espinafrando a estreia: Guardiões da Galáxia

Vamos logo tirar o elefante da sala: Guardiões da Galáxia é o ápice do Marvel Studios. Supera Os Vingadores e dificilmente será superado como o filme mais divertido desse ano.

Após os vários flertes com o espaço sideral nos outros filmes do Universo Marvel (a Asgard de Thor, o Cubo Cósmico no 1º Capitão America, a invasão Chitauri e a breve aparição do perfil de Thanos nos créditos d’Os Vingadores), a primeira incursão de fato do núcleo cósmico do estúdio nos cinemas já acerta com a escala grandiosa, para não deixar dúvidas de que irá muito além da fronteira final.

A ambientação no espaço, as raças alienígenas, o design das naves espaciais, a polícia intergaláctica, as batalhas espaciais, o vilão conquistador que quer estabelecer um Império (e a ponta que apresenta o vilão muito mais poderoso, com potencial para se tornar um desafio infinito), a abdução de um terráqueo, mercenários, artefatos misteriosos, traições, superação… Enfim, todos os elementos que fazem jus ao melhor da tradição das aventuras espaciais estão presentes, com uma roupagem digna de um grande orçamento e o pano de fundo que faz a alegria dos Marvetes de longa data (os Krees, Ronan, o Acusador, a Tropa Nova, Thanos, o Colecionador, um Celestial…).

O desafio de apresentar ao grande público heróis e antagonistas que pertencem ao 3º escalão da editora é tirado de letra, graças ao carisma dos atores e à construção dos personagens —com diálogos de deixar Tony Stark (e Joss Whedon) com uma ponta de inveja.

Aliás, isso vale de um extremo ao outro: do anti-herói canastrão e falastrão que tenta ser conhecido como Senhor das Estrelas (o improvável Chris Pratt, de The Office e Parks & Recreation, fazendo às vezes de Han Solo, se este fosse o protagonista de Guerra nas Estrelas) à dupla formada pelo guaxinim mais badass de que se tem notícia (Bradley Cooper na pele de Rocket Raccoon) e pelo alienígena em forma de árvore chamado de Groot (interpretação de Vin Diesel, por baixo do CGI, cujo repertório não vai além de “I am Groot“, ainda que com uma miríade de entonações diferentes). Completando a trupe que será conhecida como os Guardiões da Galáxia, temos a força física e o baixo intelecto de Drax, o Destruidor (músculos de Dave Bautista) e a ameaçadora Gamora (Zoe Saldana), filha adotiva do titã Thanos (Josh Brolin), treinada desde criança para se tornar a assassina perfeita em corpo atlético.

A estrutura da história, como não poderia deixar de ser, é a de “filme de origem“, com os eventos que levam esses cinco estranhos a se juntar numa equipe para salvar o dia. Isso posto, e trancando a euforia do lado de fora, vale dizer que Guardiões da Galáxia sofre do mesmo mal de todo blockbuster moderno: a correria frenética para resolver um desafio atrás do outro, embalada num roteiro pífio com a profundidade de um pires.

Ainda assim, esse deslize é facilmente ignorado durante a sessão de cinema. Afinal, a superação de obstáculos em progressão aritmética, como quests de um game de RPG até o enfrentamento derradeiro, é o elemento básico do gênero de Aventura desde que George Lucas e Steven Spielberg apresentaram os fundamentos que ressuscitaram as matinês, no final da década de 70 e início dos anos 80.

O segredo do sucesso ou fracasso está puramente na execução. Digamos que seja a diferença entre um Indiana Jones (empolgante, tocante, engraçado e com um poder de síntese que dá a sensação de ter durado dias, deixando o nível de cansaço no zero e um retrogosto de quero mais) e as sequências intermináveis dos Transformers de Michael Bay, que além de exaustivas e confusas, nada acrescentam e pouco divertem.

Nesse sentido, Guardiões da Galáxia certamente faz parte do primeiro time, lembrando bastante a vibe de um clássico da Sessão da Tarde, como O Último Guerreiro das Estrelas —sem as arestas de uma produção tosca e sem as amarras de orçamento e tecnologia. É um filme que transborda alma em cada frame, com seus personagens tridimensionais e de qualidade tão boa quanto o 3D, os efeitos especiais e a soberba trilha sonora, que mistura grandiosos temas instrumentais com canções pop exuberantes.

É tão bem sucedido na verdade, que cria um laço imediato com essas figuras estranhas, esses párias galácticos, e me faz querer ver a filmografia completa do diretor James Gunn, mais filmes dos Guardiões (uma hexalogia estaria de bom tamanho), ter o Blu-ray, ler todas as edições da equipe já publicadas pela Marvel etc. E isso, meus amigos, é o melhor elogio que se poderia fazer. Desejo uma boa sessão de cinema a todos, porque sei que vocês serão espertos o bastante para não perder a estreia de Guardiões da Galáxia, dia 31 de julho de 2014.

P.S.

Como de costume, haverá cena pós-créditos (que não foi exibida para a imprensa a pedido do diretor —Gunn quer que todos tenham a oportunidade de assisti-la sem spoilers).

 

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