Mudinhas de Espinafre [16.04.14] – Especial Thrillbent

Mudinhas de Espinafre são pílulas pop, comentários (nem sempre) curtos e sem profundidade sobre coisas bacanas que você deveria ver, ouvir, ler. Ou não.

Nessa edição especial, vamos explorar o que há de melhor no Thrillbent, a plataforma de HQs digitais desenvolvida por Mark Waid (roteirista famoso por suas passagens nos gibis do Flash, Superman, Capitão América e Demolidor —entre outros— e pela minissérie O Reino do Amanhã), que libera todo seu catálogo por uma assinatura mensal de módicos US$3,99.

HQs do Thrillbent

Insufferable

Pra quem gosta de super-heróis realistas, Insufferable é um prato cheio. Pense num vigilante mascarado atormentado pelo passado e maníaco-obsessivo em sua luta pelo crime. Agora, adicione seu filho órfão de mãe como parceiro-mirim. Avance o tempo até o moleque chegar ao final da puberdade, se rebelar contra o pai e revelar a identidade secreta diante da imprensa sem aviso prévio, tornando-se uma celebridade instantânea ingrata (e babaca ao extremo), que passa a viver de marketing e a alimentar o ego com a popularidade nas redes sociais.

Mark Waid, com Peter Krause na arte, desenvolve essa versão moderna de Batman e Robin com toques de Kick-Ass, subvertendo clichês e fechando com cliffhangers de tirar o fôlego a cada capítulo.

Insufferable surpreende e diverte na mesma medida.

The Eight Seals

O escritor James Tynion IV e o ilustrador Jeremy Rock (cuja arte lembra o trabalho de Steve Dillon em Preacher e Hellblazer) elevam os quadrinhos digitais a um outro patamar nessa série de horror e política que parece um cruzamento de House of Cards com H.P. Lovecraft.

Usando recursos narrativos inovadores sem descaracterizar a linguagem do meio, a dupla constrói um thriller tenso, angustiante e amedrontador. Seus personagens são bem contruídos, a ponto de criar ligação imediata com o leitor em apenas 7 capítulos (publicados até o momento). Mais do que isso, The Eight Seal tem o mérito de ser diferente de praticamente tudo o que o mercado de cultura pop tem oferecido ultimamente e vale, sozinho, a assinatura do Thrillbent.

The Endling

Provavelmente, é um dos casos mais curiosos do Thrillbent: a história funciona de forma magnífica baseando-se apenas no conceito.

Jonathan Larsen (roteiros) e Cecilia Latella (desenhos) conduzem uma ficção cientifica de explodir cabeças, em que uma simulação de computador da evolução da humanidade criada pelo CDC – Centers of Disease Control (órgão do governo americano que estuda e controla ameaças biológicas, protagonista do ótimo filme Contágio) atinge a singularidade —ou seja, o último espécime de nossa linhagem no simulador, o predador supremo gerado após 1 bilhão de anos de evolução, ganha consciência e começa a se comunicar com uma estudante do ensino médio em nossa realidade, que faz estágio num renomado laboratório de pesquisa científica. Seu plano é manipular a garota para construir um corpo (!) e transferir sua consciência para fora do mundo do computador (!).

Ainda que frequentemente os diálogos e ações caiam em clichês inverossímeis, e que a arte pareça amadora nalguns momentos, a premissa e a condução da história são tão fortes que é impossível largar a série antes de devorar todos os capítulos. A última parte do 2º volume foi publicada na semana passada e mal dá pra esperar a continuação. Se você gostar, por favor, assine o Thrillbent para que possamos financiar a conclusão deste épico.

The Damnation of Charlie Wormood

Com roteiros da dupla Christy Blanch & Chris Carr e arte em preto e branco de Chee, The Damnation of Charlie Wormwood é uma espécie de reboot conceitual de Breaking Bad.

Charlie, o protagonista, é professor de literatura enfrentando a recessão e o desemprego americanos (o único trabalho que conseguiu manter foi um bico ensinando detentos de um presídio), uma crise no casamento, a doença terminal do único filho e os altos custos do tratamento sem seguro de saúde. Sua única saída: colaborar com um dos presos, manda-chuva do tráfico que comanda uma operação de dentro da prisão. Claro que tudo dará maravilhosamente errado e o professor acuado seguirá firme numa espiral de danação, se ferrando à direita, à esquerda e ao centro.

Ainda que Breaking Bad tenha chegado antes, The Damnation of Charlie Wormwood é bom o suficiente para manter o interesse e nos fazer sofrer junto com seu protagonista numa jornada para o fundo do poço e além.

 

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