interlúdio: novidades musicais (às vezes não tão novas)

Objeto do desejo: uma seleção “eclética” de discos mais ou menos recentes. São 5 bandas novas e 2 clássicas em que você deveria prestar atenção. Então, pare tudo e vá ouvi-las agora mesmo.

O quê: basta clicar na capinha que o link te leva direto à iTunes Store.

Os preços estão em dólar —para chegar no valor em reais, basta multiplicar pela cotação do dia e somar o IOF (ou então multiplique por 2 e meio que dá pra ter uma noção).

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World of Joy – Howler

O novo álbum dos meninos de Minneapolis é feito para quebrar a maldição do 2º disco. E o título é significativo. World of Joy traz a alegre mistura de rock de garagem com pitadas de surf music punk que já conhecíamos de America Give Up. Mas não é mais do mesmo: a produção está mais sofisticada, com arranjos melhores; o som está menos embolado e continua poderoso; há mais uso de backing vocals e coro, enquanto Jordan Gatesmith fica cada vez mais confortável em assumir o manto de Joey Ramone.

Em apenas 24 canções e pouco mais de uma hora (contando os 2 álbuns e as 2 exclusivas do EP This One's Different), o Howler conseguiu se estabelecer como uma daquelas bandas com identidade única e inconfundível, como Ramones ou AC/DC.

Days Are Gone – HAIM

O álbum de estreia das irmãs californianas Este, Alana e Danielle Haim traz um pop com guitarras cheirando à década de 1980, um registro que fica a meio caminho de um cruzamento hipotético entre Michael Jackson e Pretenders. Mas não se engane: por mais que pareça inofensivo, o som das HAIM gruda no ouvido e encarna na alma.

Aliás, este ar oitentista tem toda a cara de ser coisa de produtor: ao vivo, as HAIM se destacam pela guitarra, baixo e “atitude” rocker. O que só nos faz esperar por um segundo disco com mais punch.

Silence Yourself – Savages

Abrindo com a porradeira Shut Up, como um manifesto ao ouvinte —“cale a boca, preste atenção e deixe com a gente nos próximos 39 minutos”— as Savages cometem um dos melhores petardos de 2013.

Como escrevi ao conhecê-las no último Lollapalooza Brasil, Savages é daquela bandas que parecem nascer prontas para o sucesso. São 4 integrantes talentosas e um conceito forte e bem definido (pós-punk denso, sombrio e energético). Ou, nas palavras da própria Jehnny Beth, a vocalista-francesa-que-mora-em-Londres:

The music of Savages was imagined to function like armor. Four women facing the world, facing the industry, protected by their sound, indestructible.

Settle (Deluxe) – Disclosure

Outro da leva Lollapalloza '14, o Disclosure apresenta em seu álbum de estreia um som eletrônico completamente pop, graças à legião de vocais convidados.

É um conjunto de músicas assobiáveis, que prezam mais a melodia do que o ritmo. Lembra Daft Punk nalguns momentos, mas tem um parentesco saudável (e mais próximo) com o trabalho dos Chemical Brothers pós-We Are the Night.

Não há um único fio condutor que estabeleça uma identidade imediata, e, por isso, o disco acaba ficando com cara de coletânea, de curadoria de produtor musical descolado. Mas, acima de tudo, Settle é vibrante e dançante e agradável aos ouvidos.

As Plantas que Curam – Boogarins

Uma das bandas novas que a Gabi do My Magical Glowing Lens tem prestado atenção, os goianos do Boogarins provavelmente são a melhor surpresa do rock nacional desde que Chico Science & Nação Zumbi vieram à tona há cerca de 20 anos.

O fato de cantarem em português acaba ficando em segundo plano: o som das guitarras psicodélicas é tão hipnótico que fica inviável prestar atenção nas letras.

Uma coisa é certa: são ótimos compositores e diferentes de tudo que está aí, no bom sentido.

Indie Cindy – Pixies

1 single e 3 EPs depois, confirmou-se o que todos esperavam: Indie Cindy, o álbum, viu a luz do dia e descortinou um Pixies renovado e inspirado a ganhar o tempo perdido.

Como todo disco dos Pixies, trouxe estranhamento e narizes torcidos nas primeiras audições. Como todo disco dos Pixies, Indie Cindy conquistará seu devido lugar no coração alternativo. Porque, os Pixies, eles não perderam aquele sentimento apaixonado.

Cada música é uma nova descoberta, uma guinada estrutural em relação à anterior. Ainda assim, você reconhece o DNA de Black Francis, Joey Santiago e Dave Lovering de imediato.

E vale dizer que, se funciona bem ao vivo, não há nada com o que se preocupar.

Meteorites – Echo & The Bunnymen

Por essa ninguém esperava. Pode-se considerar, com razão, que os bons serviços prestados para a música por Ian McCulloch e Will Sergeant são mais do que suficientes por uma vida inteira. Da mesma forma, ninguém discordaria de que o velho Echo & The Bunnymen não cria nada de relevante há mais tempo do que se pode considerar saudável para a vida artística de uma banda. Mas eis que o segundo conjunto mais famoso de Liverpool ressurge com o que pode ser um dos discos do ano.

Meteorites está em pré-venda no iTunes (com lançamento previsto para 03/06/2014), mas as faixas já divulgadas no Soundcloud e os trechos disponíveis para audição na loja virtual da Apple denunciam o sucessor espiritual da grandiosidade de Porcupine e, principalmente, Ocean Rain —das melhores obras da música pop de todos os tempos.

Pode ser que nenhuma faixa supere Killing Moon —a canção perfeita. E acho que ninguém espera que isso aconteça algum dia (embora Lovers On the Run seja candidata). Mas que esse disco pode chegar perto, ah, isso pode.

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Bom para: dar AQUELA renovada na playlist.

 

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