Dica Duca – The Fall

…o medo está lá fora…

The Fall é um daqueles tesouros escondidos no catálogo do Netflix (e que estreia hoje, 13/08, no GNT, às 23:30).

The Fall

De forma sucinta, The Fall é: série da BBC sobre serial killer em Belfast, 5 episódios de 1 hora na 1ª temporada (a 2ª já está a caminho), grande elenco, direção segura e roteiros (bem) acima da média.

Arquivo X encontra O Silêncio dos Inocentes“. Provavelmente, esta é a forma mais fácil e preguiçosa de explicar The Fall.

Mas The Fall é mais do que isso.

porque é bom

Gillian Anderson, a saudosa agente Dana Scully de Arquivo X, interpreta a protagonista Stella Gibson, detetive superintendente da polícia Metropolitana de Londres (que também tem responsabilidades nacionais, atuando como espécie de FBI britânico).

28 dias após um assassinato sem solução em Belfast, na Irlanda do Norte, Gibson é chamada pela polícia local para revisar o caso. O que deveria ser uma simples auditoria acaba revelando conexões com outras 2 ocorrências, o que nos coloca diante de um assassino serial com predileção por jovens mulheres bem-sucedidas profissionalmente, dando início a uma caçada humana no melhor estilo Thomas Harris.

No pano de fundo, temos corrupção, machismo versus feminismo, e a ameaça constante dos ataques do IRA. As tensões políticas de Belfast e o jogo de interesses que permeia as investigações são um toque de classe, que ajudam a construir um universo envolvente e imersivo.

É suspense, mas de um jeito diferente. A estrutura não é baseada no estilo whodunnit —”quem é o assassino?”. Sabemos desde o início que o cara é Paul Spector (Jamie Dornan, sinistro), um assistente social, casado com uma enfermeira neo-natal, pai de um casal de filhos pequenos.

The Fall

Com isso, a série se concentra em desenvolver a psicologia do assassino, de forma sóbria. Explorar o impacto que sua vida dupla causa em suas relações familiares e profissionais é ponto alto da série, assim como os caminhos tortuosos por onde o desejo passa e as contradições inerentes às decisões dos personagens.

Não há qualquer traço de apologia à violência ou ganas de transformar Spector em anti-herói. Não há glamour em The Fall.

A violência, quando aparece —e ela aparece com parcimônia, valorizando seu impacto— é mostrada de forma realista, sufocante. Causa mais choque sendo menos gráfica.

A atmosfera é densa e tensa. Contribui para o clima sombrio a fotografia em tons frios, quase metálica de tão dura, e a ausência de trilha sonora

porque é duca

Paul Spector é um grande personagem nas mãos de um excelente ator. O fato de ser pai de família e relativamente sociável é um elemento que traz um peso, um incômodo constante para o telespectador. Ressalta a noção de que a psicopatia nunca está suficientemente longe da nossa realidade. Spector poderia ser seu vizinho, seu colega de trabalho, seu cônjuge. E você pode passar a vida sem tomar conhecimento.

Por outro lado, a superintendente Gibson não fica nada a dever a seu oponente. Gillian Anderson se esmera no que talvez seja sua melhor atuação da carreira, construindo uma personagem complexa, cheia de camadas, ciente de seus papéis como investigadora sênior e mulher independente, e do efeito que causa numa sociedade patriarcal.

The Fall

Se todos esses elementos isolados não constituem ineditismo na ficção, o conjunto é sólido o suficiente para trazer frescor ao gênero policial.

 

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