Descanse em paz, Chuck.

“… Chuck Berry is dead, baby. Berry is dead.”

Foi-se hoje, sábado, 18 de março de 2017, o primeiro vértice da santíssima trindade do rock’n’roll: o senhor Chuck Berry.

Não tivesse existido, não é exagero dizer que o mundo de hoje seria diferente. Provavelmente, seria um mundo pior.

Berry é pedra fundamental do rock, o gênero musical que transcendeu a música, que virou comportamento, que inaugurou a cultura pop e que incluiu o jovem no mercado de consumo. É pouco para descrever sua importância.

Berry é o titã que pegou a música country, adicionou o blues, injetou eletricidade e influenciou deuses, colossos e mortais. Começar uma lista é perda de tempo (mesmo que a lista comece com Beatles, Beach Boys, Rolling Stones, Jimmy Hendrix, Led Zeppelin, Ramones…). Absolutamente tudo que veio depois contém seu DNA. São pouco mais de 7 décadas de influência direta. É pouco para descrever sua importância.

Berry é autor e/ou intérprete de mais de uma dúzia de gemas pop. Seu primeiro sucesso, Maybellene. Roll Over Bethoven, que anunciava (prenunciava?) um novo significado para a palavra “clássico”. Sweet Little Sixteen (que deu origem à icônica Surfin’ USA, com letra de Brian Wilson). Rock and Roll Music. School Days. Little Queenie. Back in the USA. Memphis Tennesse. No Particular Place to Go. You Never Can Tell. My Ding-a-Ling. Run, Rudolph, Run. Brown Eyed Handsome Man. Carol. E, Deus, Johnny B. Goode, que contém O riff de abertura definitivo. É pouco para descrever sua importância.

Berry faz parte da história do cinema e da TV. São 238 obras de audiovisual que fazem uso de Chuck Berry somente na trilha sonora, começando em 1956 com Ritmo Alucinante e indo até um episódio de 2016 de Big Bang Theory (sim, aquela) e o piloto de Vinyl, da HBO. Mais do que abrir sorrisos quando reconhecido, deixou sua marca indissociável em pelo menos dois momentos eternos:

  • a cena de De Volta para o Futuro em que Marty McFly comemora o sucesso de sua missão com um som “das antigas, pelo menos de onde vim”, “inventando” Johnny B. Goode.

Marvin Berry: [on the phone, as Marty plays “Johnny B. Goode”] Chuck! Chuck, it’s Marvin. Your cousin, Marvin Berry. You know that new sound you’re looking for? Well, listen to this!

[holds the receiver out]

  • embalando a dança de Vincent Vega e Mia Wallace no Jack Rabbit Slim’s Twist Contest com You Never Can Tell em Pulp Fiction.


É pouco para descrever sua importância.

Berry não foi santo em vida. Foi injusto e insjustiçado. Foi genial e genioso. Pode ser santificado post-mortem, graças à sua arte.

Berry é importante porque capaz de alegrar e continuar alegrando e inspirar e continuar inspirando literalmente bilhões de seres humanos e contando. Capaz de fazer um amigo que não vejo há anos falar comigo no momento em que descobriu que Chuck tinha falecido, lembrando que perdemos o show dele por causa daquela maldita prova de administração . Capaz de fazer um blogueiro aposentado voltar a escrever (mal), num esforço infrutífero e indigno apenas para celebrá-lo.

90 anos. É uma marca admirável para qualquer ser humano. Talvez até para Charles Edward Anderson Berry, seu nome de batismo. Mas não para Chuck Berry, seu nome artístico. Chuck é imortal.

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