Mudinhas de Espinafre – Especial “O Guia de Quadrinhos Digitais Quase Definitivo” [ATUALIZADO 04.06.14]

Mudinhas de Espinafre são pílulas pop, comentários (nem sempre) curtos e sem profundidade sobre coisas bacanas que você deveria ver, ouvir, ler. Ou não.

Nessa edição especial, a ideia é traçar um panorama sobre as melhores alternativas disponíveis para consumir histórias em quadrinhos em Megabytes, dando sequência à velha bandeira levantada pelo blog de apoiar a compra de conteúdo digital em detrimento da pirataria (ver: Mudinhas Especiais parte 1, parte 2 e parte 3 —os artigos podem estar tecnologicamente desatualizados, mas gosto de pensar que ainda trazem raciocínio relevante).

Para o leitor de quadrinhos, o mercado digital é uma alternativa mais do que válida. Entre suas vantagens, destacam-se:

  • A economia de espaço físico (quem coleciona sabe que uma hora não há estante que chegue, sem contar os cuidados contra poeira, oxidação dos grampos, descolamento de lombadas, traças, cupins e filhos pequenos —haha);
  • A comodidade (seja para comprar sem ter que se deslocar, seja para ter as obras sempre à mão sem ter que carregar peso extra);
  • E, principalmente, a disponibilidade.

Quem é brasileiro está acostumado com 2 problemas correlacionados ao último tópico:

  • A Espera: grande parte da produção de HQs acontece no exterior —EUA, França, Bélgica, Japão e Coreia do Sul entre os principais países produtores— com pouco investimento no quadrinho nacional. Assim, as editoras que apostam no formato precisam negociar licenciamento, traduzir, editar, imprimir, executar ações de marketing e distribuir. É claro que esse processo leva tempo, e o resultado para o leitor antenado que abre mão da importação é A Espera: meses (ou anos) para botar as mãos num lançamento internacional, correndo o risco do material nunca ser publicado por estas bandas.
  • A Distribuição: mesmo que a obra seja publicada por aqui (e não é raro que uma série fique pelo meio do caminho —sem esforço, me vem a memória: Vagabond, Bone, Hellboy, Invisíveis —que a Panini vai retomar do início ao fim, oxalá…), há o problema da distribuição setorizada, que faz com que apenas os grandes centros recebam lançamentos em dia, deixando interior e capitais afastados do eixo RJ-SP na fila de espera pelo encalhe.

Dois problemas mitigados pelas lojas de quadrinhos digitais.

É claro que o impresso também tem suas vantagens, que já abordei nessa entrevista, mas o foco do artigo é outro. Então, vejamos as opções digitais.

ComiXology

Disponível via web e em aplicativos para iOS, Android e Windows 8, é a maior loja de HQ digital atualmente. No último ano, foi o aplicativo não-game que mais faturou na App Store da Apple, pela 3º vez consecutiva. Recentemente, foi comprado pela Amazon.

[UPDATE] E a venda para a Amazon já traz reflexos para os usuários. O App tradicional do iOS foi descontinuado e, em seu lugar, foi lançado um novo que perde em funcionalidades: a loja foi removida do aplicativo, que agora funciona somente como leitor. Compras, agora, apenas via web, com possibilidade de baixar para o App. A comodidade tem um preço —no caso, de 30%: a comissão que ficava com o iTunes por compras dentro do aplicativo. A função de receber notificações quando um gibi favorito tinha uma nova edição também dançou. Em troca, agora é possível assinar um título no site: pingou uma nova edição, ela é comprada automaticamente, ficando disponível para download no App. E claro, não há mais censura por parte da Apple para o conteúdo vendido no site. Se o consumidor do iOS perde com a mudança (em troca, ganhou um vale US$5,00 para gastar até 25/05/14), quem ganha num primeiro momento são autores e editoras (teoricamente) e o próprio ComiXology/Amazon (principalmente), que retêm os 30% pagos à Apple, aumentando seu lucro. Saiba mais sobre a mudança nesse artigo do Comics Alliance.

Dir.: o App antigo já não tem loja. Centro: o novo App, apenas um leitor. Esq.: interface do site.
A antiga vitrine do App para iOS *suspiro*

Vantagens

  • Tem a maior oferta de títulos e editoras americanas (são 110 selos publicando na plataforma!), incluindo Marvel, DC/Vertigo, Image, IDW, Boom! Studios, Dynamite, Avatar, Valiant, Top Shelf, Archie, Zenescope, Fantagraphics, Disney e Archaia. Traduzindo em títulos, são mais de 45.000 edições disponíveis.
  • Também dá espaço a publicações independentes, através do ComiXology Submit.
  • Há títulos históricos e lançamentos simultâneos aos gibis impressos nas Comics Shops.
  • Trabalha com edições avulsas e “encadernados” que reúnem edições de um arco de histórias.
  • Tem séries lançadas primeiramente no digital e outras feitas especialmente para o formato, com a narrativa pensada para se adequar à leitura guiada no seu dispositivo de preferência.
  • Falando em leitura guiada, o formato proprietário do ComiXology é o único que não torna a leitura em smartphones um martírio, com suas transições quadro a quadro com opção de enxergar a página inteira antes de mudar para a próxima. Em tablets com alta resolução, a página em HD é mostrada inteira na tela e é possível dar zoom quando necessário.
  • É fácil encontrar o que você procura (somente no site): há opções de busca por títulos, editoras, autores e palavras-chave.
  • É fácil de encontrar o que você não procura (somente no site): a “vitrine” é atraente, com novidades e destaques selecionados, além de sugestões de leitores e escolhas do staff.
  • Promoções: toda semana há pelo menos 3 ou 4 seleções de títulos a preços especiais (como US$0,99 por edição).
  • Tem gibis grátis.
  • Notificações: é possível configurar alertas para os títulos preferidos, que avisam quando saem novas edições e quando há baixa nos preços. E também há o recurso de lista dos desejos, muito útil para marcar futuras compras.
  • Tem aplicativos dedicados a editoras que utilizam o mesmo motor do ComiXology: Marvel, DC Comics, Vertigo, Image, IDW
  • Usa todo o poder da computação em nuvem: toda sua biblioteca fica armazenada nos servidores da empresa, e você pode baixar para seu dispositivo quando quiser, poupando espaço.

Desvantagens

  • Abusa de todo o poder da computação em nuvem: uso o serviço há 5 anos, e já aconteceram pelo menos 3 casos em que fiquei impedido de ler o que já comprei e não havia baixado, por problemas nos servidores do ComiXology. O mais famoso foi quando a Marvel resolver dar mais de 700 gibis de graça. O mais recente foi quando o serviço foi hackeado e todos os assinantes precisaram resetar suas senhas, causando fluxo enorme de acessos que novamente derrubou o sistema. Felizmente, foram casos isolados e tudo foi restabelecido em pouco tempo. Infelizmente, são lembretes de que a propriedade não é definitivamente nossa enquanto não fazemos o download.
  • A imensa maioria do material está em inglês, com poucos gibis em francês e espanhol e raríssimos em português. Se você não souber ler na língua de Shakespeare, está automaticamente fora (até aprender).
  • Os preços: como é comum no universo dos apps, são praticados em dólar. Além da questão da flutuação do câmbio, é preciso ter cartão de crédito internacional. E o preço de uma edição não é exatamente barato (como já falei aqui). Os paliativos são: 1) ficar rico; 2) esperar por promoções; 3) esperar por encadernados, que diminuem o preço por edição avulsa; 4) selecionar aquelas HQs imperdíveis (como Miracleman) para acompanhar 1 vez por mês.
  • No iOS, o serviço se sujeita às restrições carolas da Apple. Já houve dois casos importantes de retirada de conteúdo devido à censura: uma edição de Saga e toda a série Sex Criminals.

Thrillbent

[UPDATE] No início, Thrillbent era a plataforma de webcomics lançada pelo incrível Mark Waid, apenas com conteúdo inédito. Em sua versão 3.0, o Thrillbent alça voos mais altos e já tem cara de editora independente (e das boas), com seu ótimo app para iPad (Android ainda em desenvolvimento), seu sistema de assinatura mensal e a venda de volumes completos de histórias seriadas em formato PDF.

Vantagens

  • Conteúdo exclusivo e de qualidade.
  • Os volumes em PDF não possuem DRM, a famigerada trava digital. Baixou, é seu.
  • Formato de leitura pensado para funcionar em tablets de maneira esplêndida.
  • Muitas possibilidades narrativas para explorar a mídia através da leitura guiada (detalhes neste artigo —parte 1 e parte 2). Aliás, este é um dos pontos altos da plataforma, já que os quadrinhos são estruturados para transcender a experiência do papel, como o Marvel Infinite.
  • Pelo preço de um gibi por mês (US$3,99), você ganha acesso à biblioteca inteira do Thrillbent, mais histórias curtas exclusivas, mais um PDF do 1º volume completo de Empire —uma série do Mark Waid e Barry Kitson indicada ao Eisner, há tempos fora de catálogo.
  • Dá pra experimentar vários capítulos das séries de graça antes de decidir assinar.
  • É possível favoritar séries para que você seja avisado quando uma nova edição estiver disponível.
  • Para quem não puder acessar pelo app, o site se adapta à tela do dispositivo.

Desvantagens

  • É preciso estar conectado à internet para ler. Não há um modo offline.
  • Conteúdo apenas em inglês.
  • Não há app para smartphone.

New Worlds Comics

[UPDATE] A New Worlds é um projeto arrojado de editora independente, publicando atualmente apenas dois títulos em formato digital: Wynter —uma ficção científica futurista, sexy, intrigante e inteligente; Goof –comédia pastelão sobre o primeiro e único e atrapalhado super-herói da Terra.

Promete, em seu manifesto, que todas as histórias terão um fim e seus títulos serão independentes entre si, entre outros valores bacanas como absoluta liberdade criativa.

A editora debutou com um app para iPad (e planos para iPhone, Android e plataforma web no futuro) e também está vendendo suas edições no ComiXology.

Vantagens

  • Conteúdo exclusivo e de qualidade.
  • Preço: cada edição com 24 páginas sai por US$1,99.
  • Dá pra experimentar um preview antes de comprar.

Desvantagens

  • Oferta limitada de títulos.
  • A navegação é idêntica a um PDF, ou seja, não explora completamente os recursos vantajosos da leitura em tablets.
  • Conteúdo apenas em inglês.
  • Por enquanto, restrito ao iPad.

Dark Horse

Das grandes editoras americanas, é a única que optou por não estar presente no ComiXology. Aposta (quase) todas as fichas em webloja e aplicativos próprios (para iOS e Android).

Vantagens

  • Material exclusivo: aposta em excelente material de autor, como Hellboy, Usagi Yojimbo, The Goon, Umbrella Academy, Sin City e The Massive, além de licenças como Conan, Mass Effect, Aliens, Predator, Serenity, Buffy e, até recentemente, Star Wars.
  • Trabalha com edições avulsas e bundles —mega coleções (às vezes, até 100 edições!) de um título.
  • Promoções: toda semana tem pelo menos uma série com preços especiais.
  • Tem gibis grátis.
  • Usa todo o poder da computação em nuvem.

Desvantagens

  • Abusa de todo o poder da computação em nuvem (embora, por ser uma editora e não uma loja, dá uma sensação maior de segurança).
  • O app, e particularmente o sistema de busca, não tem uma experiência das mais fluidas. Entretanto, é justo dizer que eles continuam tentando melhorar com atualizações constantes.
  • Catálogo somente em inglês.
  • Preços em dólar e valores não convidativos ao brasileiro classe média.

Image

A editora americana que tem o material mais criativo à venda no momento adota um modelo híbrido: no app pra iOS, usa o sistema do ComiXology; no site, vende edições em diversos formatos: PDF, ePUB, CBZ e CBR.

Vantagens do site

  • O formato dos arquivos: praticamente permitem ler os gibis em qualquer dispositivo, seja com um comum leitor de PDF, seja com aplicativos dedicados às extensões CBZ e CBR. O mais importante: os arquivos não possuem DRM, a famigerada trava digital. Baixou, é seu.
  • Vende as edições censuradas no iOS.

Desvantagens do site

  • Se você está acostumado a ler em tablets, o processo não é tão simples quanto no ComiXology: é preciso fazer o download no computador, transferir o arquivo para o tablet e ter um app que leia nos formatos disponíveis. Nada muito complicado, mas longe da simplicidade dos 2 toques na tela.
  • Catálogo somente em inglês.
  • Preços em dólar e valores não convidativos ao brasileiro classe média.
  • Não tem notificações automáticas de promoções —mas tem newsletter.

Mais Gibis

É um site/loja recente (da mesma turma responsável pelo Outros Quadrinhos), que tem o potencial de se tornar o ComiXology brasileiro.

Vantagens

  • Todo o conteúdo é apresentado em nossa língua materna, o popular PT-BR.
  • Da mesma forma, as transações são realizadas em R$.
  • Formas de pagamento: é a loja que traz mais opções para o consumidor brasileiro (ver a microentrevista a seguir).
  • Tem gibis grátis.
  • O formato dos arquivos: praticamente permitem ler os gibis em qualquer dispositivo, seja com um comum leitor de PDF, seja com aplicativos dedicados às extensões CBZ e CBR. O mais importante: os arquivos não possuem DRM, a famigerada trava digital. Baixou, é seu.
  • O catálogo traz as editoras nacionais Mythos (que publica material da 2000 AD, como a Juiz Dredd Megazine) e Balão Editorial (cheia de autores nacionais), além de livros sobre HQs e muitos quadrinistas independentes.

Desvantagens

  • O catálogo (crescente) ainda é enxuto e não tem as principais editoras nacionais (como Panini, JBC, Quadrinhos na Cia.), o que pode fazer com que o consumidor mainstream torça o nariz —se for o seu caso, dê em desconto já que a iniciativa é recente.
  • Não tem notificações automáticas de promoções.
  • Se você está acostumado a ler em tablets, o processo não é tão simples quanto no ComiXology: é preciso fazer o download no computador, transferir o arquivo para o tablet e ter um app que leia nos formatos disponíveis. Nada muito complicado, mas longe da simplicidade dos 2 toques na tela. Mas os caras são espertos e fizeram um tutorial facinho de seguir.

Microentrevista

Conversei brevemente com Fabiano Denardin, experiente editor da Panini Vertigo e um dos gestores do Mais Gibis, sobre a iniciativa.

[@espinafrando]: Quais são as formas de pagamento do site?

[Fabiano Denardin]: Mudamos há pouco o sistema de pagamento, agora é possível pagar por cartão de crédito, débito, transferência bancária e boleto!

[@e]: Há planos para aplicativos de smartphone/tablet?

[FD]: Planos temos muitos, mas no curto prazo vai ser difícil rolar um aplicativo pelos custos envolvidos na produção. Mas assim que der, pretendo investir nisso. Em um primeiro momento vamos investir em um sistema de afiliados, para que outros sites possam vender as HQs do Mais Gibis.

[@e]: Algum plano secreto (novas editoras, novos títulos…) que os leitores dariam um baço para ficar sabendo?

[FD]: Sim, muitos. Temos conversado com autores de material brasileiro mais antigo e com licenciantes de material inédito. A ideia é ter muito mais conteúdo.

Marvel Global Comics

Um aplicativo da Marvel disponível apenas para iOS (por enquanto), independente do ComiXology, cujo foco está em gibis traduzidos para 12 idiomas, entre ele o nosso PT-BR.

Vantagens

  • Gibis digitais traduzidos da maior e mais popular editora americana.
  • Tem gibis grátis.
  • Usa QUASE todo o poder da computação em nuvem.

Desvantagens

  • Abusa de todo o poder da computação em nuvem.
  • O letreiramento e a tradução da iVerse Media são bem chinfrins (tipo Google Translator), o que torna a leitura uma tortura.
  • O aplicativo tem cara de beta: no iPad, não permite criar uma conta; no iPhone, a tela de configuração nem existe —ou seja, é virtualmente impossível ter a mesma gibiteca em dispositivos diferentes, acabando com o charme da computação em nuvem; o carregamento da “vitrine” é LENTO; a leitura em smartphone é impraticável, mais ou menos como ler um PDF em formato A4 numa telinha de 5 polegadas.
  • O acervo tem poucas séries, poucas edições, pouca continuidade, e não é nem um pouco atual (o arco mais recente é AvX, de abril de 2012).
  • Preços em dólar e valores não convidativos ao brasileiro classe média.
  • Sejamos práticos: a recomendação é nem experimentar essa plataforma.

Marvel Digital Comics Unlimited

Outra aposta da Marvel fora do ComiXology, a plataforma Unlimited traz uma proposta diferente de tudo que vimos até aqui. É um sistema de assinatura similar à Netflix, que permite ler quantos gibis você quiser através de streaming (planos mensal, anual e anual plus, que dá direito a descontos em produtos Marvel + um action figure exclusivo do Ultron —o popular BONEQUINHO). Funciona na web e em aplicativos para iOS e Android.

Vantagens

  • Mais de 13.000 edições no catálogo, que tem clássicos e novidades lançadas há mais de 6 meses (ex.: na data de publicação deste post, temos gibis de setembro de 2013).
  • É possível baixar até 12 edições para ler de forma offline em seus dispositivos iOS/Android.
  • Tem leitura guiada quadro a quadro, similar ao ComiXology.
  • Alguns quadrinhos trazem conteúdo extra em vídeo e narração em áudio.
  • O app tem um layout amigável e é bastante ágil (pelo menos no iOS).
  • Se você for um leitor contumaz, os preços são convidativos: US$9,99 por mês, US$69,00 por ano e US$99,00 por ano na modalidade plus.
  • Permite ler por streaming, sem utilizar o espaço em disco do seu dispositivo.
  • Usa todo poder da computação em nuvem.

Desvantagens

  • Abusa do poder da computação em nuvem.
  • Apenas quadrinhos em inglês.
  • Preços em dólar.
  • É preciso esperar 6 meses para ler a última novidade lançada em Comics Shops ou no ComiXology. E o catálogo é flutuante, como o da Netflix: não há garantia de que o que está disponível hoje continuará disponível amanhã.

Madefire

Iniciativa que conta com Dave Gibbons (mais conhecido como o artista de Watchmen) entre seus mentores, o Madefire também é o mais diferenciado entre as lojas virtuais de quadrinhos: seu foco está em motion comics —histórias com som e movimentos, que não se limitam a animações tradicionais, mas também fazem uso do acelerômetro dos tablets para dar o efeito paralaxe. Começou apenas com quadrinhos exclusivos, mas cada vez mais vêm atraindo as editoras tradicionais —Top Cow, IDW, Dark Horse e DC Comics são 4 que estão investindo na plataforma, ainda que de forma tímida. Disponível para ler na web ou em dispositivos iOS.

Vantagens

  • O conceito de motion comics, quando bem executado, é capaz de acrescentar camadas completamente novas à leitura —principalmente com “trilhas sonoras” que ajudam a construir o clima, como é caso do título de horror Metawhal Alpha.
  • Tem gibis grátis.
  • O Madefire traz vários títulos inéditos e exclusivos da plataforma, com criadores de peso, como o próprio Gibbons, Bill Sienkiewicz, Mike Carey e Brian Bolland.
  • E também dá espaço para franquias consagradas como Hellboy, Batman, Injustice, Star Trek, Transformers
  • Usa todo poder da computação em nuvem.

Desvantagens

  • Abusa do poder da computação em nuvem. E aqui a nuvem é pouco confiável: já perdi minha biblioteca inteira e a conta não gravou as compras prévias.
  • O principal diferencial também é seu calcanhar de Aquiles: acontece quando os criadores abusam dos efeitos animados, ficando a meio caminho de uma animação e de uma história em quadrinhos tradicionais e desagradando ambos os públicos.
  • A leitura guiada é completamente engessada, acabando com a principal característica da mídia HQ: o poder da velocidade e do transcorrer da história estarem nas mãos do leitor. Há casos em que se você piscar, perde o que aconteceu. E não é possível se demorar em um quadro em particular —quem determina o tempo de exibição é a plataforma.
  • O app para iPad tem sérias deficiências: é pouco intuitivo, o mecanismo de busca é fraco, é difícil encontrar títulos específicos, não há separação por editora e ainda trava e/ou fica lento mesmo em hardwares mais avançados.
  • Catálogo somente em inglês.
  • Preços em dólar e valores não convidativos ao brasileiro classe média.

Sequential

Outra loja independente, pouco conhecida e mais “alternativa” – exclusiva para iPad, por enquanto. Chamou atenção por ter distribuído uma edição (que já não está disponível) com os primeiros trabalhos de Neil Gaiman, da época em que era jornalista.

Vantagens

  • Títulos exclusivos da plataforma (como Are You Mother? de Alison Bechdel) e muitos quadrinhos independentes. Entre as 18 editoras publicando, destacam-se Egmont, Knockabout, Top Shelf e Fantagraphics.
  • O conteúdo passa longe de super-heróis (exceto pela Liga Extraordinária do Alan Moore, mais ou menos), com autobiografias, clássicos, ficção e não-ficção, humor, horror, dramas históricos.
  • Exposição atraente na “vitrine” e várias opções de busca.
  • Tudo em alta definição.
  • Os autores têm a opção de oferecer conteúdo extra, como esboços e comentários em áudio.
  • Algumas HQs são oferecidas em formato exclusivo de leitura guiada, muito parecido com a iniciativa Marvel Infinite —onde textos e desenhos aparecem no quadro de forma independente e a cada toque.
  • Tem gibis grátis.
  • Usa todo poder da computação em nuvem.

Desvantagens

  • Abusa do poder da computação em nuvem.
  • Apesar de já contar com mais de 100 títulos (com novos chegando toda semana), ainda é pouco em comparação com serviços mais populares.
  • Quadrinhos gratuitos não são atrelados à conta. Se trocar de dispositivo, é preciso comprá-los novamente. Dica: se por acaso a HQ sair de cátalogo, como foi o caso de “The Lost Tales of Neil Gaiman“, edição gratuita numa ação de caridade que ficou disponível até dezembro de 2013, basta enviar um email para o suporte que o Sequential te manda um código para baixar novamente.
  • Catálogo somente em inglês.
  • Preços em dólar e valores não convidativos ao brasileiro classe média.

Go Comics

Disponível via web e em aplicativos para iOS e Android, o Go Comics aposta em tiras de jornal gratuitas —com publicidade, embora seja possível pagar 1 dólar por mês e se livrar das propagandas.

Vantagens

  • Conteúdo praticamente exclusivo nos meios digitais.
  • Traz tiras clássicas e consagradas (Peanuts, Calvin, Garfield, Dilbert, Dick Tracy etc.) e títulos mais recentes ou inéditos para o público brasileiro (Libert Meadows, The Boondocks, Last Kiss, Adult Children…).
  • Atualizado diariamente (nota: nem todas as séries têm atualizações diárias).

Desvantagens

  • Não é possível ler offline.
  • Catálogo em inglês e espanhol.

Les Aventures de Tintin

O marco de Hergé só está disponível em formato digital em aplicativo dedicado para iOS.

Vantagens

  • Tem toda a coleção de Tintim à venda, mais outra obra menos conhecida de Hergé: Les Aventures de Jo, Zette et Jocko.
  • Na sessão de extras do App, há galerias de imagens, wallpapers (destravados a cada compra) e releases sobre o autor e seu museu.

Desvantagem

  • Conteúdo apenas em francês e holandês. Com inglês prometido para breve.
  • Preços em dólar.

2000 AD

É a única editora das que testamos que usa a banca do iOS. É a casa original de Judge Dredd, pra quem não ligou o nome à pessoa.

Vantagens

  • É possível pagar por assinaturas mensais, trimestrais e anuais. Sempre que um novo gibi é lançado, o download pode ser automatizado.

Desvantagens

  • O tipo de arquivo funciona como um PDF, com a diferença de que só pode ser acessado via banca do iOS. Ou seja, a leitura em smartphone é impraticável e em tablet a experiência fica aquém das várias outras opções nesse artigo.
  • Catálogo somente em inglês.
  • Preços em dólar.

bdBuzz

A bande dessinée também tem espaço no mundo dos quadrinhos digitais, através dos bdBuzz: em plataforma web ou em aplicativos disponíveis no Windows 8 e no iOS. Agradecimentos especiais ao grande Érico Assis, que fez a gentileza de testar e avaliar o App.

Vantagens

  • O catálogo é inédito nos outros aplicativos deste artigo.
  • O preço é BEM menor que o do impresso. Tipo, um álbum da Metal Hurlant que chamou atenção custa 23 euros impresso e 5,50 digital!
  • Tem álbuns gratuitos.

Desvantagens

  • Conteúdo apenas em francês.
  • O app é meio limitado, especialmente no conteúdo. O mercado francês é imenso, mas o bdBuzz tem apenas um pedacinho do mainstream (aventura, fantasia, história, desenho realista, cores belíssimas). Não tem o alto do mainstream (Blacksad, por exemplo), nem coisas de editoras grandes (Dargaud, Soleil), e muito menos das pequenas (KSTR, Shampooing, L Association).
  • São poucos lançamentos sincronizados com o que vem saindo impresso.
  • Os recursos de leitura são simples. Passar a página e o movimento de pinça pra ampliar/diminuir.
  • Não tem leitura guiada (panel by panel).

Disney Comics

Um aplicativo zumbi que persiste na App Store do iOS. Foi descontinuado em novembro de 2013, quando os quadrinhos Disney passaram a ser distribuídos em formato digital apenas no ComiXology. Coincidentemente, enquanto este artigo era editado, parece que a loja morreu de vez.

Vantagem

  • Nenhuma.

Desvantagem

  • Pouco intuitivo e desempenho ruim (“meio travado”).
  • Última publicação é de 2011.
  • É difícil encontrar o que se procura.
  • Catálogo somente em inglês.
  • Preços em dólar e valores não convidativos ao brasileiro classe média.

DreamWorks Comics

Utiliza a mesma tecnologia do extinto Disney Comics, apenas para iOS.

Vantagens

  • Nenhuma.

Desvantagens

  • Tem apenas 26 edições. De gosto duvidoso.
  • Catálogo somente em inglês.
  • Preços em dólar e valores não convidativos ao brasileiro classe média.

Digital Comics

Outro aplicativo fantasma do iOS.

Vantagens

  • Nenhuma.

Desvantagens

  • Traz apenas 3 editoras, sendo que a Top Cow é a única relevante.
  • Catálogo somente em inglês.
  • Preços em dólar e valores não convidativos ao brasileiro classe média.
  • Interface confusa.
  • App travou na 1ª tentativa.

***

E você, conhece alguma plataforma ou aplicativo que ficou de fora? Gosta desse tipo de matéria? Deixe sua opinião e sugestões nos comentários!

 

 

 

 

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