que só publica digitalmente).

Resultado: o CEO do ComiXology teve de vir a público para se desculpar e anunciar que a promoção está em “pausa” (até que a equipe técnica bole uma maneira de atender a demanda), e para assegurar que todos terão direito a seus gibis digitais gratuitos.

O Comics Alliance publicou um editorial superinteressante sobre os perigos da economia baseada na Nuvem e até o desleixo das grandes companhias tentando se adaptar a uma nova realidade de negócios —artigo que você pode ler aqui, em inglês.

O mais engraçado (ou triste, para ser mais exato) foi acompanhar o poder de avalanche das redes sociais. Quando a situação parecia estar perto de se normalizar, bastava um autor popular como Brian M. Bendis anunciar o fato no Twitter para a turba desenfreada de dezenas de milhares de seguidores inundar os servidores com suas requisições e travar tudo novamente em questão de segundos. É de se pensar o que aconteceria se algo ainda maior ocorresse com algum artista mainstream (digamos, se o U2 liberasse sua discografia de forma gratuita no iTunes por algumas horas).

Não tá fácil pra ninguém…

Quem diria que o aparentemente infinito conteúdo digital poderia ficar em falta?

 

3 comments

  1. Bingo! Achei “Meia noite em Paris” um filme divertidíssimo.
    Quando quiser, tenho em DVD em casa…
    Ainda está me devendo aquela sessão Sherlock…

    • Pois é, estou louco pra fazer essa sessão… Tenho que pensar nessa logística pra próxima visita!

  2. Ah, e esqueci de concordar com a parte mais importante! Você disse exatamente o que eu pensei!!!
    Owen Wilson?!?!?! C’ome on!?!?!?!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s