Dica Duca – Cash, a autobiografia de Johnny Cash com Patrick Carr

“…But I have to say my all-time favorite book is Johnny Cash's autobiography “Cash” by Johnny Cash.

A frase que abre está dica duca me persegue desde 2000. É de Rob Gordon, personagem do filme Alta Fidelidade de Stephen Frears, interpretado por John Cusack.

[A título de curiosidade, Rob Fleming, personagem do livro Alta Fidelidade de Nick Hornby, tem outros favoritos: “meus cinco livros favoritos de todos os tempos são: O sono eterno, do Raymond Chandler, Dragão vermelho, do Thomas Harris, Sweet Soul Music, do Peter Guralnick, O guia do mochileiro das galáxias, do Douglas Adams, e, sei lá, algum outro do William Gibson ou do Kurt Vonnegut”]

13 anos depois, é hora de satisfazer a curiosidade e entender o que Rob viu em Cash, a autobiografia de Johnny Cash, por Johnny Cash (e pelo jornalista Patrick Carr, que o ajudou a dar forma ao texto).

Cash, a autobiografia de Johnny Cash com Patrick Carr

porque é bom

De certa maneira, Cash é o exemplo perfeito do porque precisamos de biografias não-autorizadas: o gênero da autobiografia é, por definição, o relato das memórias do autor, e memórias, como todos sabemos, são traiçoeiras e seletivas. É uma pena ver (ler) uma figura com história tão rica quanto a de Johnny Cash não se aprofundar em temas importantes como seu processo criativo ou o histórico show em Folson.

Dito isso, e apesar disso, Cash é uma leitura quase tão agradável quanto ouvir seus discos. Um feito e tanto. Johnny Cash é um ótimo contador de histórias, como já provou em tantas canções. E, no livro, tem o mérito de transformar a “vida de artista” (que para nós, meros mortais, tende a parecer inalcançável e cheia de glamour) em situações corriqueiras, ainda que muitas vezes surpreendentes. É a mesma sensação que se tem ao encontrar aquele tio excêntrico que só se vê nas festas familiares e que sempre tem aquelas histórias interessantes pra contar.

Johnny Cash

porque é duca

É óbvio que todas as histórias de bastidores envolvendo as lendas do rock em Memphis são extremamente apetitosas, e nesse rol entram Elvis, Jerry Lee, Roy Orbinson, Sam Phillips e que tais.

Da mesma forma, os anos negros perdidos no vício em anfetaminas, as experiências de quase morte e sua recuperação também são relatos impressionantes.

Não dá pra cansar de ouvir sobre o amor de Johnny Cash por June Carter, e mesmo seu amor por Jesus Cristo não tem o tom de evangelização: é apenas um aspecto importante de formação de sua personalidade —ateus e agnósticos podem respirar aliviados, pois Cash é bastante pragmático sobre o assunto.

(E não se pode esquecer de mencionar a terceira fase de sua carreira e o encontro com o produtor Rick Rubin para gravar a estupenda série American Recordings, bem como a tradicional seleção de fotografias pessoais.)

Apesar de todos esses pontos altos, o que mais chama a atenção são os relatos de sua infância nos campos de algodão. É História com H maiúsculo, direto das letras de uma lenda da música country, do rock e do showbizz.

Cash, a autobiografia de Johnny Cash, por Johnny Cash, não é meu livro favorito de todos os tempos (desculpa aí, Rob!). Mas é uma leitura duca, pra espinafre nenhum botar defeito.

Johnny Cash

 

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