Dica Duca – Born to Run

…nascido para correr…

Um dos critérios que uso para definir se um filme é bom ou ruim é a emoção que ele causa. Nesse quesito, Born to Run, o álbum mais cinematográfico de Bruce Springsteen, ganharia um 10 com louvor!

Dica: ponha agora Born to Run na agulha ou no repeat (também vale dar play no YouTube aí debaixo), encaixe os fones no ouvido, e venha acompanhar essa saga.

porque é bom

A música que Bruce Springsteen cria neste disco não é exatamente fácil. A quase ausência de refrões, as letras quilométricas, as estrofes com ritmo próprio, os arranjos sofisticados que encobrem a guitarra —referência imediata para qualquer canção de rock, estruturas de composições que não seguem fórmulas —você nunca sabe aonde um acorde vai levar— tudo isso precisa de tempo para ser absorvido. Tem que ter dedicação para ser conquistado, como em qualquer relacionamento.

Com isso, quero dizer que Born to Run não é daqueles que podem ser apreciados no shuffle, misturado a outros artistas e estilos. É algo que foge da atual ânsia pelo imediatismo e pelo entretenimento descartável. É um disco que deve ser ouvido na íntegra, sem pausas, e num bom sistema de som.

Born to Run - Bruce Springsteen & The E-Street Band

Não foi à toa que chamei Born to Run de cinematográfico. É uma experiência próxima a de um filme. Tanto em duração, quanto em narrativa.

Cada canção é um conto épico, sobre heróis e anti-heróis da classe trabalhadora (sem soar como manifesto petista, veja bem. É mais o tipo de história “gente como a gente”, de quem não tem a vida feita e precisa ralar pra ter sustento. Que, ante as agruras do cotidiano, sonha com fugas ilusórias para a felicidade. Gente que conhece o significado de resignação, mas não o de rendição).

Como bem definiu Marcelo Costa do Scream & Yell na discografia comentada do Boss, Springsteen é “um cronista de uma juventude perdida em meio ao sonho americano”.

***

O disco abre com Thunder Road. O dedilhado no piano e uma gaita preguiçosa dão o tom para Springsteen iniciar a primeira de suas crônicas, sobre casal em promessa de fuga pra felicidade. Dito assim, parece piegas, mas Bruce constrói um monólogo romântico pé-no-chão, capaz de emocionar brutos e encantar as garotas.

Letra e música são tão sensacionais que é difícil resistir à tentação de analisar alguns versos:

Like a vision she dances across the porch as the radio playsRoy Orbison singing for the lonelyHey that's me and I want you only

[nada pode dar errado quando Roy Orbinson canta no rádio]

Show a little faith, there's magic in the nightYou ain't a beauty, but hey you're alrightOh and that's alright with me

[1º momento de emoção: a entonação imperativa e cheia de intensidade de “Show a little faith“, seguida da suavidade de “there's magic in the night“, mostram porque o cara é O Chefe. Sem contar o jeito sutil de não botar Mary num pedestal inalcançável, valorizando o que tem em mãos. Talvez, um caso único no romantismo: dizer com todas as letras que ela não é uma beldade, e se safar com um “mas você é ok, e isso basta pra mim”.]

Hey what else can we do nowExcept roll down the window and let the wind blow back your hairWell the night’s bustin’ open, these two lanes will take us anywhere

[Thunder Road é um crescendo constante, com o arranjo recebendo mais e mais instrumentos conforme a história deste road movie sonoro avança. O 2º momento de emoção chega com o backing vocal engrossando o caldo justamente no momento de abaixar as janelas e sentir o vento nos cabelos, aquela sensação gostosa quando deixamos a cidade pra trás e caímos na estrada. E que baita frase: “essas duas pistas nos levarão a qualquer lugar”. Esperança, realidade e oportunidade correm de braços dados.]

Oh oh come take my handRiding out tonight to case the promised land

[Springsteen joga uma cartada desesperada para convencê-la: pé na estrada, em busca da terra prometida.]

Oh oh oh oh Thunder Road, oh Thunder Road, oh Thunder Road Lying out there like a killer in the sun

[A estrada à espreita, como um matador ao sol. O road movie encontra o western de Sergio Leone numa bela figura de linguagem.]

Well I got this guitar and I learned how to make it talk

[Um raro fraseado de guitarra em destaque, curto e certeiro, noutra tentativa de impressionar e convencer Mary a embarcar na aventura.]

E segue daí, com nosso narrador contando como todos os ex-namorados dispensados pela garota ficarão pra trás, chorando a oportunidade perdida.

No último trecho, o herói do asfalto joga às claras, num grito primordial: esta é uma cidade cheia de perdedores, estou caindo fora pra vencer!

É bom lembrar que tudo não passa de um plano, uma conversa ao pé da varanda. Mas fica implícito que nenhuma vitória é verdadeira sem seu amor ao lado.

O final da história (ou seu início) chega na forma de um solo de sax matador —para quem curte solos de sax, como diria Rob Fleming em Alta Fidelidade. É a E-Street Band em sua glória.

***

Tenth Avenue Freeze Out vem na sequência. Um soul da pesada, que não faria feio em qualquer álbum de Wilson Pickett. Guitarra suingada e piano martelado dão a base para o naipe de metais brilhar em seus fraseados (que marcam a entrada definitiva de Steve Van Zandt na banda —o adorável mafioso Johnny Henriksen de Lilyhammer, responsável pelos arranjos de sopro).

Steve Van Zandt - Lilyhammer - E-Street Band

A letra nebulosa parece uma grande piada interna, contando o início de carreira de Bruce Springsteen (que na música ganha o apelido de Bad Scooter —note a coincidência de iniciais), procurando desenvolver e encontrar o seu som nos botecos barra-pesada do West Village, em NY. Até que descobre o Big Man Clarence Clemons e dá início à E-Street Band, para detonar a cidade ao meio com sua música poderosa e curtir todas as gatinhas pagando pau.

Embora o significado exato de Tenth Avenue Freeze Out seja até hoje incerto, arrisco meu palpite com base no restante da letra: Springsteen deve ter se metido em alguma encrenca com a polícia ou uma gangue na 10ª Avenida, indo ou vindo de um desses bares onde fazia os primeiros shows —o Freeze Out é um “parado aí” dito em tom de ameaça, prenunciando um assalto ou uma batida policial (“'Cause I'm running on the bad sideAnd I got my back to the wall. Tenth Avenue freeze-outTenth Avenue freeze-out”)— e o então desconhecido Clarence Clemons interveio, salvando sua pele, donde nasceu a amizade entre ambos. Fato ou ficção? Apenas uma interpretação.

[Claro que o freeze-out na 10ª avenida também pode ser apenas um momento de epifania, quando Bruce encontra o seu groove. Mas aí, não tem tanta graça]

***

Depois do tom amistoso da música anterior, entra a explosão de urgência em Night, canção-desabafo do cara que trabalha o dia inteiro mas deixa o cansaço de lado pra cair na noite em busca de uma paixão perdida (ou ainda não encontrada).

Musicalmente, Night te atinge como um tijolo. Springsteen e a E-Street Band põem todo seu arsenal à mostra de uma vez, sem concessões e sem dar respiro. É a Blitzkrieg Bop do Chefe, tão intensa que se extingue rápido, deixando terra arrasada pra trás. Não à toa, é a canção mais curta do álbum (2:59).

Mesmo assim, Night dá espaço para Bruce desfilar frases de efeito suficientes para arrebatar corações, misturando empolgação e decepção. Como: “você é prisioneiro dos seus sonhos”. Ou: “você trabalha das 9 às 5 e de alguma forma sobrevive até a noite chegar”. E: “você sabe que ela estará esperando, e você jura que vai dar um jeito de encontrá-la. Hoje à noite, em algum lugar, você estará correndo triste e livre, até que tudo que você possa ver seja a noite”

***

Um piano eloquente e praticamente solitário (com discretas intervenções de guitarra e baixo) abre uma longa introdução. Que vai e volta, passeia por médios, graves e agudos, e acalma a explosão anterior. Encerrando o lado A do antigo vinil, começa o 2º épico urbano do disco: Backstreets.

É o caso clássico de canção sobre amores perdidos e rejeição e dor e infelicidade e perda. Tão clássico, que até a estrutura da composição é tradicional: estrofe-refrão-estrofe-refrão-solo-estrofe-refrão. Ainda que a métrica dos versos seja bastante livre.

O protagonista relembra sua história com Terry (antes que perguntem, é nome tanto masculino como feminino, e aqui é de uma garota — Terry é baseada em antigas namoradas de Bruce, entre 71 e 74).

Vai da amizade que nasceu nas ruelas perto da praia (em meio a bebedeiras), passa pela transformação do relacionamento “num amor difícil, repleto de derrota” (“With a love so hard and filled with defeat”), pelas juras de viver juntos para sempre (“Terry you swore we'd live forever / Taking it on them backstreets together”), até degringolar no coração partido e na descoberta da traição, dor amplificada pela voz rasgada e sincera de Bruce Springsteen. É Alta Fidelidade, com mais intensidade. Culpe as mentiras e as verdades que matam os relacionamentos, mas saiba que, quando termina, nada mais importa. Só o ódio sobrevive.

At night sometimes it seemed you could hear that whole damn city cryingBlame it on the lies that killed us, blame it on the truth that ran us downYou can blame it all on me Terry, it don't matter to me nowWhen the breakdown hit at midnight there was nothing left to sayBut I hated him and I hated you when you went away

O berro que vem do fundo da alma e o solo que faz a guitarra chorar não deixam dúvidas: Backstreets é a canção mais sincera do álbum.

Mais à frente, talvez um reencontro envergonhado, e a retomada da amizade.

Remember all the movies, Terry, we'd go seeTrying to learn how to walk like the heroes we thought we had to beWell after all this time to find we're just like all the restStranded in the park and forced to confessTo hiding on the backstreets, hiding on the backstreetsWell we swore forever friends, hey!On the backstreets until the end

Pra não dizer que o Chefe nunca erra, eu cortaria alguns dos 25 (!) “hiding on the backstreets” que encerram a música.

***

O lado B abre com o 3º épico: a canção título, Born to Run. Bruce Springsteen passou 6 meses burilando a música em estúdio (chegando ao requinte de descartar 11 takes de guitarra, porque ainda não estavam bons o suficiente). Seu então produtor, Mike Appel, não aguentou o perfeccionismo do Chefe e se demitiu.

Tanto esmero se faz notar. Há uma série de sutilezas: a forma como Bruce constrói uma base para a melodia e depois a torce surpreendentemente, ou como há uma espécie de “solavanco” entre estrofes conforme a música acelera (como uma troca de marchas na guitarra). Até os violinos, que surgem do nada para encorpar o solo.

Born to Run consegue, ao mesmo tempo, ser simples e complexa, rock sem frescura e uma verdadeira sinfonia.

De forma similar à Backstreets, Born to Run também trabalha na estrutura estrofe-refrão-solo. Embora as frases que compõem o refrão variem, mantendo apenas a melodia e o poderoso bordão “'Cause tramps like us, baby we were born to run” (e, mesmo assim, o bordão dá lugar a uma frase diferente, e tão bela quanto, já no 2º refrão: “But I gotta know how it feels, I want to know if love is wild, girl I want to know if love is real”).

Hino definitivo do escapismo, Born to Run troca o otimismo à frente de Thunder Road pela fuga dramática e desesperada do pessimismo da vida atual na cidade sem futuro. Meios diferentes para um mesmo fim.

Apela para o complexo da grama-mais-verde, e funciona tanto para o cidadão da metrópole que não aguenta mais o trânsito caótico e a correria da vida na cidade grande, quanto para o interiorano cansado da falta de perspectiva.

“De dia, nós suamos a camisa nas ruas de um Sonho Americano fugidio (…) essa cidade arrebenta os ossos das suas costas, é uma armadilha mortal, um ritmo suicida. Nós temos que cair fora enquanto somos jovens, porque vagabundos como a gente, baby, nós nascemos para fugir.”

A garota da vez é Wendy, e nosso herói, ao mesmo tempo em que se mostra protetor, também revela fragilidade. E, novamente, o Chefe resgata o mote de que podemos até escapar em direção ao futuro, mas a vitória só existe ao lado de sua paixão. É da imperfeição e do drama que Springsteen consegue transformar o comum em espetacular: “Me deixe entrar, Wendy, eu quero ser seu amigo, quero guardar seus sonhos e visões (…) juntos, nós podemos vencer esta armadilha. Vamos correr até cair, baby, nunca mais vamos voltar. Você vai andar comigo na corda-bamba? Porque eu sou apenas um andarilho assustado e solitário, baby, mas eu preciso saber como é, eu quero saber se o amor é selvagem, garota, eu quero saber se o amor é real. Você pode me mostrar?”

Após o 1º solo de sax, a viagem pela estrada redentora segue num crescendo, arregimentando imagens prosaicas pelo caminho (como as garotas que ajeitam os cabelos no retrovisor, enquanto os caras tentam parecer durões). Até que chega a explosão de trompetes, sax, violino e guitarra, que acaba de forma reticente, como um motor que apaga por falta de gasolina.

É a deixa para Bruce contar até 4 ao fundo e dar a largada para o final apoteótico: “a estrada está bloqueada por heróis caídos numa última tentativa de escapar. Todos estão nas ruas esta noite, mas não há lugar sobrando para se esconder. Juntos, Wendy, nós podemos conviver com a tristeza –eu vou te amar com toda a loucura da minha alma. Algum dia, não sei quando, nós vamos chegar naquele lugar que realmente queremos e vamos passear sob o sol. Mas até lá… vagabundos como nós, baby, nós nascemos para correr.”

Acontece tanta coisa ao mesmo tempo e há tantas viradas e quebras de expectativa na melodia e na entonação de Springsteen, que parece que a canção dura mais do que apenas 4 minutos e meio: dura uma vida inteira.

***

She's the One dá sequência ao disco, acalmando um pouco os ânimos (mas nem tanto), com sua introdução de baixo e piano em turbilhão, que de repente vira um country-rock de quadrilha.

Como dá pra adivinhar pelo título, é uma ode à garota perfeita, que inspira devoção e desassossega a alma.

Objeto de desejo e paixão inatingível, porque idealizada.

E o pior é que ela sabe disso, e, conscientemente ou não, faz do cara gato e sapato.

***

O trompete absolutamente jazzy de Randy Brecker é o destaque de Meeting Across the River, criando o clima melancólico para o papo entre 2 trambiqueiros pé-de-chinelo que se preparam para um encontro potencialmente perigoso com um criminoso da pesada (imagino uma espécie de Tuco, de Breaking Bad), do outro lado do rio.

Com letra singela para arranjo sublime, a balada é completamente sinestésica. Dá pra ver a noite escura e fria, com poucas estrelas no céu, sentir a ansiedade, apreensão e ingenuidade do duo e prever que a coisa não vai acabar bem.

Ficaria ótima como trilha de um filme de Criminal.

***

Chegamos ao fim, com a música que nunca termina (e que você não quer que termine nunca): o 4º épico, Jungleland.

Os 9 minutos e 33 segundos de Jungleland trazem tudo o que você aprendeu sobre o Chefe ao longo do álbum. Se Born to Run foi a tentativa definitiva de Springsteen para alcançar o sucesso (depois dos 2 primeiros discos que naufragaram comercialmente e ficaram aquém do potencial visto nos shows lendários), Jungleland é a possível elegia de uma carreira caso as coisas não corressem bem.

Numa noite quente e úmida de verão, Bruce canta sobre uma batalha de gangues rivais que transforma a cidade numa selva urbana, a Jungleland.

Com uma pegada que lembra os maiores clássicos do Who (principalmente do álbum Who's Next, em canções como Baba O'Riley e Won't Get Fooled Again), Jungleland traz tantas variações musicais que, mesmo se estendendo além do razoável, não cansa.

A introdução sublime faz uma ligação direta com o tom de Meeting Across the River, sinalizando que estamos no mesmo cenário urbano da metrópole, dura e cruel.

A voz rasgada de Bruce encanta, a guitarra se reveza com o piano, o sax do Big Man brilha. Violinos aparecem e deixam a cena, discretos.

Há rock grandioso e soul cadenciado, balada lúgubre e balada romântica, e até uma pitada de jazz.

A forma como Springsteen praticamente fala a última estrofe (“Lá fora, as ruas pegam fogo numa verdadeira valsa mortal, entre o que é carne e o que é fantasia. E os poetas aqui presentes não escrevem absolutamente nada, eles apenas ficam de fora e deixam tudo acontecer. E, na rapidez da noite, eles alcançam seu momento e tentam terminar em pé de forma honesta, mas estão todos feridos —nem mesmo mortos”), e como canta o derradeiro verso (“Tonight in Jungleland”), descendo na escala, é de arrepiar a alma —e te engana pela última vez, com a súbita subida de tom na última sílaba e a entrada do último solo. Resgata aquele momento mágico que acontece num show de mais de 3 horas, quando a banda deixa o palco e você sabe que não dá pra ter esperança de uma última canção —e, mesmo assim, o bis vem de forma redentora, e quando acaba você sabe que pode voltar pra casa com um sorriso marcando o rosto de ponta e a ponta e com a certeza de ter participado de um momento único e histórico. Coisas que só um show de rock podem fazer.

Mas uma hora Jungleland precisa terminar. E termina suave, como o primeiro raio de sol que afasta o véu de uma noite infernal.

porque é duca

O 3º e melhor álbum de Bruce Springsteen é das coisas mais lindas que a humanidade já criou.

O Chefe imprime tanta emoção e urgência com sua voz rouca nas 8 canções, que dá pra sentir as veias do pescoço dilatadas pelo esforço.

Impossível ficar impassível com os acordes da E-Street Band, neste que é seguramente um dos melhores discos da história do bom e velho rock'n'roll.

Sem contar as rimas duplas entre as 4 músicas que abrem e fecham os lados do vinil: Thunder Road e Born to Run começam com empolgação na estrada, Backstreets e Jungleland encerram seus respectivos lados de forma magistral, sérias, com composições apuradas e inspiradas; Thunder Road e Jungleland têm estruturas completamente livres, enquanto Backstreets e Born to Run apelam para o clássico estrofe-refrão-solo.

Se há um defeito em Born to Run, é que ele veio cedo demais na discografia do Chefe. Torna praticamente tudo que veio depois, senão irrelevante, impossível de superá-lo.

E é perfeito para ouvir na estrada, com um nó na garganta, enquanto se berra a plenos pulmões: “(…) tramps like us, baby we were born to ruuuunnnnnn”.

 

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