talk show, com Jamie Delano

Bem-vindos à nova sessão do espinafrando.com!

Os olhares mais atentos devem ter percebido um corpo estranho no menu principal desde a semana passada: o talk show.

Quem foi curioso o suficiente para clicar, encontrou uma coleção de 5 artigos antigos. Em comum, quase todos trazem pequenas entrevistas exclusivas: Jorge Candeias (o tradutor português de A Guerra dos Tronos/Game of Thrones), o inigualável Warren Ellis (autor britânico da seminal Transmetropolitan), Murilo Martins (artista brasileiro independente, autor do ótimo Love Hurts) e Jimmy Palmiotti (um dos mais prolíficos quadrinistas dos EUA e um dos maios bem sucedidos na publicação via crowd funding) —o post que faltou pra fechar a quina não é exatamente uma entrevista, mas minha participação no extinto podcast 'Quem te Comentou Isto?'.

Este é o primeiro post oficial da categoria talk show. Complementando a última #dicaduca sobre quadrinhos (Hellblazer), apresento a vocês um papo com Jamie Delano, um dos mais importantes (e melhores) roteiristas de HQs do gênero de horror, responsável pela primeira fase da revista mais longeva do selo Vertigo e pelo desenvolvimento de um de seus personagens mais proeminentes, criado por Alan Moore: John Constantine.

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talk show, com Jamie Delano

talk show, com Jamie Delano

[@espinafrando]: Antes de tudo, gostaria de parabenizá-lo e agradecê-lo por nos trazer tantas histórias ótimas, especialmente em Hellblazer. Você se sente como um pai para John Constantine ou o vê apenas como um trabalho qualquer?

[Jamie Delano]: Eu sempre tive uma afeição especial pelo Constantine. Tenho carinho por todas as minhas crias esquisitas mas, mesmo tendo adotado ele do [Alan] Moore, John é como um primogênito.

Hellblazer by Jamie Delano

[@e]: Quais foram suas influências em sua primeira passagem por Hellblazer?

[JD]: É difícil dizer. Como suspeito que seja o caso para todos os escritores, fui moldado pelas bibliotecas de livros diversos que li durante meus anos de formação. Mais tarde, no entanto, vi um episódio de uma velha série da TV britânica do final dos anos 60 chamada CALLAN, estrelada por Edward Woodward como um assassino do serviço secreto cínico e cruel. Suspeito que esse peso emocional e dark foi algo que tentei reproduzir inconscientemente em Hellblazer.

[@e]: Como era a relação entre você e Karen Berger? [nota do @espinafrando: para quem não faz ideia de quem é Karen Berger, ela foi a editora da DC Comics responsável por dar início a invasão de autores britânicos nos quadrinhos americanos —gente como Alan Moore, Neil Gaiman e o próprio Delano— e, mais tarde, criou e chefiou e foi o coração e alma do selo Vertigo.]

[JD]: Eu sempre tive muito carinho pela Karen Berger. Até porque sem sua confiança em minha visão criativa —somada à sua mão editorial leve-mas-hábil e à capacidade de tratar a máquina corporativa com finesse — eu duvido que minha carreira nos quadrinhos teria durado além de 1990.

[@e]: Quando você recebeu “a missão” [nota do @espinafrando: a missão se refere ao momento em que Karen Berger recrutou Jamie Delano para desenvolver a série própria do personagem coadjuvante criado por Alan Moore em Monstro do Pântano, Jonh Constantine – Hellblazer], o quanto à frente você planejou o enredo? Por exemplo, quando começou a escrever Pecados Originais, você já tinha em mente os eventos de Newcastle ou eles foram concebidos depois?

[JD]: Acho que minha proposta original oferecia uma visão geral da minha abordagem sobre o personagem e da estrutura preferencial de narrativa, mais um parágrafo sobre cada uma das 6 ou 7 primeiras histórias. Então, mesmo que O Incidente de Newcastle existisse de forma apócrifa, mencionado por Moore em Monstro do Pântano, os detalhes daquela peripécia maldita não foram desenvolvidos até que meu enredo posterior pedisse para que fossem revelados. A maioria da minha continuidade em HELLBLAZER foi inventada em pleno voo.

[@e]: Em minha pesquisa, descobri a informação de que você foi taxista antes de se tornar um dos melhores escritores da cena de quadrinhos com temática adulta. Sendo direto: Chas é seu alter-ego? [nota do @espinafrando: Chas é um dos amigos de Constantine, e figura recorrente em Hellblazer dirigindo seu táxi.]

Chas e seu táxi
Chas e seu táxi

[JD]: Todo herói precisa de um parceiro. Eu fiz de Chas um taxista por causa da nostalgia daquele trabalho… Mas sempre fui muito mais esperto que ele: nunca fiquei em dívida com um explorador e manipulador cruel como aquele maldito Constantine. Ei, espere aí…

[@e]: Como foi retornar para um personagem 10 anos após a última história que você fez com ele, em Hellblazer: Pandemônio? O que o trouxe de volta?

[JD]: Foi como colocar um velho par de sapatos —ou um capote— embora tenham havido alguns passeios com John no meio: THE HORRORIST e BAD BLOOD.

[nota do @espinafrando: entre a saída de Jamie Delano da série regular e a publicação original de Pandemonium (em 2010), a Vertigo lançou duas minisséries escritas por Delano com o personagem: THE HORRORIST (1995) e BAD BLOOD (2000), ambas ainda inéditas no Brasil.]

[JD]: Inicialmente, fui convidado a escrever Pandemônio como parte de algum tipo de celebração do aniversário da criação do personagem —uma ideia brilhante do editor, eu suspeito, que seus superiores nunca colocaram em prática. Talvez, eu também meio que suspeitasse que HELLBLAZER estivesse com os dias contados e essa poderia ser minha última chance para uma história de despedida. O conceito de “aniversário” também me lembrou que um dos primeiros adversários demoníacos significantes de Constantine foi a divindade assíria, Nergal. Então, havia uma justificativa óbvia e satisfatoriamente circular para submeter John a experimentar o Iraque contemporâneo e “a Guerra ao Terror”.

Hellblazer Pandemônio by Jamie Delano & Jock

[@e]: Eu adorei Pandemônio, a propósito. Me parece que você sempre encontra um jeito de fazer críticas políticas travestidas de ficção. Isso não é uma pergunta, exatamente, mas fui compelido a te cumprimentar por isso.

[JD]: Obrigado; eu raramente consigo enxergar o ponto de escrever uma história se ela não oferece algum tipo de perspectiva oblíqua sobre o mundo que todos somos forçados a aturar diariamente.

[@e]: O que você pensa sobre o filme do Constantine?

[JD]: Eu tento não pensar. Eu assisti uma vez, e rapidamente percebi que —apesar de incorporar temas e imagética criados originalmente por mim e Garth Ennis— o ConstantAIne dos quadrinhos e o ConstantIN do filme são dois personagens totalmente diferentes que (quase) dividem o mesmo nome.

[@e]: Como você vê o mercado de HQs hoje, comparado com seus primeiros trabalhos?

[JD]: Acho que tudo era mais tranquilo antes —embora atualmente eu não preste atenção suficiente para fazer uma comparação de verdade. E, parando pra pensar nisso, eu também não prestava atenção antes. Então, sou uma testemunha em que não se pode confiar.

[@e]: E quadrinhos digitais, o que você acha? Você curte?

[JD]: Eu não olhei muitos a fundo; mas qualquer coisa que permita larga distribuição, formatos flexíveis, e a oportunidade para praticamente qualquer um contribuir para o meio deve ser benéfico.

[@e]: Qual sua opinião sobre a onda de projetos de propriedade do criador, autopublicações e financiamento coletivo, que parecem ganhar mais e mais popularidade a cada dia? Você acredita que os ideais punks do “faça você mesmo” estão ganhando força com a cultura digital? Podemos esperar um livro de Jamie Delano no Kickstarter num futuro próximo?

[JD]: Eu ajudei a escrever um roteiro para uma minissérie baseada numa ideia desenvolvida por Scott O Brown há algum tempo. Ele fez uma tentativa mal sucedida de financiar sua produção através do Kickstarter. Tenho minhas reservas sobre este modelo. Pedir por financiamento em troca de “brindes” me parece um pouco “coisa de fã” —e suponho que, no geral, apenas a Amazon ganha dinheiro. Talvez, se os contribuintes ganhassem crédito-nominal como investidores e uma pequena parte dos lucros futuros…

[@e]: O que você está lendo?

[JD]: Não tanto quanto eu deveria. Atualmente, estou tirando o atraso com alguns M. John Harrison; o mais recente Carl Hiaasen e THE OLD WAYS, do Robert MacFarlane —enquanto espero pelo novo romance do [Thomas] Pynchon, e o roteiro de Cormac McCarthy.

Do Instagram do Warren Ellis
Do Instagram do Warren Ellis

[@e]: Você conhece o trabalho de algum autor de quadrinhos brasileiro? Se a resposta for “sim”, quais suas impressões sobre?

[JD]: Estou completamente envergonhado da minha ignorância… Mas se aplica a quadrinhos em geral, então não tome isso como um insulto nacional, por favor.

[@espinafrando: Não se preocupe, Jamie. Acho que nenhum de nós vai —eu certamente não vou. Mas vou recomendar o trabalho de alguns colegas seus no selo Vertigo: Daytripper, do Fábio Moon & Gabriel Bá. Se você não chorar no final, tem um coração feito de pedra ;-)]

[@e]: De que tipo de música você gosta? Alguns autores dizem que a música tem um papel importante quando estão escrevendo, para estabelecer a atmosfera / o clima que estão tentando emular. Isso se aplica a você?

[JD]: Tenho que descrever meu gosto como eclético: qualquer coisa entre Beefheart e The Temptations, passando por Lee Perry e Cypress Hill. Atualmente, tenho tocado no carro PUSH THE SKY AWAY do Nick Cave. E antes disso foi Los de Abajo. Às vezes, quando estou escrevendo, acho que as cenas são acompanhadas por alguma “música tema”, que tento evocar no artista através das minhas descrições dos quadros. A música é um canal direto para a emoção —um atalho útil?

[@e]: O que você pode contar aos nossos leitores sobre seu romance, Book Thirteen (escrito sob o pseudônimo A. William James)? Na verdade, por que você utilizou um pseudônimo para publicar em prosa? (Acho que “escrito por Jamie Delano” é uma marca tão poderosa, com tudo o que você já fez ao longo de sua carreira.)

Book Thirteen, by A. William James (Jamie Delano)

[JD]: É uma comédia de humor negro sobre um velho escritor e sua família rebelde, cuja vida ameaça ultrapassar a linha entre realidade e ficção. Qualquer um que quiser saber mais, pode ler a introdução e os primeiros 5 capítulos através do site mencionado abaixo —só que, atualmente, apenas em inglês, eu lamento. O pseudônimo é parte de uma campanha anti-marketing insana, desenhada para assegurar o suicídio econômico. Tive uma ideia esquisita: não queria que o livro fosse mal interpretado como “uma versão em prosa de Constantine”, caso usasse a “marca” Jamie Delano. Um erro, eu acho, que é tarde demais para reconsiderar —talvez uma punição por ter feito tudo sozinho, sem consultoria editorial. De toda forma, já avancei bastante noutro “livro sem desenhos”; este é um pouco mais “de gênero” —um estranho universo paralelo distópico, num futuro próximo, tipo detetive fracassado— e será lançado sob o nome Delano, qualquer dia no começo de 2014.

[@e]: Como foi a experiência de escrever sem interferência editorial? Quais são os prós e contras? Você planeja repetir essa experiência? (Para aqueles que ainda não ouviram falar, Book Thirteen é um esforço de auto-publicação de Delano/William James, e pode ser encontrado aqui: http://lepusbooks.co.uk/)

[JD]: Sobre o principal, veja a última resposta —mas, de forma geral, gostei bastante de me auto-publicar. Foi satisfatório finalmente terminar de editar o texto, e então criar a capa e o design do livro. Você pode ficar com todo o crédito, é claro —mas também com toda a culpa. Acho que fiz um bom trabalho no livro, mas tenho vergonha de fazer auto-promoção, então vai demorar um pouco para conseguir lucro. Mas, se você quiser ganhar muito dinheiro, fique longe da carreira de escritor, ou incorpore E. L. James (nenhum parentesco, a propósito). [nota do @espinafrando: E. L. James é a escritora do best-seller erótico 50 Tons de Cinza]

[@e]: Por que não dá pra comprar Book Thirteen na iBooks Store ou Google Play Store?

[JD]: Não sei. Provavelmente, eu não tiquei todas as opções quando comprei o serviço de upload. O e-Book está no Kindle, Nook e Kobo. Talvez eu veja como colocar nas outras plataformas —embora ainda não esteja inteiramente confortável com essa linha borrada entre “editora” e “varejista” que essas organizações massivas representam. Sempre fico mais contente em fornecer uma cópia impressa diretamente. Dito isso, embora não tenha cheiro de papel e num dia qualquer provavelmente irá evaporar numa tempestade solar, o conteúdo digital é muito mais sustentável e econômico. (E estou sempre disposto a providenciar edições no formato ePub ou PDF via email, em troca de um pagamento justo via PayPal).

[@e]: No quê você está trabalhando agora? E sobre projetos futuros? O que você pode nos contar?

[JD]: Estou trabalhando no romance mencionado acima, e conversando vagamente com uma editora sobre um possível projeto de HQ. Se houvesse algo mais, eu te contaria.

[@e]: Que conselhos você daria para todos os escritores que estão tentando encontrar seu espaço no mercado profissional?

[JD]: Ignore todo mundo, especialmente outros escritores oferecendo conselhos ou baixando regras. Encontre sua própria voz autoral e confie no que ela quer falar. Pratique a escrita. Continue praticando. Mostre seu trabalho quando achar que está pronto. Tenha sorte. Pratique escrever por dinheiro.

JD – 2013

***

talk show, with Jamie Delano

[@espinafrando]: First of all, I’d like to congratulate and thank you for bringing us so many great stories, especially in Hellblazer. Do you feel like a father to John Constantine or do you see it as no different to any other job you did?

[Jamie Delano]: I’ve always had a special affection for Constantine. I’m fond of all my weird offspring but, even though I adopted him from Moore, John feels like a firstborn.

[@e]: What were your influences doing the first run on Hellblazer?

[JD]: That’s hard to say. As I suspect is the case for all writers, I was shaped by the libraries of diverse books I read throughout my formative years. Lately though, I saw an episode of an old British TV series from the late ‘sixties called CALLAN that starred Edward Woodward as a cynical and ruthless secret service assassin. I suspect its dark emotional weight was something I unconsciously tried to reproduce in HELLBLAZER.

[@e]: How was the relationship between you and Karen Berger?

[JD]: I have always been very fond of Karen Berger. Not least because without her trust in my creative vision – coupled with her light but deft editorial hand and ability to finesse the corporate machine – I doubt my career in comics would have endured beyond 1990.

[@e]: When you received “the mission”, how much ahead did you plan the plot? For example, when you started to write Original Sins, did you already have the events in Newcastle in mind or were they conceived later?

[JD]: I think my original proposal offered an overview of my take on the character and preferred story-telling structure, plus a paragraph each on the first six or seven stories. So, although The Newcastle Incident existed apocryphally, talked of by Moore in SWAMP THING, the detail of that doomed escapade was not developed until my later plot called for it to be revealed. Most of my HELLBLAZER continuum was invented on the fly.

[@e]: In my research, I found the information that you were a cab driver before you turn into one of the best writers in the adult comics scene. Being straight: is Chas your alter-ego?

[JD]: Every hero needs his sidekick. I made Chas a taxi-driver out of nostalgia for that trade… but I was always way too clever to ever get myself beholden to a ruthless exploitative manipulator like that bastard Constantine. Oh, wait…

[@e]: How was it to return to a character 10 years after the last story you did with him, in Hellblazer: Pandemonium? What brought you back?

[JD]: Like putting on an old pair of shoes—or trenchcoat—although there were a couple of outings with John in-between: THE HORRORIST and BAD BLOOD.

[JD]: I was invited to write PANDEMONIUM initially as part of some kind of anniversary celebration of the character’s creation – an editor’s bright idea, I suspect, that his superiors never followed up. Maybe I kind of suspected also that HELLBLAZER’s days were numbered and this might be my last chance for a farewell story. The ‘anniversary’ concept also reminded me that a significant early demonic adversary of Constantine’s was the Assyrian deity, Nergal. So there was an obvious and satisfyingly circular justification for subjecting John to an experience of contemporary Iraq and ‘The war on Terror’.

[@e]: I loved Pandemonium, by the way. It seems to me that you always find a way to do political criticism in fiction. That's not really a question, but I have an urge to compliment you for that.

[JD]: Thank you; I can rarely see the point of writing a story if it doesn’t offer some kind of oblique perspective on the world we’re all forced daily to endure.

[@e]: What do you think about the Constantine movie?

[JD]: I try not to. I saw it once, and quickly realized that – despite incorporating themes and imagery first created by myself and Garth Ennis – the ConstantYne of the comic and ConstantEEn of the movie are two totally different characters (almost) sharing a name.

[@e]: How do you see the comics market nowadays, compared with your first gigs?

[JD]: I think it was all a bit more relaxed back then – although I currently don’t pay enough attention to really compare. And come to think of it, I didn’t pay attention back then either. So I’m an unreliable witness.

[@e]: What about digital comics? Do you like them?

[JD]: I haven’t really looked at too many; but anything that allows wide-distribution, flexible formats, and the opportunity for just about anyone to contribute to the medium has to be beneficial.

[@e]: What do you think about the creator-owned / self-publishing / crowd funding wave that appears to be getting more and more popular these days? Do you think that the DIY punk ideals are becoming stronger with digital culture? Can we expect a Jamie Delano book Kickstarter in the near future?

[JD]: I helped to write a script for a miniseries around an idea developed by Scott O Brown a while ago. He made an unsuccessful attempt to fund its production via Kickstarter. I have my reservations about that model. Asking for funding in return for ‘giveaways’ strikes me as a bit ‘fannish’ – and I’m guessing overall it’s only Amazon that makes money. Maybe if contributors earned a name-check as an investor and a small stake in future profits…

[@e]: What are you reading?

[JD]: Not as much as I should be. I’m currently catching up with some M. John Harrison; the latest Carl Hiaasen and THE OLD WAYS, by Robert MacFarlane – while waiting for the new Pynchon novel, and Cormac McCarthy’s screenplay.

[@e]: Do you know the work of any brazilian comics creators? If so, what are your impressions about their work?

[JD]: I’m thoroughly ashamed of my ignorance… but that goes for comics in general, so please don’t take it as a national slur.

[@espinafrando: Don't worry, Jamie. I don’t think any of us will —I’m certainly not. But I will recommend the work of some colleagues of yours on Vertigo: Fábio Moon & Gabriel Bá's Daytripper. If you don’t cry at the end, you have a heart made of stone ;-)]

Daytripper

[@e]: What type of music do you like? Some creators say that music have an important part in their writing, to establish the specific atmosphere/mood that they're trying to emulate. Does this apply to you?

[JD]: I’d have to describe my tastes as eclectic: anything from Beefheart to The Temptations via Lee Perry and Cypress Hill. Currently in the car I’m playing Nick Cave’s PUSH THE SKY AWAY. Before that it was Los de Abajo. I think sometimes when I’m writing, scenes are accompanied by some interior ‘theme music’ that I then try to evoke in the artist via my panel descriptions. Music is a direct conduit for emotion—a useful shorthand?

[@e]: What can you tell our readers about your novel, Book Thirteen (under the alias A. William James)? In fact, why did you use an alias to publish in prose? (I think “written by Jamie Delano” is such a powerful brand, with all you did in your career.)

[JD]: It’s a dark comedy about an old writer and his unruly family whose life threatens to slip over the line between reality and fiction. Anyone who wants to know more can read an introduction and the first five chapters via the website mentioned below – although currently only in English, I regret. The alias is part of an insane anti-marketing campaign designed to ensure economic suicide. I had some weird idea that I didn’t want to misrepresent it as ‘a prose version of Constantine’ by using the Jamie Delano ‘brand’. A mistake, I think, that it’s too late to reconsider—a penalty perhaps of going it alone without editorial consultation. I am, however, currently well-advanced on another ‘book without pictures’; this one’s a bit more ‘genre’ – a weird, dystopic near-future parallel universe, defective detective kind of deal – and will appear under the name Delano sometime early in 2014.

[@e]: How was the experience of writing without a publisher or editorial interference? What are the pros and cons? Do you plan to repeat it? [for those that haven't heard before, Book Thirteen was a self-publication effort by Delano/William James and can be found here, at http://lepusbooks.co.uk/]

[JD]: Mainly see above – but overall I really enjoyed self-publishing; it was satisfying to finally finish editing the text, and then create the cover and design the book. You’re allowed to take all the credit then, of course—but also all the blame. I think I did a pretty fair job on the book; but I’m rubbish at self-promotion, so it’ll take a while to make a profit. But then if you want to make a lot of money, stay away from writing, or channel E. L. James (no relation, by the way).

[@e]: Why we can't buy it on iBooks Store or Google Play Store?

[JD]: I don’t know; I probably didn’t tick all the boxes when I bought the upload service. It’s on Kindle, Nook and Kobo. I’ll look into getting onto the other platforms, maybe–although I’m still not entirely comfortable with this blurring of line between ‘publisher’ and ‘retailer’ that these massive organizations represent. I’m always happier to supply a hard copy direct. That said, although it doesn’t smell of paper and will probably evaporate one day in a solar storm, digital is much more sustainable and economic. (and I’m always happy to provide ePub editions or PDFs via email for a fair payment via PayPal).

[@e]: What are you working on now? And what about your future projects? What can you tell us?

[JD]: I’m working on the novel mentioned above, and talking vaguely to a publisher about a possible comics project. If there was more I’d tell you.

[@e]: What kind of advice do you give for all the writers trying to find a space in the professional market?

[JD]: Ignore everyone else, and especially other writer’s offering advice or laying down rules. Find your own authorial voice and trust what it wants to say. Practice writing. Continue to practice writing. Show your work to people when you think it’s ready. Get lucky. Practice writing for money.

JD – 2013

 

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