L.O.A.S. – Annabelle

Produzir um spin-off sobre uma boneca amaldiçoada que só aparece brevemente num filme de terror de sucesso… Cheira a oportunismo, por mais que se espere por algo digno.

Annabelle não chega a ser indigno ou ofensivo enquanto produto de uma franquia. Mas realmente poderia ser bem mais do que é.

Ao contar a origem da boneca homônima —que aparece somente no início do excelente Invocação do Mal—, o diretor John R. Leonetti não demonstra domínio na função, apesar de já ser um veterano na direção de fotografia (inclusive do próprio filme que deu origem à “franquia”).

Tudo começa com John (Ward Horton) entregando um presente raro para sua esposa Mia (Annabelle Wallis, numa coincidência bizarra de prenomes): uma boneca rara, que fará parte da coleção de bonecas dela. Logo em seguida, os vizinhos são trucidados por uma seita de fanáticos à la Família Manson. Uma das satanistas acaba se suicidando em um ritual junto dessa boneca, que entra em contato com o sangue da psicopata. A partir daí, só eventos estranhos e inexplicáveis começam a ocorrer na vida do casal, que está à espera de sua primeira filha. E quem acaba sendo mais atormentada é justamente Mia.

Enquanto Invocação do Mal possuía uma bem moldada mistura de ingredientes —elenco afiado, roteiro dinâmico, um diretor (James Wan) que sabe equilibrar o triângulo personagens-história-sustos com maestria—, em Annabelle tudo está por demais diluído.

O casal de atores principais, Horton e Wallis, não tem bagagem suficiente para segurar a narrativa até o final. Para dar credibilidade, há uma coadjuvante de luxo (Alfre Woodard), mas que funciona no clichê “vizinha-entendedora-das-ciências-ocultas-que-pode-ajudar-os-protagonistas”.

A direção de arte correta (que inclusive alinha o design de época com o filme original) e a boa execução de alguns sustos pontuam a favor do filme —atenção para a arrepiante cena do elevador, que se recusa a sair do andar sinistro onde está parado. E ainda bem que as manifestações de Annabelle não seguem a cartilha Chucky de andar por aí. Leonetti segue a lógica de “menos é mais”, que também está no filme original. Só que, infelizmente, com resultado aquém.

Resta aguardar a provável continuação oficial de Invocação do Mal, para saber o que pesa mais: o retorno financeiro ou a integridade artística. A ver.

 

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