espinafrando a estreia: Vingadores – Era de Ultron

Avengers, A…ssemble!

Vingadores – Era de Ultron fecha a fase 2 do Universo Marvel no cinema com honra e pompa.

É maior, mais maduro e, de certa forma, até mais ambicioso que a primeira aventura dos Heróis Mais Poderosos da Terra. “Erra” menos, inclusive. Ainda assim, é menos memorável.

Posso especular sobre os motivos disso, embora não possa cravar algo como definitivo — é uma sensação totalmente subjetiva. A falta do fator novidadeiro. O desgaste das relações entre os heróis (de verdade, há pouco desenvolvimento dos personagens e da mecânica entre eles —é como se entre um filme e outro se passasse apenas um dia). A falta de carisma da Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen, provando definitivamente que talento não é o que se deve esperar da família Olsen) e do Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson) — completamente jogados na trama, parte culpa do roteiro, parte dos próprios atores. A trilha sem um tema marcante (o do 1º aparece de forma tímida). O excesso de CGI nas cenas de ação (particularmente as que abrem e fecham o filme), que dessa vez pendem mais para a confusão visual típica do Michael Bay do que para o balé elegante d’Os Vingadores. A correria do roteiro, que sua para dar espaço ao excesso de personagens e subtramas em seus 141 minutos de tela. São agulhadas ínfimas, do tipo que não fazem chorar de dor mas que incomodam.

Mais forte do que esses exemplos negativos e deslizes é o tratamento dado à Viúva Negra de Scarlett Johansson, que perde importância no grupo, deixa de ser uma personagem forte e enigmática e assume o papel de objeto decorativo, cuja única função é paparicar o Hulk de Mark Ruffalo. Ponto baixo na carreira de Joss Whedon, um diretor/roteirista famoso por “conhecer e entender a alma” das personagens femininas.

Por outro lado, o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) recebe a devida atenção neste arco (sem trocadilho), com bom desenvolvimento de personalidade pela primeira vez.

(Aliás, que agradável surpresa a aparição de Linda Cardellini —e o aceno ao HawkGuy de Matt Fraction e David Aja.)

E, claro, este não é o único ponto positivo.

James Spader, a voz de Ultron, faz um trabalho irretocável com o que talvez seja o robô mais humano já criado na ficção (isso não é uma qualidade do personagem. Pelo contrário) — um vilão tão carismático e sarcástico quanto o Loki de Tom Hiddleston, mas ainda mais ameaçador e megalomaníaco.

Paul Bettany, presente (e incógnito) desde o primeiro Homem de Ferro como a voz de Jarvis, a inteligência artificial/mordomo de Tony Stark (Robert Downey Jr.), ganha o destaque merecido e leva o troféu de melhor personagem novo com seu intrigante Visão, uma das melhores sacadas do filme.

Continuam funcionando perfeitamente o humor característico do Universo Marvel Cinematográfico e o ótimo desempenho já conhecido dos demais protagonistas e coadjuvantes —destaque para Downey Jr. e Chris Evans (que continua surpreendendo e ultrapassando as expectativas mais otimistas com seu Capitão América, o soldado capaz de comandar um Deus).

Principalmente, é um alívio encarar uma história em que os super-heróis estão primeiramente preocupados em salvar os inocentes (ainda que o discurso pareça ficar em segundo plano nalgumas cenas). Por incrível que pareça, o que deveria ser regra arquetípica tem sido exceção, praticada quase que exclusivamente pelas produções da Marvel Studios.

Talvez, o que falte para dar a liga definitiva seja o empenho pessoal do diretor. Meu palpite é que esse não era o filme que Joss Whedon queria fazer (pelo menos, não casa com suas declarações iniciais de que queria mostrar uma trama menor, mais intimista e mais focada nas relações do time de heróis), e que Kevin Feige impôs mais do que apenas algumas dicas e ligações para/com os próximos lançamentos da Marvel Studios.

Ainda assim, Vingadores – Era de Ultron é dos melhores exemplares do gênero de super-heróis. Não é o melhor que merecemos, mas é o melhor que precisamos agora.

pendurando a fantasia até o próximo carnaval

É oficial. Este é, provavelmente, um dos últimos textos do espinafrando.com (senão o último), que entrará em recesso por tempo indeterminado. Agradeço de coração a todos que participaram, acompanharam e apoiaram esta aventura nesses quase 5 anos. Obrigado! Nos vemos por aí.

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