L.O.A.S.palooza

Lollapalooza do Sofá – um balanço preguiçoso

Bem, não deu pra conferir o Lollapalooza in loco por motivos de preços abusivos (não, não sou estudante e me recuso a entrar na farra da carteirinha falsa). A alternativa foi acompanhar a transmissão do Multishow e, mesmo assim, não deu pra ver tudo —feriadão de Páscoa, aniversário do filho da prima e duas viagens, sabe como é. Então, um rápido balanço do que pude assistir.

#lollanosofá

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A impressão que fica é que 2 dias de festival davam conta do recado. A grande maioria foi de shows mornos, para tapar buraco.

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Não sei como estava o som no Jockey, mas pela TV a sensação é que: a) não souberam microfonar direito os instrumentos (a bateria sempre esteve apagada) e/ou b) a mixagem na mesa de som foi completamente amadora (só o vocalista principal se sobressaía, guitarras apagadas, baixos inexistentes).

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No 1º dia, o destaque ficou com Of Monsters and Men: convenhamos que não é fácil para uma banda relativamente desconhecida do público segurar a peteca durante uma hora de show no meio da tarde e debaixo de chuva, e foi exatamente o que o OMaM fez. Muita simpatia, música alegre e bem tocada (a despeito de metade do show ter se passado com o microfone da Nanna Bryndís Hilmarsdóttir num volume extremamente baixo), fez o público dançar e bater palmas. Gosto de bandas que criam uma identidade forte a ponto de se apropriarem de músicas de terceiros, como foi o caso com a cover dos Yeah Yeah Yeahs!

The Temper Trap: não foi (de todo) mal, mas não deu pra aguentar mais do que meia hora dum rockinho esquálido.

Cake: um bolo que passou do ponto. Chato e tocando mal como banda de colégio, até levantou a plateia com seus hits. E deu outro sentido à palavra tenebroso quando resolveu fazer cover de War Pigs do Black Sabbath.

The Flaming Lips: deixou a plateia em peso com cara de interrogação diante de Wayne Coyne e seu bebê tecnoorgânico. Apresentou várias inéditas de seu próximo disco, um som mezzo gótico, mezzo progressivo, que não agradou. Sejamos sinceros, não é porque a banda é queridinha dos indies que não pode ser criticada. Não foi show pra festival, hermético demais, e os próprios pareceram descontentes com o resultado ao voltarem pras coxias: rolou uma reunião rápida entre os integrantes, com muito balançar negativo de cabeça. Essa foto do Instagram resume bem a sensação.

… yesss…first poop in blue leather pants…

deadmau5: música eletrônica de qualidade e visualmente impressionante, perdeu toda relevância no sofá. Era pra dançar no meio da galera.

The Killers: por mais pasteurizado que seja o som dos Killers, é perfeito para festival. Muitos hits, muita animação, plateia em êxtase. Gosto dos 3 primeiros discos, mas confesso que não dá pra ouvi-los em sequência. Os agudos de Brandon Flowers cansam e foi assim pela TV, ainda mais com o vocal ganhando tanto destaque na mesa de som.

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O 2º dia começou com a bizarrice do Tomahawk, causando mais do efeito cara de paisagem na plateia. Mas bastou Mike Patton destilar seu vocabulário em português pra cair no gosto popular. No repertório, metal experimental berrado que agradou os poucos fãs e despertou pesadelos na galera que foi atrás de rock sonso.

Perdi os shows do Franz Ferdinand e Alabama Shakes, duas bandas que adoro. Pelos comentários, parecem ter sido bem bons.

Queens of the Stone Age: fizeram o show do dia. Banda competentíssima, Josh Homme endiabrado, o novo baterista sentando a mão e um baixista Charada (não sei quem era e não consegui descobrir. Se for o Nick Olliveri, o bicho passou por um remake nas mãos do Dr. Rey). Apresentação que só não foi perfeita pela curta duração, calcada no álbum Songs for the Deaf + alguma coisa de Rated R e Era Vulgaris + uma música inédita do álbum porvir. Riffs de levantar defuntos.

A Perfect Circle: música e show para enterrar os defuntos acordados com a apresentação anterior. Perfeito para uma pausa para jantar e ainda beneficiou diretamente os Black Keys, acalmando os ânimos pós-QotSA.

The Black Keys: músicas bacanas e bem executadas —começando com Howlin' for You (do excelente álbum Brothers) em registro acelerado, banda de apoio funcionando, mas faltou um je ne se quoi.

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Passei grande parte do 3º dia na estrada, chegando apenas na metade do Kaiser Chiefs. Dos shows que perdi, o que me deixou mais curioso foi o Foals, pelos comentários completamente divididos (vi coisas desde “melhor show do festival” até “a banda não compareceu”). Do pouco que peguei dos Kaiser Chiefs, o negócio pareceu bem animado.

Se bem que animado vira eufemismo quando começa um show dos Hives. Os suecos liderados por Pelle Almqvist simplesmente incendiaram o Jockey, dando baile em muita gente com mais nome e mais quilometragem. De black tie e fazendo uso de todo o palco e adjacências, The Hives mais pareciam a gangue de Alex e seus drooguies em Laranja Mecânica atacando de punk rockers ligados no 220. Mesmo tendo exagerado um pouco aqui e ali no falatório, foi sem dúvida o show mais divertido que vi do sofá.

O Planet Hemp veio na sequência e fez o que se esperava deles. Som bacana, muita chapação e muita apologia à maconha.

E o Multishow, que tanto anunciou o Pearl Jam, deixou os sofazistas na mão. Eddie Vedder vetou a transmissão, gerando muitos protestos no Twitter. Quem esteve lá disse que foi o melhor show do Lollapalooza e eu acredito. O Pearl Jam, afinal, era a única banda de gente grande no lineup. O @espinafrando pôde assistir Game of Thrones (que foi o máximo) e todos viveram felizes para sempre.

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Faço votos que no ano que vem a farra da meia-entrada seja extinta (embora duvide disso) e que os ingressos inteiros estejam por um preço comprável.

 

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