espinafrando a estreia: Capitão América 2 – O Soldado Invernal

Depois do arrasa-quarteirão-megalomaníaco-sonho-de-consumo-de-qualquer-nerd entitulado Os Vingadores, teve início a fase 2 do Universo Marvel. E nessa nova seara, Capitão América tem sua segunda incursão com O Soldado Invernal.

O primeiro filme tinha um tom nostálgico —marca registrada de seu diretor Joe Johnston. Uma abordagem necessária para casar com o ar de “sessão matinê” da origem do herói: um tanto idealista e surgido no ápice da 2ª Guerra Mundial.

Agora, foram convocados os irmãos Anthony e Joe Russo, mais conhecidos por comédias na TV como as séries Arrested Development e Community —nessa última, também atuaram como produtores executivos.

Diretores especialistas em comédia. Quer dizer que esse Capitão América é mais pastelão? Não. Então é uma paródia? Também não.

Por incrível que pareça, este último lançamento da Marvel pode ser considerado um dos filmes mais realistas já bancados pelo estúdio, tanto pelo tom e encaminhamento da narrativa, como pelas escolhas estéticas. Porque, antes de ser um filme de super-herói, O Soldado Invernal é um thriller de espionagem. E esta abordagem ousada é o grande trunfo, por adotar uma postura totalmente diferente do que o público espera.

Depois de uma missão em alto mar a mando da S.H.I.E.L.D., Steve Rogers (Chris Evans, seguro no papel) percebe que a própria organização mantém uma hidden agenda, com objetivos fora do seu alcance e conhecimento. O mundo atual é cheio de sombras, e Rogers percebe que seu entendimento está um tanto anacrônico. Quando seu próprio chefe Nick Fury (Samuel L. Jackson) é posto em perigo por conta de um misterioso assassino chamado Soldado Invernal, cabe ao Capitão América tomar as rédeas da situação, mesmo sem ter muito apoio ao seu lado.

Congelado durante décadas, a readaptação de Rogers à vida moderna o faz perceber que o “estado das coisas” funciona de um modo diferente —além do preto e do branco, existem inúmeros cinzas no meio. E ele não sabe lidar com isso.

Tomando como base um dos arcos mais significativos —e atuais— das HQs do Sentinela da Liberdade, O Soldado Invernal ressignifica o status do Capitão América dentro do Universo Marvel. E a dimensão da ameaça apresentada aqui (que abala de forma irreversível a S.H.I.E.L.D., um dos pilares deste universo cinematográfico) é tamanha que faria total sentido a presença dos outros Vingadores para lidar com o inimigo da vez. A conspiração aponta para a paranoia de segurança do mundo moderno, da política do medo como instrumento de vigilância. Prato cheio para um thriller setentista. Tanto é que traz a presença icônica de Robert Redford —ator de clássicos conspiratórios como 3 Dias de Condor e Todos os Homens do Presidente— como o ambíguo Alexander Pierce, chefe do Conselho de Segurança Mundial que possui uma ligação direta com a S.H.I.E.L.D.

Quando ouve de Fury a célebre —e mulderesca— frase “Trust no one“, Steve Rogers fica por conta própria para resolver o imbróglio. Claro, contando com o apoio do novo amigo Falcão (Anthony Mackie) e, principalmente, de sua parceira da S.H.I.E.L.D.: a Viúva Negra (Scarlett Johansson, finalmente com mais tempo de tela para mostrar mais de sua personagem).

Enquanto as cenas menos pirotécnicas e mais dramáticas são bem conduzidas pelos irmãos Russo (sem contar o ótimo timing para o humor presente no filme), os momentos de ação são bem executados e funcionais, sem chegar ao nível espetacular. Existem momentos de abordagem mais brutal e realista —como a emboscada contra o carro de Nick Fury— que parecem saídos de algum episódio de Jason Bourne. E, pelo menos desta vez, é bom ver o escudo do herói ser usado inúmeras vezes e das mais diversas formas. Deixa de ser um adereço e torna-se uma extensão de Steve Rogers que, por sinal, fica uniformizado por pouco tempo na tela —uma raridade neste gênero. Até porque um homem fantasiado com as cores da bandeira americana não seria muito discreto em uma trama de espionagem.

Um dos destaques do elenco é o rouba-cenas Frank Grillo, que encarna o bruto Brock Rumlow (também conhecido como Ossos Cruzados nas HQs). Sua presença em cena é magnética. Infelizmente, a figura do Soldado Invernal (interpretado por Sebastian Stan) não tem o peso que deveria ter. Um personagem mascarado, que transmite muito com os olhares, precisa de um ator com essa característica. Stan fica aquém da função.

Apesar da abordagem diferente, o clímax da história é apoteótico e épico, digno do estilo Marvel.

E a vinheta minimalista dos créditos finais é espetacular (acompanhada da trilha poderosa de Henry Jackman), digna de abrir um filme de James Bond. Só não é usada no início da projeção pois indica muitos spoilers da trama.

Cenas pós-créditos? Claro que tem. E são duas desta vez, sendo que a última revela um certo casal de gêmeos que deixará os fãs ansiosos para Os Vingadores 2. Durante a projeção, existem menções a outros personagens do Universo Marvel, de Tony Stark a Stephen Strange. A Marvel continua expandindo cada vez mais suas conexões entre suas franquias, o que faz com que a Sony Pictures (do Homem-Aranha) e a 20th Century Fox (do Quarteto Fantástico e X-Men) tenham que correr para capitalizar em cima do boom da Casa das Ideias.

 

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